Politólogo luso-venezuelano sequestrado durante sete horas numa cadeia

O politólogo Vasco da Costa terá ficado ferido. Está detido e acusado de ter ligação a motins contra o governo

O politólogo luso-venezuelano Vasco da Costa esteve sequestrado durante sete horas, com outras pessoas, na segunda-feira, na cadeia onde está detido e onde os presos realizaram um motim, disse à Lusa fonte da família.

"Estive várias horas sem conseguir saber de nada. Pelas 18:15 [23:45 em Lisboa] um 'custódio' [guarda] atendeu-me o telefone e disse que ambos estiveram sequestrados mas que o sequestro tinha terminado, que o meu irmão estava bem e que tinham sido feitas algumas transferências [de presos]", disse a irmã de Vasco da Costa à agência Lusa.

Ana Maria da Costa lembrou que num motim anterior, em dezembro de 2015, lhe "mentiram" quando lhe garantiram que o irmão estava bem, mas afinal "estava ferido", pelo que mantém a preocupação.

Segundo a imprensa venezuelana, o politólogo luso-descendente esteve sequestrado conjuntamente com outras seis pessoas, entre elas, "o chefe de disciplina penitenciária, dois guardas e dois encarregados de desporto".

O motim, o primeiro de 2016, ocorreu na segunda-feira numa cadeia próxima da Penitenciária Geral da Venezuela (a maior prisão do Estado venezuelano de Guárico), 150 quilómetros a sul da cidade de Caracas. Os presos pediam melhor alimentação e transferências para outras cadeias. No motim anterior, três pessoas morreram e outras 43 ficaram feridas, entre elas, o politólogo luso-venezuelano, na sequência de disparos de balas de borracha pela Guarda Nacional (polícia militar).

Vasco da Costa, 56 anos, foi detido a 24 de julho de 2014 e acusado de estar relacionado com uma farmacêutica suspeita de desenvolver engenhos explosivos caseiros durante violentos protestos no primeiro semestre de 2014 contra o Governo do Presidente Nicolás Maduro.

Segundo a sua irmã, foi acusado de terrorismo, associação para cometer delito com fins de terrorismo, fabrico ilegal de explosivos para fins terroristas e ocultação de munições. "Este caso é uma injustiça. Noutros casos, há ações violentas, pessoas que queimam algo, mas neste caso não há absolutamente nada, nem terroristas, nem bombas, nem podia haver associação para cometer delito sem conhecer a outra pessoa", frisou.

Vasco da Costa foi candidato nas eleições parlamentares de 6 de dezembro último, mas não foi eleito deputado. A sua candidatura teve o apoio do partido Nova Ordem Social, presidido pela luso-venezuelana e ex-candidata presidencial Venezuela Portuguesa da Silva.

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