Presidente do Senado: pedido de prisão contra mim é "desproporcional e abusivo"

Pedido de prisão foi feito pela Procuradoria Geral da República após escutas em que se ouve Renan Calheiros a tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato

O Presidente do Senado brasileiro, Renan Calheiros, considerou hoje o pedido de prisão contra si, enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), "desproporcional e abusivo".

Segundo o jornal brasileiro O Globo desta terça-feira, o procurador-geral da República também solicitou a prisão do ex-Presidente José Sarney, do ex-ministro do Planeamento Romero Jucá e do presidente da Câmara dos Deputados afastado, Eduardo Cunha.

O pedido tem como base os áudios secretos gravados pelo ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras) Sérgio Machado, que sugerem uma tentativa de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato, que investiga o maior esquema de corrupção no Brasil, envolvendo dezenas de políticos e diversas empresas, entre elas a petrolífera Petrobras.

No caso de Eduardo Cunha, Rodrigo Janot fez o pedido por entender que ele continua interferindo nos trabalhos da câmara baixa do Congresso.

Segundo o jornal, Rodrigo Janot pediu igualmente ao STF o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado.

Num comunicado da presidência do Senado lê-se que Renan Calheiros, "apesar de não ter tido acesso aos fundamentos que embasaram os pedidos", "considera tal iniciativa, com o devido respeito, desarrazoada, desproporcional e abusiva".

"As instituições devem guardar os seus limites. Valores absolutos e sagrados do Estado democrático de direito, como a independência dos poderes, as garantias individuais e coletivas, a liberdade de expressão e a presunção da inocência, conquistados tão dolorosamente, mais do que nunca, precisam de ser reiterados", lê-se na nota.

Segundo a assessoria da presidência da câmara alta do Congresso, "a nação passa por um período delicado de sua história, que impõe a todos, especialmente aos homens públicos, serenidade, equilíbrio, bom senso, responsabilidade e, sobretudo, respeito à Constituição Federal".

O presidente do Congresso, segundo a nota, reafirmou que "não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à justiça", e lembrou que já prestou todos os esclarecimentos demandados, continuando disponível para colaborar com a justiça.

Renan Calheiros "está sereno e seguro de que a nação pode seguir confiando nos poderes da república" e reitera o seu respeito à "dignidade e autoridade" de todas as instituições democráticas do país.

"Todas as instituições estão sujeitas ao sistema de freios e contrapesos e, portanto, ao controle de legalidade. O Senado Federal tem-se comportado com a isenção que a crise exige e atento à estabilidade institucional do país", escreveu ainda a assessoria.

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