Presidente romeno pede que primeira-ministra se demita

Klaus Iohannis afirmou que a primeira-ministra Viorica Dancila não tem competências para ocupar este cargo

O Presidente da Roménia, Klaus Iohannis, pediu esta sexta-feira à primeira-ministra, Viorica Dancila, que se demita, afirmando que ela não tem competência para ocupar o cargo.

"A senhora Dancila não está à altura da função de primeira-ministra da Roménia e, por isso, o Governo torna-se uma fonte de vulnerabilidade para a Roménia. É por essa razão que peço publicamente a demissão da senhora Dancila", disse o Presidente numa curta declaração à imprensa.

Dancila, que em janeiro se tornou a primeira mulher a liderar um Governo romeno, apenas é responsável perante o parlamento, dominado pelo Partido Social-Democrata (PSD) no poder, única instituição com poder para decidir a sua demissão.

O Presidente, cujas relações com o Governo social-democrata são tensas, acusou a primeira-ministra de "preferir executar ordens do partido" e evocou um documento, adotado na semana passada pelo Governo, de avaliação da mudança da embaixada da Roménia em Israel de Telavive para Jerusalém.

Iohannis defende que uma tal mudança contraria o Direito Internacional, opondo-se à decisão e criticando o Governo por não o ter informado previamente.

Para o Presidente, a iniciativa do Governo é um "grande erro".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?