Paulo Rangel defende União Europeia da defesa

Eurodeputado está em Lisboa para apresentar estratégia do PPE para a Europa do futuro.

O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel defende "reforço" da política de segurança comum na União Europeia. Numa altura em que se inicia o debate sobre a Europa do futuro, Rangel está em Lisboa para apresentar a estratégia do Partido Popular Europeu, na Assembleia da República, propondo a criação de "uma verdadeira União Europeia da defesa".

O português que é o autor do documento de estratégia do PPE entende que há vários fatores que sustentam a proposta de um reforço da segurança e defesa na UE, nomeadamente "a ameaça russa, a indefinição da Turquia, a eleição de Trump e as reservas que colocou em relação à NATO". Mas, o social-democrata considera ainda "a saída do Reino Unido", como determinante para que "haja um consenso muito grande para se avançar", com o reforço da defesa.

Em concreto, Rangel defende que esse reforço pode passar pela "coordenação das políticas de defesa, pelo aumento do orçamento na defesa e a criação de batalhões operacionais comuns" à UE e à NATO e "ao serviço da ONU". O eurodeputado nota que, a nível europeu, a defesa tornou-se "mais consensual do que a política de migrações e até do que a política económica e monetária".

Em conversa com o DN, Rangel defendeu que a Europa do futuro deve contar "com moeda forte e completa", já que, se assim não for, a "Europa terá enfraquecido". O social-democrata identificou "o simples facto de não se acabar a união bancária como um revés grande neste caminho".

"A força da Europa depende, neste momento, da União Económica e Monetária, que precisa de ser completada. E, isso deve ser feito com todos os países que estão dentro dela", afirmou, distanciando-se dos que defendem que insistem que a Grécia deve sair da zona euro.

Já relativamente à saída do Reino Unido da UE, que deverá ser desencadeada muito em breve pelo governo britânico, Paulo Rangel acredita que "é perfeitamente possível que a Europa saia mais forte desta crise".

"Uma das coisas que se verificou quando Teresa May deu sinais muito claros de que quer um hard brexit foi a criação de um adversário externo, que fez com que no fundo as hostes se unissem", resultando em "princípios de acordo e de consenso muito claros, que já não se viam há muito tempo", nota Rangel, considerando ainda que "a eleição de Donald Trump", teve um efeito semelhante na Europa.

Por outro lado, admite que não se pode pensar como a Europa "poderá ou não unir-se" em torno da nova vida que vai ter sem o Reino Unido "sem deixar passar o ciclo eleitoral deste ano, nomeadamente, na Holanda, em França, Itália e Alemanha", tendo em mente o recrudescimento do populismo em alguns Estados-membros.

"Inicialmente, talvez a Holanda fosse o caso mais problemático. Mas, neste momento com a escolha de um candidato socialista muito à esquerda e, especialmente com o escândalo [de François] Fillon, a França é especialmente a grande incógnita", afirmou, defendendo que a Europa "deve lidar com essa tendência [populismo] assumindo o europeísmo".

Sobre o futuro das instituições, que neste momento são presididas por membros do Partido Popular Europeu, Rangel admitiu que, em relação ao Conselho, "é natural que venha a ser presidido por um líder de outra orientação política". Mas, nunca por François Hollande, como já chegou a falar-se, já que "seria catastrófico" e, nesse caso, "seria preferível manter as três presidências do PPE".

"Hollande representa o fracasso de um projeto socialista. Mesmo para os socialistas não seria uma coisa positiva, porque está associado a esse fracasso e, porque deu sinais de não ter nenhuma capacidade de reforma da França e de reforço deposição Francesa, que também era importante para o equilíbrio interno na União Europeia. Seria um sinal de fraqueza e fragilidade da Europa se Hollande viesse a ser presidente do Conselho", considerou.

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