Polícia islâmica detém e corta cabelo de 12 transexuais

O chefe da polícia de Aceh Norte qualificou os transexuais como "uma ameaça pior que terroristas"

A polícia indonésia deteve 12 transexuais na província de Aceh, a única onde vigora a lei islâmica ("sharia"), aos quais cortou o cabelo e obrigou a vestir roupa masculina, denunciaram hoje ativistas.

Dezenas de agentes da polícia local e islâmica efetuaram as detenções no sábado à noite em cinco salões de beleza do distrito Aceh Norte, no norte da ilha de Samatra, disse um ativista da defesa dos direitos LGBT (Lésbicas, gays, bisexuais e transexuais).

Os detidos foram libertados no domingo, acrescentou a mesma fonte, que pediu o anonimato. No mesmo contacto telefónico com a agência noticiosa espanhola EFE, a fonte acrescentou que as 12 pessoas "estão a recuperar do trauma sofrido".

O chefe da polícia de Aceh Norte, Ahmad Untung, qualificou os transexuais como "uma ameaça pior que terroristas" e disse que a polícia atuou por estarem a incomodar os residentes com um comportamento "contrário à 'sharia' e à natureza humana", de acordo com declarações prestadas ao portal Kliksatu.com.

Aceh, província que aprovou em 2002 a aplicação da lei islâmica, criminaliza as relações homossexuais e condena os infratores a castigos corporais, que podem chegar até 100 bastonadas.

Pelo menos 527 pessoas foram espancadas em Aceh desde 2016 até outubro passado, por infrações como apostar, consumo de álcool ou adultério, entre outras, de acordo com o centro de investigação indonésio Institute for Criminal Justice Reform.

No ano passado e pela primeira vez, dois homens foram condenados a serem açoitados em público por manterem relações homossexuais.

Embora Aceh seja a única província do arquipélago que aplica a "sharia", organizações não-governamentais (ONG) e ativistas denunciaram um aumento da repressão contra a comunidade LGBT na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo.

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