Porto Rico reconhece que furacão 'Maria' provocou mais de 1400 mortos

As autoridades de Porto Rico reconheceram hoje que a passagem do furacão Maria, em 2017, provocou a morte de mais de 1400 pessoas e não as 64 anunciadas então oficialmente.

O novo balanço consta de um relatório enviado pelo governo porto-riquenho ao Congresso dos Estados Unidos, sem qualquer publicidade e em que detalha um plano de reconstrução orçado em 139 mil milhões de dólares (120 mil milhões de euros), e hoje reportado pelo jornal The New York Times.

Em maio passado, um estudo da Universidade de Harvard avançava com um número de mortos ainda mais elevado: 4600. De acordo com os investigadores, um terço das mortes após o furacão que assolou o arquipélago em setembro de 2017 teve origem nas interrupções dos cuidados médicos causados ​pela falta de energia - uma situação que se prolonga até hoje - bem como no corte das ligações rodoviárias. O mesmo estudo aponta um aumento de 60% na mortalidade nos três meses após a tempestade.

Depois disso, fontes do governo de Porto Rico reconheceram que provavelmente mais de 64 pessoas morreram devido ao furacão, cujos efeitos fizeram colapsar o abastecimento de eletricidade e provocou grandes inundações, cortando a circulação em muitas vias de comunicação e deixando as estradas intransitáveis.

O número exato de vítimas da passagem do furacão está em debate e o governo de San Juan pretende encerrar a polémica com a divulgação, dentro de semanas, de um relatório encomendado a especialistas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Borges

Globalização e ética global

1. Muitas das graves convulsões sociais em curso têm na sua base a globalização, que arrasta consigo inevitavelmente questões gigantescas e desperta paixões que nem sempre permitem um debate sereno e racional. Hans Küng, o famoso teólogo dito heterodoxo, mas que Francisco recuperou, deu um contributo para esse debate, que assenta em quatro teses. Segundo ele, a globalização é inevitável, ambivalente (com ganhadores e perdedores), e não calculável (pode levar ao milagre económico ou ao descalabro), mas também - e isto é o mais importante - dirigível. Isto significa que a globalização económica exige uma globalização no domínio ético. Impõe-se um consenso ético mínimo quanto a valores, atitudes e critérios, um ethos mundial para uma sociedade e uma economia mundiais. É o próprio mercado global que exige um ethos global, também para salvaguardar as diferentes tradições culturais da lógica global e avassaladora de uma espécie de "metafísica do mercado" e de uma sociedade de mercado total.