Um piano de vidro, um Óscar e celebridades: adiado julgamento do escândalo 1MDB

O julgamento do primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, pelo seu alegado papel no escândalo do 1MDB que deveria começar esta terça-feira foi adiado. Um caso que envolve também celebridades de Hollywood.

Ficou conhecido como o "maior caso de cleptocracia do mundo". O julgamento que deveria começar amanhã, terça-feira, em Kuala Lumpur foi adiado esta segunda-feira e envolve o ex-primeiro-ministro da Malásia pelo seu papel no escândalo do 1MDB. Najib Razak, que negou sempre as acusações, é o primeiro ex-governante deste país a enfrentar acusações de corrupção enquanto estava a desempenhar o cargo. Em causa estão cerca de 4 mil milhões de euros.

Mas este não é o único ponto inédito do caso. O enredo junta celebridades de Hollywood, políticos da Malásia, iates de luxo e quadros de Picasso. Um escândalo de corrupção que fez desaparecer milhares de milhões de euros em dinheiro do Estado da Malásia e que envolve Leonardo DiCaprio, Paris Hilton e Miranda Kerr, o alegado financiamento ilícito de dois filmes de Hollywood e de imóveis em Manhattan. E, pelo caminho, ainda abalou a reputação de um dos maiores bancos de investimento do mundo. A que se somam as suspeitas de que Najib e a sua mulher gastaram milhões dos cofres públicos.

Ingredientes que fazem com que este caso seja seguido com toda a atenção pelos media malaios, mas também por todo o mundo. Até porque os próprios contornos afetam o sistema financeiro mundial e 12 países, entre eles os EUA. Foi, aliás, a própria ex-procuradora geral norte-americana, Loretta Lynch (deixou o cargo em 2017) a primeira a chamar-lhe "o maior caso de cleptocracia do mundo".

O departamento de Justiça dos EUA acusou dois ex-banqueiros da Goldman Sachs de conspirar para a lavagem de milhares de milhões de euros desviados do fundo estatal da Malásia.

O escândalo começou em 2009, quando o recém-empossado Najib criou e supervisionou um fundo governamental, intitulado 1Malaysia Development Berdhad ou 1MDB, cuja a finalidade era ajudar a atrair investimentos estrangeiros para a Malásia. Em vez disso, nos cinco anos que se seguiram, milhares de milhões de euros terão sido alegadamente desviados do país ou lavados através de empresas subsidiárias.

Najib é acusado de ter ficado com um quarto dos fundos roubados, que acabaram na sua conta pessoal para financiar gastos com cartões de crédito para ele e a sua mulher, Rosmah Mansor. Ainda mais extravagante é a acusação que pesa sobre um empresário Jho Low que era consultor informal da 1MDB e terá sido o beneficiário de milhões do fundo, usando-os para comprar uma imóveis em Manhattan, joias e um piano de vidro para a modelo australiana Miranda Kerr, um quadro de Picasso e uma estatueta dos Óscares para Leonardo Di Caprio, superiates e festas luxuosas onde estavam presentes Paris Hilton, Lindsay Lohan e Jamie Foxx. E até o financiamento do filme de Hollywood "O Lobo de Wall Street".

Julgamento adiado

O julgamento foi, segundo o The Guardian, adiado depois da equipa de advogados do ex-governante ter interposto o pedido de adiamento, usando como argumento uma questão técnica, com que o tribunal concordou.

Em tribunal vão ser julgados três crimes de lavagem de dinheiro, três crimes de abuso de confiança e um de abuso de poder.

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