Paulo VI visitou Fátima, não falou das Aparições mas apresentou Lúcia à multidão

Primeiro Papa a visitar Portugal é hoje canonizado por decisão de Francisco. Também será feito santo o arcebispo Oscar Romero, assassinado em 1980 em El Salvador pela ditadura de direita.

Papa entre 1963 e 1978, Paulo VI foi o primeiro chefe da Igreja Católica a visitar Portugal, em maio de 1967. Esteve em Fátima para o cinquentenário das Aparições (tal como Francisco veio participar no centenário, em 2017), mas não falou delas, apresentando, porém, a única dos três pastorinhos ainda viva, Lúcia, à multidão. Por causa de uma visita à Índia, que entretanto tinha invadido e anexado Goa, a relação do Papa com o regime de Oliveira Salazar não era a melhor e a viagem foi curta, embora de grande impacto junto de uma população católica ainda muito praticante nessa época.

Na sua edição de 14 de maio de 1967, o DN publicou várias fotografias da visita papal, como a chegada de Paulo VI num lindíssimo automóvel clássico, a multidão a encher o santuário da Cova de Iria e ainda o Sumo Pontífice com a irmã Lúcia ao seu lado (ela tinha então 60 anos e morreria em 2005, já depois de conhecer também João Paulo II, devoto de Fátima, a cuja Nossa Senhora atribuía ter sobrevivido a um atentado em Roma num 13 de maio). Não só toda a primeira página do nosso jornal era dedicada à presença papal em Fátima como cabeçalho foi posto abaixo da fotografia.

Hoje, Paulo VI é feito santo, tal como o arcebispo Oscar Romero, salvadorenho defensor da Teologia da Libertação, assassinado pela ditadura militar em 1980.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.