Presidente de bairro parisiense declara guerra aos ratos

O presidente do 17º bairro de Paris lançou um site para acabar com os ratos na cidade

O presidente de um dos principais bairros de Paris, Geoffroy Boulard, lançou hoje na internet uma 'guerra' aos ratos, face à praga dos roedores que nos últimos anos tem ameaçado a capital francesa.

No site 'Signalerunrat.paris' ("localizar um rato" em tradução livre), Boulard pediu aos residentes do bairro 17º de Paris ajuda para indicar as localizações dos ratos que encontrarem, prometendo "que cada denúncia será conduzida para os serviços centrais da presidente da Câmara de Paris".

Boulard acusa a presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, de não se ter "dado conta da dimensão da situação", apesar de os ratos se estarem a multiplicar.

"Foi o caso da infestação do pátio de uma creche que me convenceu de que devíamos tentar outra coisa" afirmou Boulard ao jornal 'Le Parisien', em que surge numa fotografia, de luvas cirúrgicas, a agarrar dois ratos mortos pelas caudas.

O presidente do bairro alertou para o "problema de segurança" na capital, prevendo que o número das queixas deve aumentar com a chegada do bom tempo.

Nos últimos três anos andámos a viver, comer e dormir com roedores, é um inferno

Nas dezenas de avisos publicados no site no primeiro dia da sua criação, os residentes da área queixam-se de "ratos no relvado do parque", uma "escola secundária infestada" e "roedores a vaguear silenciosamente".

"Nos últimos três anos andámos a viver, comer e dormir com roedores, é um inferno, ninguém está a agir", publicou um residente.

"Há cada vez mais e mais deles com tamanhos enormes. Emergência", escreveu outro residente.

Segundo peritos, já existem mais ratos em Paris do que residentes, que já são 2,2 milhões.

Em março de 2017, Anne Hidalgo lançou um programa de 1,5 milhões de euros de desinfestação de ratos, assinalando que "os roedores voltaram, infestando parques e jardins".

A infestação de Paris pelos ratos não é um problema recente, mas que atingiu um outro nível quando os roedores foram retirados em massa das suas casas durante as fortes chuvas na cidade no início do ano, uma das piores cheias registadas no último século.

Na Internet, inúmeros vídeos denunciam a situação, mas também 25.000 pessoas assinaram uma petição para parar o com "genocídio dos ratos".

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.