Portugal acompanha "ao minuto" a situação da violência na Venezuela

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou hoje que Portugal está "a acompanhar ao minuto" a evolução do clima de violência na Venezuela, manifestando o desejo que de esta "não represente uma escalada".

"Estamos a acompanhar ao minuto e o nosso desejo é que não represente nenhuma escalada [de violência], porque o nível de dificuldades que a Venezuela vive hoje é já suficientemente grave para [que existam] mais escaladas. É necessária uma solução política, porque só as soluções políticas resolvem problemas políticos", disse hoje o chefe da diplomacia portuguesa.

O Governo da Venezuela afirmou hoje que foram disparados 15 tiros contra o Ministério do Interior e lançadas quatro granadas contra o Supremo Tribunal durante um ataque, na terça-feira, a partir de um helicóptero tomado por um polícia.

Não foram registados feridos na sequência do incidente, descrito como um "ataque terrorista" pelo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O governo venezuelano explicou que o helicóptero foi furtado de uma base militar por Óscar Pérez, um inspetor da polícia científica.

Santos Silva, que falava hoje à margem da assinatura de um protocolo no Ministério dos Negócios Estrangeiros, reiterou que "continuam válidas as orientações aprovadas no último conselho de MNE da União Europeia" sobre a Venezuela.

Estas orientações, enumerou o ministro português, "chamam todas as partes a um diálogo inclusivo, à necessidade de todas repudiarem quaisquer atos de violência e à necessidade de se criar condições políticas para que o calendário na Venezuela seja finalmente cumprido".

Questionado sobre se o Governo português tinha chamado o embaixador venezuelano para receber informações adicionais sobre os mais recentes acontecimentos na Venezuela, Santos Silva disse que a situação ainda não o justifica.

"Não. Ainda não é caso disso. O embaixador é um grande amigo de Portugal. Temos um contacto muito regular e muito fácil com a embaixada da Venezuela em Lisboa e com as autoridades venezuelanas", disse o MNE português.

Santos Silva deu como exemplo da "boa comunicação" o facto de o vice-ministro venezuelano para a Europa ter contactado a embaixada portuguesa em Caracas a disponibilizar o apoio do governo venezuelano para a reconstrução de estabelecimentos comerciais e industriais de portugueses saqueados na noite de segunda para terça-feira, na sequência de "distúrbios graves numa cidade a cerca de 200 quilómetros de Caracas".

"Portanto mantemos um contacto com as autoridades venezuelanas, como é o nosso dever", reforçou o ministro.

O chefe da diplomacia portuguesa - com a tutela das comunidades portuguesas no exterior - recordou que em incidentes anteriores do mesmo género, nomeadamente na cidade venezuelana de Valência (Estado do Carabobo), "o governo venezuelano comunicou a aprovação de uma linha de crédito na ordem dos 5 milhões de euros para a reconstrução".

"Quantos aos distúrbios de anteontem o que foi sinalizado é que governo venezuelano estaria disponível para criar um outro apoio específico semelhante ao que foi criado para o caso de Valência", concluiu Santos Silva.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Falem do futuro

O euro, o Erasmus, a paz. De cada vez que alguém quer defender a importância da Europa, aparece esta trilogia. Poder atravessar a fronteira sem trocar de moeda, ter a oportunidade de passar seis meses a estudar no estrangeiro (há muito que já não é só na União Europeia) e - para os que ainda se lembram de que houve guerras - a memória de que vivemos o mais longo período sem conflitos no continente europeu. Normalmente dizem isto e esperam que seja suficiente para que a plateia reconheça a maravilha da construção europeia e, caso não esteja já convertida, se renda ao projeto europeu. Se estes argumentos não chegam, conforme o país, invocam os fundos europeus e as autoestradas, a expansão do mercado interno ou a democracia. E pronto, já está.