Polícia grega implica ONG em crime de imigração irregular

No total estiveram envolvidos 24 gregos e seis estrangeiros que fazem parte da ERCY, que gere quatro programas de apoio a refugiados

A polícia grega anunciou esta quarta-feira ter desmantelado uma "rede criminosa" de ajuda à imigração ilegal, implicando 30 elementos de uma Organização Não Governamental (ONG) ativa na ilha de Lesbos, principal porta de entrada de migrantes na Grécia.

Três suspeitos, um grego e dois estrangeiros, foram detidos, precisou a polícia em comunicado. No total, 30 pessoas estarão implicadas: seis gregos e 24 estrangeiros.

Segundo uma fonte policial, pertencem à Organização Não Governamental grega ERCY, que gere quatro programas de apoio aos refugiados na Grécia, nomeadamente de busca e salvamento no mar. A organização não reagiu no imediato.

De acordo com a polícia de Mitilene, capital da ilha de Lesbos, no leste do mar Egeu, a "rede criminosa" atua desde 2015, "facilitando a entrada ilegal de estrangeiros em território grego", em troca de dinheiro.

Uma investigação está em curso após a detenção, em fevereiro, de dois membros da ONG, acusados de "espionagem e violação de segredos de Estado" por uso ilegal de frequências de socorro no mar.

O comunicado da polícia indica ainda que a rede "ofereceu assistência direta às redes organizadas de tráfico de migrantes", informando antecipadamente a chegada de embarcações de migrantes às ilhas do leste do mar Egeu, a partir das costas turcas próximas e organizando o acolhimento.

As pessoas implicadas "não transmitiram estas informações às autoridades responsáveis pelo socorro no mar", contrariamente ao que fazem as ONG que beneficiam de autorização oficial.

Os estrangeiros detidos são Sean Binder, um irlandês, e uma refugiada síria de 23 anos, Sarah Mardini, que beneficia de uma bolsa numa universidade privada em Berlim.

A irmã de Sarah, Yusra, é conhecida por ter participado nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, na equipa de atletas refugiados.

Um ano antes, as duas irmãs usaram as suas qualidades como nadadoras para puxar o barco que as trouxe da Turquia com outras 18 pessoas.

"Elas não fizeram nada de mal, ajudaram simplesmente os outros por idealismo", declarou à AFP o treinador de Yusra, Sven Spannekrebs", acrescentando se deslocou a Lesbos há algumas semanas, onde os voluntários fazem, segundo disse, "um trabalho muito bom".

O treinador afirmou que Sean Binder e Sarah Mardini são "voluntários de longa data da ONG ERCI" e que jamais fizeram parte "de atividades ilegais", contrariamente ao que "sugerem as autoridades".

No início do ano, três espanhóis e dois dinamarqueses foram acusados de terem contribuído para a entrada ilegal de migrantes em Lesbos pela sua ação no âmbito da ONG espanhola Proem-Aid, mas foram libertados em maio, na sequência de um processo muito acompanhado pelo mundo humanitário.

Mais de 10.000 exilados continuam acampados em condições consideradas indignas pelas ONG em Lesbos, por onde transitou a maioria do êxodo do Médio Oriente para a Europa em 2015 e 2016.

As chegadas continuaram, mas de forma reduzida, devido ao pacto de migração UE -- Turquia, que prevê o reenvio dos migrantes e refugiados à Turquia e os mantém em ilhas intercaladas.

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