Piloto do avião russo diz que Turquia lançou o míssil sem aviso

As autoridades turcas e os Estados Unidos garantem que os pilotos do caça russo foram alertados dez vezes

O piloto que estava aos comandos do avião russo atingido por um míssil turco, esta terça-feira, disse a um canal de televisão da Rússia que não houve qualquer aviso antes de o míssil ser disparado, garantindo ainda que o espaço aéreo turco não foi violado. As autoridades turcas asseguram que o piloto foi avisado dez vezes antes da intervenção dos F-16 da Turquia, que provocaram a queda do avião.

O capitão Konstantin Murakhtin falava a partir da base aérea de Hmeymim, na Síria, para onde foi levado após ter sido resgatado por uma operação de salvamento que durou 12 horas, segundo a BBC.

O piloto sobreviveu porque se ejetou do Su-24, uma aeronave de combate, antes de o aparelho ser atingido na fronteira entre a Turquia e a Síria. Até à data, não há informações confirmadas do que aconteceu com o copiloto de Murakhtin, que também se ejetou mas terá sido alvejado por rebeldes sírios enquanto se aproximava do solo de paraquedas.

A versão que as autoridades turcas têm transmitido garante que os pilotos do avião foram avisados dez vezes - antes de o míssil ser disparado .- de que estavam a violar o espaço aéreo da Turquia. A informação foi corroborada pelos Estados Unidos, que confirmaram que, ao longo de cinco minutos, os turcos tentaram contacto com a tripulação russa.

A Turquia justifica o ataque com o direito dos estados de defenderem as suas fronteiras, mas a Rússia afirma que o avião Su-24 nunca entrou no espaço aéreo turco.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, classificou o ataque ao avião como uma "facada nas costas" que terá "consequências significativas" para a relação entre os dois países. E, numa declaração provocatória, acusou ainda a Turquia de ser cúmplice do Estado Islâmico.

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