Portugal defende plataformas de desembarque "do lado de cá ou do lado de lá" do Mediterrâneo

António Costa considerou esta quinta-feira, em Bruxelas, que "não é admissível" que todos os anos morram "milhares de seres humanos", nas rotas das migrações, "por não haver capacidade da Europa", para fazer uma gestão adequada para acolher "aqueles que carecem de proteção".

O primeiro-ministro português falava à entrada para a reunião do Conselho Europeu, em que se discutem estratégias para fazer essa gestão dos migrantes e dos refugiados. Em cima da mesa está a proposta para a criação das chamadas plataformas regionais de desembarque, desde já apoiada pelo governo de Portugal, desde que coordenada com entidades relevantes na área.

"Não é aceitável que não trabalhemos com o ACNUR [e] com a OIM, tendo em vista encontrar plataformas do lado de cá ou do lado de lá do Mediterrâneo, que permitam a existência de esses canais legais e seguros, para que possamos cumprir a nossa obrigação de acolher todos aqueles que carecem de proteção", defendeu.

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu igualmente a colaboração do Alto Comissariado para as Nações Unidas e da Organização Internacional das Migrações. Esta manhã, antes de viajar para Bruxelas considerou que a "Europa enfrenta muitos desafios, mas a questão das migrações pode decidir o destino da União Europeia".

As posições estão de tal forma extremadas que as expectativas para um acordo, sobre o funcionamento destas plataformas, a par do reforço da solidariedade europeia são muito baixas. Um dos exemplos emblemáticos desse estado de crispação à volta da mesa foi manifestado pelo chefe do governo húngaro. Viktor Orbán considera que "é o momento certo para lançar um novo período, para tentar reconstruir a democracia europeia", considerando que tal passa por "expulsar a invasão".

"Espero que avancemos agora no sentido de construirmos a democracia europeia. E esperemos que avancemos agora na direção da reconstrução da Europa e da democracia e, finalmente fazermos aquilo que as pessoas nos pedem. E, penso que as pessoas nos pedem duas coisas, que são não haja mais entradas - então, que sejam travados -, e a segunda é [para que] esses que já cá estão devem ser enviados de volta".

Talvez seja perante este tipo de posições mais duras, que já existiam, mas agora reforçadas, com a atuação do novo governo italiano, que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, alertou para importância de ver aprovada a proposta que trouxe para a discussão, de outro modo a Europa poderá assistir a "um encerramento caótico de fronteiras".

O presidente Francês, Emmanuel Macron, reconheceu que "há muito trabalho para fazer", incluindo o de convencer "o grupo de Visegrado". No entanto, manifestou-se confiante num acordo.

"Penso que o interesse fundamental de todos os membros europeus é que nenhuma opção é nacionalista e não cooperativa", afirmou, criticando indiretamente os líderes do grupo anti-migração. Macron apoia uma solução muito semelhante à defendida por António Costa "baseada na cooperação, em relação a países terceiros, para proteger as nossas fronteiras e para ter mais solidariedade entre os Estados membros".

Em Bruxelas

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.