Polícias detidos por abusos contra membros da minoria Rohingya

No vídeo que se tornou viral, visto pela agência Efe, que dura menos de dois minutos, há pontapés, bofetadas e bastonadas, e os intervenientes na operação estão conscientes da gravação

As autoridades do Myanmar (antiga Birmânia) detiveram quatro polícias relacionados com um vídeo divulgado durante o fim de semana que mostra maus tratos das forças de segurança a elementos da minoria muçulmana Rohingya, noticiaram os meios de comunicação.

O gabinete da assessora do Estado do Myanmar, cargo desempenhado pela Nobel da Paz Aung San Su Kyi, afirmou em comunicado que a investigação também abrangeu outros elementos dos corpos de segurança implicados nestas violações de direitos humanos.

Os detidos são o autor do vídeo, Zaw Myo Htike, o chefe da brigada policial fronteiriça número 2, comandante Htun Naing, e os seus subalternos Tay Zar Lin e Pyae Phyo Thwin, segundo o media birmanês Irrawaddy.

A gravação de Zaw Myo Htike com o telefone móvel regista uma fração da operação de segurança levada a cabo a 05 de novembro na aldeia Koe Tan Kaui, no estado de Rakain, no oeste da Birmânia.

A versão oficial é que a polícia recebeu a indicação de que se escondiam naquela localidade seis pessoas do grupo que matou um agente e feriu outro no ataque ao posto policial Nurula, também em Rakain.

O dispositivo composto por elementos da brigada policial fronteiriça número 2 e a brigada 36 das forças de segurança levou para as ruas os habitantes de Koe Tan Kaui, colocou-os em filas, interrogou-os, agrediu-os e humilhou-os, e depois de revistar o local, deteve três suspeitos.

Na gravação vista pela agência Efe, que dura apenas 1,47 minutos, aparecem pontapés, bofetadas e bastonadas, e os intervenientes na operação estão conscientes da gravação.

Grupos da oposição birmanesa acreditam que a atuação policial não foi para descobrir agressores, mas sim para castigar os habitantes de Koe Tan kaui por terem falado mal dos corpos de segurança durante uma investigação sobre a situação dos Rohingya.

Um porta-voz do governo, Zaw Htay, declarou à imprensa que repetiram à polícia e ao exército em numerosas ocasiões a importância de terem cuidado em cada ação que empreendem e de respeitarem os direitos humanos.

O polémico vídeo surge uns dias depois de vários prémios Nobel da Paz dirigirem uma carta à ONU para pedirem a intervenção do organismo multilateral em Rakain, em defesa dos Rohingya e evitar o que "parece ser uma limpeza étnica".

Os Nobel, entre os quais Malala Yousafzai, Desmond Tutu e José Ramos-Horta, também criticam a colega Suu Kyi, a chefe de facto do governo birmanês, por não proteger os Rohingya, nem reconhecer-lhes a nacionalidade.

As autoridades birmanesas tratam os elementos desta etnia como imigrantes bengaleses e impõem-lhes múltiplas limitações, incluindo a restrição de movimentos.

No vizinho Bangladesh, país de origem dos Rohingya, esta minoria também é tratada como estrangeira.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Saúde

Empresa de anestesista recebeu meio milhão de euros num ano

Há empresas (muitas vezes unipessoais) onde os anestesistas recebem o dobro do oferecido no Serviço Nacional de Saúde para prestarem serviços em hospitais públicos carenciados. Aquilo que a lei prevê como exceção funciona como regra em muitas unidades hospitalares. Ministério diz que médicos tarefeiros são recursos de "última instância" para "garantir a prestação de cuidados de saúde com qualidade a todos os portugueses".