Ataque mata pelo menos 30 crianças

Pelo menos 36 pessoas morreram num ataque das forças aéreas afegãs na província de Kunduz, anunciou esta segunda-feira a missão da ONU no Afeganistão

Pelo menos 36 pessoas, 30 das quais crianças, morreram no dia 2 de abril num bombardeamento das forças aéreas afegãs na província de Kunduz (norte), segundo um relatório hoje divulgado pela missão da ONU no Afeganistão (Unama).

O relatório, segundo o qual outras 71 pessoas ficaram feridas no ataque, diz que a 2 de abril helicópteros da aviação afegã lançaram uma operação aérea contra a localidade de Laghmani, no distrito de Dasht-e-Archi, em que usaram mísseis e metralhadoras pesadas durante uma cerimónia religiosa junto a uma madraça ou escola corânica.

A missão da ONU afirma que recebeu "informação credível" de que o bombardeamento fez pelo menos 122 vítimas (38 mortos e 84 feridos), provocando a morte de 30 crianças

"A 7 de maio, a Unama registou 107 vítimas (36 mortos e 71 feridos) (...) das quais 81 eram crianças (30 mortos e 51 feridos)", disse a ONU no relatório, que tem por base 90 entrevistas a vítimas, testemunhas, funcionários e pessoal médico, e uma missão de reconhecimento do local, entre outras fontes.

A missão da ONU afirma, no entanto, que recebeu "informação credível" de que o bombardeamento fez pelo menos 122 vítimas (38 mortos e 84 feridos), provocando a morte de 30 crianças e ferindo outras 57.

"A Unama adverte que as cifras apresentadas neste relatório podem não ser exaustivas devido às exigentes referências de verificação e às dificuldades para conseguir a informação", acrescenta o relatório.

O Governo afegão anunciou a 2 de abril a morte de 45 rebeldes num bombardeamento contra uma reunião de rebeldes em Dasht-e-Archi.

Segundo a ONU, 3.438 civis morreram e 7.015 ficaram feridos no Afeganistão no ano passado, em resultado do conflito

No entanto, denúncias de que o bombardeamento teria sido contra uma madraça e notícias de crianças atendidas nos hospitais da capital provincial, Kunduz, levaram a Unama e o Governo afegão a abrirem investigações.

Mais tarde, o Governo reconheceu um número indeterminado de baixas civis, mas disse terem sido vítimas de disparos dos rebeldes e não de fogo dos helicópteros militares.

Segundo a Unama, 3.438 civis morreram e 7.015 ficaram feridos no Afeganistão no ano passado, em resultado do conflito, números ligeiramente inferiores às 11.434 vítimas de 2016 (3.510 mortos e 7.924 feridos).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Os irados e o PAN

A TVI fez uma reportagem sobre um grupo de nome IRA, Intervenção e Resgate Animal. Retirados alguns erros na peça, como, por exemplo, tomar por sério um vídeo claramente satírico, mostra-se que estamos perante uma organização de justiceiros. Basta, aliás, ir à página deste grupo - que tem 136 000 seguidores - no Facebook para ter a confirmação inequívoca de que é um grupo de gente que despreza a lei e as instituições democráticas e que decidiu fazer aquilo que acha que é justiça pelas suas próprias mãos.

Premium

Margarida Balseiro Lopes

Falta (transparência) de financiamento na ciência

No início de 2018 foi apresentado em Portugal um relatório da OCDE sobre Ensino Superior e a Ciência. No diagnóstico feito à situação portuguesa conclui-se que é imperativa a necessidade de reformar e reorganizar a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), de aumentar a sua capacidade de gestão estratégica e de afastar o risco de captura de financiamento por áreas ou grupos. Quase um ano depois, relativamente a estas medidas que se impunham, o governo nada fez.