Parlamento catalão aprova resolução que pede fim da monarquia

Primeiro-ministro espanhol já anunciou medidas legais contra a resolução aprovada na Catalunha.

O governo espanhol anunciou que vai empreender "medidas legais" contra o Parlamento catalão por considerar "inadmissível" a resolução aprovada pelos deputados a condenar o posicionamento do rei Felipe VI em relação à Catalunha e defender a abolição da monarquia, considerada "uma instituição caduca e antidemocrática".

A resolução foi apresentada pelo grupo parlamentar do En Comú Podem, os aliados catalães do Podemos de Pablo Iglesias (que acaba de assinar um acordo para permitir a aprovação do orçamento de Estado espanhol). Foi aprovada na quinta-feira à tarde com os votos favoráveis dos independentistas do Junts per Catalunya e Esquerda Republicana da Catalunha, a abstenção da Candidatura de Unidade Popular e o voto contra do Ciudadanos, socialistas catalães e Partido Popular.

"O Parlamento catalão rejeita e condena o posicionamento do rei Felipe VI e a sua intervenção no conflito catalão, assim como a justificação da violência da parte da polícia a 1 de outubro", isto é, no dia do referendo independentista, dizia a proposta de resolução aprovada na quinta-feira.

E acrescentava: "O Parlamento catalão reafirma o seu compromisso com os valores republicanos e aposta na abolição de uma instituição caduca e antidemocrática como a democracia".

A 3 de outubro, Felipe VI fez uma intervenção televisiva na qual acusou as autoridades catalãs de "conduta irresponsável" e considerou que os "legítimos poderes do Estado" deviam assegurar "a ordem constitucional".

Resposta rápida

"Esta resolução, politicamente inaceitável para o executivo espanhol, é produto da deriva dos grupos independentistas que, inexplicavelmente, contaram com o apoio de outro grupo parlamentar, na sua irresponsabilidade de utilizar as instituições catalãs para incentivar o conflito e não para servir os interesses gerais de todos os catalães", indicou o governo de Pedro Sánchez num comunicado.

No Twitter, o primeiro-ministro já dissera que iria adotar "as medidas legais ao seu alcance em defesa da legalidade, a Constituição e as instituições do Estado".

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