Polícia basca impede suicídio coletivo de jovens combinado nas redes sociais

Instigador do suicídio foi detido da Argentina, mas a polícia do País Basco sabe que o responsável recrutava jovens de ambos os lados do Atlântico

Uma investigação da polícia do País Basco conseguiu impedir um suicídio coletivo de um grupo de jovens que fora combinado através das redes sociais, avança o El País. O número total de membros do grupo não foi revelado, nem as diferentes nacionalidades, ainda que o Departamento do Interior basco tenha confirmado que uma jovem é natural de Guipúzcoa, San Sebástian.

De acordo com o jornal espanhol, a investigação envolveu vários organismos internacionais de ambos os lados do Atlântico, nomeadamente a Interpol, tendo sido detido na Argentina o presumível instigador do suicídio. Trata-se de um jovem de 17 anos.

A operação da Ertzaintza, a polícia do País Basco, começou a 19 de julho, depois de os agentes terem detetado nas redes sociais o apelo a um pacto de suicídio feito a pessoas de vários países. O suicídio teria lugar no final do ano. Porém, dias depois, a polícia percebeu que a data tinha sido antecipada para 17 de agosto, aniversário da morte de uma pessoa próxima, pelo que enviaram pedidos urgentes a vários fornecedores de internet para conseguirem localizador o instigador, que seria então identificado na Argentina.

O jovem de 17 anos foi detido a 11 de agosto, seis dias antes da data prevista para o suicídio em massa. No domicílio foram encontradas várias facas e gaze impregnada de sangue, escreve o El País, estando o jovem sob tutela dos serviços de psiquiatria.

A Ertzaintza, citada pelo jornal, referiu que ainda que possam haver semelhanças neste pacto de suicídio com o jogo da Baleia Azul - cujo objetivo também é levar ao suicídio dos participantes - neste caso não havia uma evolução progressiva, em que as vítimas vão enfrentando diferentes desafios até à morte: o instigador tentava apenas conseguir o compromisso do grupo para que se consumasse o maior número de mortes.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.