Estes sinais "sexistas" estão a ser criticados

Sinais insinuam que os homens e mulheres apenas pensam em uma coisa. Resposta do hotel às críticas piorou a situação

A cadeia internacional de hotéis Pentahotels está a ser acusada de sexismo após ter sido publicada uma fotografia dos sinais da casa de banho de um dos seus edifícios nas redes sociais, na semana passada.

Na imagem vê-se que o sinal que indica qual é a casa de banho dos homens e das mulheres insinua que os homens apenas pensam em futebol e as mulheres em compras. O grupo está a ser acusado através das redes sociais de perpetuar estereótipos em relação ao género, numa altura em que em alguns países são criadas casas de banho para transgéneros.

A imagem foi partilhada por Cassie Chadderton, diretora da UK Theatre, uma organização de teatro e arte performativas, com a legenda "será que vocês sabem que estamos no séc. XXI?"

A resposta do Pentahotels, que está presente em mais de sete países, à publicação parece ter piorado a situação. "Sim, nós sabemos, Os homens também fazem muitas compras, só que apenas de equipamento de futebol", escreveu o grupo no Twitter.

A troca de comentários gerou uma discussão pelas redes sociais, em que vários utilizadores criticaram e apoiaram a marca. Alguns utilizadores pediram que o Pentahotels retire imediatamente aqueles sinais e outros aproveitaram para ridicularizar a situação.

"Odeio compras e futebol. Onde posso mijar?", perguntou um utilizador.

Após a controvérsia, o Pentahotels fez outra publicação no Twitter em que se declarava como "uma família moderna e com uma mente aberta que acredita na igualdade". Esta mensagem foi depois repetida por um porta-voz da cadeia de hotéis que afirmou ao Huffington Post que os sinais eram apenas para serem engraçados.

"Nós, a família do Pentahotels, não acreditamos que as mulheres possam ser reduzidas a apenas estarem interessadas em compras e que os homens possam ser reduzidos a estarem interessados só em futebol", continuou o porta-voz.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.