PP e Ciudadanos juntam-se para a Mesa do Congresso

Rajoy pede o fim do bloqueio. Com o parlamento em funções, Felipe VI deverá chamar o líder popular para formar governo. Rivera reclama o fim da "guerra fria" entre PP e PSOE

Pode ser um sinal para que venha a ser possível formar governo. Uma das mulheres de maior confiança de Mariano Rajoy, Ana Pastor, até agora ministra do Fomento, foi ontem eleita presidente do Congresso, com 169 votos a favor do Partido Popular e do Ciudadanos.

O acordo entre o líder do PP e Albert Rivera para a eleição de Pastor - que permitiu ao Ciudadanos colocar dois nomes entre os nove que compõem a Mesa do Congresso - pode ser um primeiro passo para um voto a favor na investidura de Mariano Rajoy.

Rivera já anunciou que o Ciudadanos votará contra na primeira tentativa - que deverá acontecer a 3 de agosto - e que depois irá abster-se na segunda, 48 horas depois. Se em vez da abstenção o partido de Rivera optasse por votar a favor da investidura do líder do PP como primeiro-ministro, Rajoy somaria 32 aos seus 137 deputados e passaria a contar com 169, ficando apenas a sete dos 176 necessários para a maioria absoluta. Esta eventual coligação entre PP e Ciudadanos colocaria pressão sobre Pedro Sánchez. Nesse cenário, o PSOE ver-se-ia forçado a abster-se, permitindo assim a entronização de Rajoy. Apesar de Rivera garantir que a concertação de posições com o PP para a eleição de Ana Pastor em nada altera a posição do partido no que diz respeito à investidura de Rajoy, os analistas entendem que este dar as mãos entre os líderes acabará por facilitar o voto favorável do Ciudadanos.

Com a eleição de ontem, o centro-direita fica em maioria na mesa do congresso, o que pode ser útil na gestão do calendário da investidura e na definição dos trabalhos parlamentares caso a formação de governo continue demorada. Juntos, o PP, com três, e o Ciudadanos, com dois, ocupam cinco dos nove lugares do órgão. Os restantes quatro lugares ficaram para o PSOE (dois), para o Podemos e para a coligação catalã En Comú Podem.

"Sou a presidente de todos. Daqueles que votaram em mim e daqueles que não votaram e estou disposta a encontrar-me com qualquer força política. O meu objetivo é trabalhar sempre no sentido do maior consenso", disse Ana Pastor depois de ter sido eleita. A agora ex--ministra do Fomento é a primeira mulher a presidir à Mesa do Congresso desde Fernanda Rudi, também do PP, que ocupou o posto durante o segundo mandato de José María Aznar.

Ana Pastor foi eleita à segunda, com 169 votos, mais 14 do que o socialista Patxi López, que obteve 155 com o apoio do PSOE e do Podemos.

A partir deste momento, estando já o parlamento em funções, o rei Felipe VI já pode convidar Rajoy a tentar formar governo. Resta saber se o líder do PP aceitará submeter-se à investidura não tendo a certeza se terá garantidos os votos e as abstenções suficientes para passar. "Quero governar e peço que me deixem governar e que não haja um bloqueio", afirmou ontem Rajoy no parlamento espanhol. O líder do PP sublinhou ainda que, havendo "bom senso", é possível que haja governo em Espanha no início de agosto.

Albert Rivera, mais uma vez, optou por passar a batata quente para as mãos de Pedro Sánchez. "Se o PP e o PSOE continuarem com a guerra fria vão conseguir que haja terceiras eleições. O PSOE tem de decidir se se abstém ou não para permitir a formação de um governo. O que os socialistas não podem fazer é exigir-nos que votemos a favor para não terem de tomar uma decisão", afirmou Rivera na primeira sessão da legislatura.

Pablo Iglesias também está disposto a colocar Sánchez entre a espada e a parede. "Se o PSOE fica com muita vergonha por abster-se e permitir um governo do PP o problema é seu", sublinhou o líder do Podemos.

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