Governo basco critica detenções na Catalunha

Presidente do governo basco disse que governo espanhol está a meter "mais lenha ou gasolina" na fogueira

O presidente do governo basco, Iñigo Urkullu, criticou o Governo espanhol pelo caso das detenções que foram hoje realizadas de altos funcionários da administração da Catalunha.

O "lehendakari" questionou hoje, em San Sebastián, "como os poderes do Estado querem apagar o suposto fogo colocando mais lenha ou gasolina" na fogueira, que está instalada com a tentativa da Catalunha tornar-se independente do resto de Espanha.

"Não consigo entender", declarou ainda Urkullu.

O presidente do Governo basco fez estas declarações aos jornalistas depois da inauguração da nova sede da empresa tecnológica Graphenea, no Parque Tecnológico de Gipuzkoa.

"Não consigo entender como uma situação que precisa de um reconhecimento da realidade, que exige diálogo e negociação para encontrar um acordo, está indo nas mãos de quem está indo", ressaltou.

Urkullu afirmou que "os poderes do Estado são os que estão levando isso a um ponto sem retorno".

Nessa situação, o responsável basco reivindicou "a necessidade de reconhecimento do compromisso de diálogo, de negociação e de acordo".

"Parece muito perturbador, para mim, que tudo isso seja rejeitado e ver como ontem (terça-feira) na Câmara dos Deputados rejeitava-se a possibilidade da via do diálogo", insistiu.

Por esta razão, Urkullu apelou "urgentemente a retomada pelas partes das rédeas desta situação", o que, segundo o presidente basco, "necessita de um aprofundamento no âmbito de convivência".

"Do país basco, mostro a nossa disposição na medida em que está em nossas mãos retomarmos os canais do diálogo e da negociação num espírito de acordo e convivência a partir do reconhecimento das realidades", concluiu Iñigo Urkullu.

O ex-primeiro-ministro espanhol, Felipe González, mostrou-se também "preocupado" com a situação na Catalunha, mas disse que não irá pronunciar-se sobre o assunto agora porque ainda há "muita confusão".

Agentes da Guarda Civil detiveram hoje o secretário geral do Departamento de Economia catalão, Josep Maria Jové Lladó, na sequência das ações contra o referendo na Catalunha, suspenso pelo Tribunal Constitucional.

Fontes oficiais ligadas à investigação disseram à agência EFE que um "grande dispositivo da Guarda Civil" procurava documentação relacionada com o referendo marcado pelos "independentistas" para o dia 01 de outubro.

As buscas realizaram-se nas instalações do Departamento de Economia e também no gabinete do secretário das Finanças do governo autónomo da Catalunha, Lluís Salvadó.

A Guardia Civil também está a realizar buscas na residência particular de Joan Ignasi Sanchez, em Barcelona, assessor da antiga responsável da Esquerda Republicana da Catalunha.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.