Presidente do México "não quer confrontar a Igreja" sobre as alegações de abuso sexual

O Presidente Andrés Manuel López Obrador promete que caso haja um processo legal não o vai esconder, nem ser cúmplice. "Mas não vamos atiçar o fogo," e as alegações vão ser investigadas pelo Ministério Publico e não pela sua administração.

Na cidade do México, o Presidente Andrés Manuel López Obrador disse esta segunda-feira que não vai confrontar a igreja Católica do seu país por alegações de abuso sexual e que caberia ao Ministério Publico investigar essas alegações.

"Nós não queremos confrontar a igreja," disse, dia 18 de fevereiro, López Obrador numa conferência de imprensa, quando foi confrontado sobre o papel que a sua administração desempenharia na investigação sobre as alegações de abusos sexuais da Igreja Católica.

"Se houver um processo legal, não podemos escondê-lo, não vamos ser cúmplices," disse o Presidente mexicano. "Mas não vamos atiçar o fogo."

As acusações de escândalos de abusos sexuais têm sido o prato do dia para a Igreja Católica. Estados Unidos, Chile, Austrália, Alemanha e um número de outros países têm denunciado esta situação nos últimos anos, segundo a agência Reuters. E agora o México, que tem a segunda maior comunidade católica do mundo, a seguir ao Brasil.

"Alguns padres delinquentes estão na prisão, outros foram suspensos das suas paróquias. Nos últimos nove anos, 152 padres retiraram-se," tinha sido o arcebispo de Monterrei, Rogelio Cabrera a revelar a polémica sobre a Igreja Católica mexicana, no início do mês de fevereiro.

Mesmo que a situação tenha sido denunciada por membros da Igreja Católica, Martin Faz Maro, advogado que representa 19 das alegadas vítimas de abuso sexual por padres católicos, disse à agência Reuters que a Igreja "em momento nenhum abordou a questão de reparar os danos que as vítimas sofreram".

Esta semana, o Papa Francisco vai receber os bispos no Vaticano para discutir as revelações que percorrem o mundo de abusos sexuais na Igreja, que arrasaram a sua credibilidade. Mesmo que o Papa tenha prometido, repetidamente, tolerância zero para padres que tenham abusado crianças, os críticos exigem medidas mais drásticas.

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