Partidos veem Rei Felipe VI "recetivo mas preocupado"

Monarca receberá amanhã os líderes do PP, do PSOE, do Podemos e do Ciudadanos para nomear um candidato à investidura

Recetivo mas mais preocupado do que das outras vezes. Assim estava ontem o rei Felipe VI, segundo os dirigentes dos primeiros partidos a serem recebidos pelo monarca no quadro das consultas destinadas a dar um novo governo a Espanha. Isto depois de as eleições de 26 de junho não terem dado maioria absoluta a nenhum partido ou combinação de partidos, tal como as de 20 de dezembro.

Segundo o deputado Pedro Quevedo, do Nova Canárias, o rei estava "mais sério do que da última vez e muito preocupado". O deputado explicou que Felipe VI lhe transmitiu a ideia de "explorar todas as possibilidades", embora corresponda a Mariano Rajoy - líder do partido mais votado - a responsabilidade de tomar a iniciativa. "Seria dramático se Rajoy não assumisse a responsabilidade. Não quero contemplar esse cenário", declarou Quevedo, rejeitando qualquer tentativa de "instrumentalizar a figura do chefe do Estado". O responsável considera que "não se pode atribuir ao chefe do Estado o que, por incapacidade, não fazem os partidos". Quevedo esclareceu que apoia o líder dos socialistas Pedro Sánchez.

Recorde-se que, da outra vez, Rajoy recusou o convite do rei para se apresentar ao debate de investidura por não ter apoios suficientes para ser aprovado. Seguiu-se o líder do PSOE, Pedro Sánchez, que aceitou o convite do monarca, mas também não conseguiu reunir votos suficientes para chegar a primeiro-ministro de Espanha. Desta vez todos disseram querer trabalhar para formar um executivo e evitar umas terceiras eleições, até numa altura em que Espanha se prepara para sofrer sanções por parte da Comissão Europeia por incumprimento das metas do défice exigidas na zona euro.

Além do deputado do partido Nova Canárias, Felipe VI recebeu ontem também responsáveis do Foro Astúrias, a União do Povo Navarro e a Esquerda Unida. Esta fez-se representar pelo seu coordenador, Alberto Garzón, que nas legislativas de junho concorreu coligado com o Podemos, partido de Pablo Iglesias. O resultado não foi tão bom como o esperado. Ouvido pelos jornalistas, Garzón disse ter dito ao rei que a sua impressão é que em Espanha se está a viver "um jogo de póquer". Os líderes dos maiores partidos políticos, Rajoy do PP, Sánchez do PSOE, Iglesias do Podemos e Albert Rivera do Ciudadanos serão recebidos por Felipe VI amanhã.

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