Presidente do Peru promete libertar Fujimori para evitar destituição

Alberto Fujimori, que dirigiu o país na década de 1990, está preso desde 2007. Foi condenado por violação de direitos humanos.

"Foi Alberto Fujimori quem salvou a vida" ao presidente Pedro Pablo Kuczynski, disse ontem um politólogo peruano ao diário La Tercera, de Lima, para explicar o resultado da votação no Parlamento em que se discutia a sua destituição por "incapacidade moral permanente". Kuczynski, mais conhecido pelas iniciais do seu nome, PPK, era acusado de ter ocultado as ligações com a empresa de construção brasileira Odebrecht, no centro de um escândalo de corrupção que envolve vários países da América do Sul.

A moção para a destituição foi apresentada pela principal formação no Congresso (designação formal do Parlamento), Força Popular (FP), dirigido por Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, presidente do Peru entre 1990 e 2000. Fujimori foi condenado em 2007 por buscas ilegais e, dois anos depois, por autoria moral de uma série de mortes e raptos no quadro da luta do seu governo contra a guerrilha de extrema-esquerda do Sendero Luminoso e do Tupac Amaru. Cumpre atualmente uma pena de 25 anos.

Para PPK ser destituído era necessário o voto de, pelo menos, 87 dos 130 deputados que compõem o Congresso, um resultado que até ao dia anterior era dado como adquirido. No final, houve apenas 80 votos a favor, 19 contra e 21 abstenções. Mas o dado-chave foi a ausência de dez eleitos da Força Popular, de uma fação oposta a Keiko Fujimori, a quem o governo teria prometido a libertação do pai de Keiko, disse à Reuters Cecilia Falcon, que integra aquela fação. Figura central de toda a manobra política que salvou PPK da destituição, terá sido o irmão de Keiko, Kenji. Este dirige a organização de juventude do FP e tem criticado algumas das orientações da irmã, considera Fernando Tuesta, o politólogo ouvido pelo La Tercera. É este ainda que afirma "caminhar-se e de maneira irreversível" para a libertação de Alberto Fujimori, através de "um indulto humanitário ou de uma comutação de pena". A particular época do ano que se vive ou a visita do Papa Francisco logo no início do ano, além da idade do antigo presidente (79 anos) poderiam ser invocadas como argumento, pensa Tuesta.

Ao conhecer o resultado, PPK veio à rua saudar os apoiantes reunidos diante de sua casa em Lima e deixou no Twitter uma mensagem, garantindo que começa "um novo capítulo: o da reconciliação".

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