Polónia quer imitar Hungria e criar campos para imigrantes

Governo defende que medida só será aplicada numa emergência e que a sua política tem evitado atentados terroristas

A Polónia está a trabalhar na elaboração de um projeto de lei que permita deter candidatos a asilo em campos fronteiriços, anunciou ontem o ministro do Interior polaco, defendendo que tal política teve bons resultados na Hungria, apesar das críticas feitas pela Nações Unidas.
Hungria, Polónia e outros Estados membros da Europa de Leste são contra o plano da Comissão Europeia de distribuir imigrantes oriundos de África e do Médio Oriente pelo bloco, o chamado sistema de quotas. Mas ao contrário da Hungria, a Polónia - um país que, no ano passado, emitiu mais de um milhão de autorizações de trabalho para os vizinhos da Ucrânia - não viu milhares de migrantes e refugiados tentarem atravessar as suas fronteiras.
"A minha função é garantir a segurança dos polacos. Temos de estar preparados para este cenário mau, que espero que não venha a acontecer", declarou Mariusz Blaszczak na televisão estatal. "O cenário mau é uma onda de imigração que varra toda a Polónia", prosseguiu. Questionado pela Rádio Zet se colocaria migrantes em campos feitos de contentores e rodeados por arame farpado, Blaszczak respondeu: "Esta é uma ideia para uma situação de emergência que funcionou bem na Hungria".
A Hungria, um dos países mais afetados pela crise migratória de 2015, aprovou em março uma lei que prevê a detenção de migrantes em campos fronteiriços, medida que a ONU disse violar as leis comunitárias.
O ministro do Interior reiterou ainda que aceitar no país migrantes no âmbito do sistema de quotas poderá trazer riscos de segurança. "Não há atentados terroristas na Polónia porque a Polónia deixou cair uma medida aprovada pelo governo anterior de aceitar milhares de migrantes chamados refugiados", afirmou Blaszczak.
O plano de relocalização de imigrantes foi decidido pelos líderes da União Europeia em setembro de 2015, apesar do voto contra de Hungria, República Checa, Eslováquia e Roménia. O anterior governo da Polónia, liderado por Ewa Kopacz do liberal Plataforma Cívica (o partido do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk), votou ao lado da maioria dos 28, apesar de se opor à medida.
Um relatório da Comissão Europeia divulgado na quarta-feira refere que a Hungria e a Polónia "continuam a recusar-se a participar no regime de recolocação", sendo os dois únicos países do bloco que, até agora, não receberam um único migrante vindo de campos em Itália ou Grécia.
Uma fonte diplomática comunitária disse este mês ao The Times que se o Tribunal de Justiça da UE considerar legal plano de quotas, a Polónia poderá enfrentar consequências políticas e financeiras. "Não vejo como será possível punir a Polónia pois a questão da migração não está ligada a fundos estruturais", respondeu o líder da diplomacia polaca, Witold Waszczykowski.

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Anselmo Borges

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