Presidente da Catalunha vira costas ao embaixador espanhol

Diplomata desmentia afirmações de Quim Torra durante receção em Washington. Conflito pode continuar hoje na inauguração do Smithsonian Folklife Festival, no qual a Catalunha é um dos destaques da programação

O conflito entre Madrid e a Catalunha conheceu mais um capítulo na quarta-feira à noite, em Washington. O presidente da Catalunha, Quim Torra, encabeçou um protesto contra o discurso que o embaixador de Espanha proferia durante uma receção do Folklife Festival, no qual a cultura catalã é homenageada.

À saída do Museu Nacional de História Afroamericana, Torra qualificou o discurso de "ofensivo" e intolerável" e pediu a demissão de Pedro Morenés, entre gritos de "liberdade para os presos políticos".

E que disse o diplomata espanhol? Morenés tomou a palavra após um discurso em que o presidente da Generalitat acusou o governo espanhol de repressão e denunciou a existência de presos políticos, tendo sido concluído com o hino da Catalunha, Els Segadors, cantada pela delegação catalã.

O embaixador, ex-ministro da Defesa de Mariano Rajoy, desmentiu Torra. Afirmou que não existem presos políticos em Espanha e que os catalães defensores da unidade de Espanha vivem uma situação de assédio na Catalunha, o que desencadeou a atitude de Torra. Ao presidente seguiram-se dezenas de pessoas que abandonaram a sala enquanto assobiavam o embaixador.

"Catalunha, tradição e criatividade a partir do Mediterrâneo" é o nome do programa de atividades culturais que durante dez dias integra o Folklife, festival organizado pelo Instituto Smithsonian.

Segundo conta o El País, o anterior governo espanhol reagiu com bastante incómodo a esta iniciativa cultural, temendo a sua politização. O tema chegou ao Departamento de Estado norte-americano, o que explica a intervenção do embaixador espanhol.

O conflito pode ter um segundo capítulo hoje, durante a inauguração oficial, uma vez que está prevista a presença de Pedro Morenés.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.