Trio grava suástica na barriga de uma jovem. Polícia brasileira diz que é símbolo de amor

Uma jovem de Porto Alegre foi atacada por três homens e marcada com uma suástica com um canivete. Autoridades negam que se trate de um símbolo nazi e que a comunicação social está a fazer insinuações.

Uma jovem de 19 anos, moradora em Porto Alegre, Brasil, apresentou um depoimento na Polícia por ter sido agredida por três homens e marcada com um canivete, na noite de segunda-feira. A jovem, cuja identidade não foi revelada por motivos de segurança, não avançou com uma queixa formal.

Segundo o depoimento da jovem, esta saiu do autocarro no bairro Cidade Baixa quando foi abordada de forma violenta pelos homens.

Segundo algumas fontes, a jovem vestia uma camisola com a frase "Ele não", mote do movimento contra o candidato Jair Bolsonaro. Segundo outras, a jovem tinha um autocolante com a bandeira arco-íris e a inscrição "Ele não" na mochila.

Os agressores tê-la-ão esmurrado e usado um canivete para a marcar na barriga com uma cruz suástica.

"Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade"

No entanto, o delegado Paulo César Jardim, rejeitou a ideia de que se trate do símbolo apropriado pelo regime nazi, mas de "um símbolo milenar religioso". "Eu fui olhar o desenho que fizeram na barriga dela. É um símbolo budista, de harmonia, de amor, de paz e de fraternidade", afirmou em à BBC News Brasil.

O responsável policial criticou ainda a cobertura noticiosa sobre o caso, "insinuando mil e uma situações que não é nada que tem nos autos".

Ainda à BBC, o presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul, Zalmir Chwartzman, preferiu não responder às declarações da Polícia. "A insanidade que tomou conta do país é assustadora (...) Há gente que faz loucura em nome de Deus, Alá, Moisés, Lula, Bolsonaro, mas o Brasil é maior que as pessoas e os partidos."

O candidato Fernando Haddad reagiu no Twitter. "Essa escalada de violência tem que ter fim."

Símbolo nazi em ataque racista a professora

O clima de intolerância e de tensão foi captado por uma professora de São Paulo. Os seus alunos, da escola Rui Barbosa Conselheiro, desenharam a suástica e escreveram injúrias racistas no quadro. A docente de sociologia filmou o ocorrido, no dia de 2 de outubro, tendo participado na polícia vários dias depois.

"O primeiro sentimento foi de incapacidade como educadora, Além disso, tenho já trabalho desenvolvido com a cultura africana, afro-brasileira, de rememorar a sua importância, as contribuições da população negra na nossa sociedade. Mesmo assim, esses alunos demonstraram que este trabalho feito não adiantou de nada", declarou Odara Dèlé à Globo.

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