Paris. Marie Laguerre cria plataforma para testemunhos de assédio

A jovem agredida com um cinzeiro e uma bofetada numa rua de Paris no dia 24 de julho aproveitou a visibilidade mediática para lançar uma plataforma de denúncias de violência de género.

Tal como não assumiu uma atitude de vítima quando foi agredida, enfrentando o homem que a tinha abordado, Marie Laguerre, estudante de 22 anos, não quer desperdiçar a enorme onda de solidariedade que a envolveu.

Assim, criou a plataforma #NousToutesHarcèlement onde é possível deixar, anonimamente ou não, relatos de situações de violência quer na rua, no trabalho ou na esfera privada. Prepara um site na internet no qual poderão ser partilhados estes testemunhos.

"Naquela semana, naquele dia já não era a primeira cena do género, é uma realidade quotidiana que se vai acumulando e provoca raiva", conta ela num vídeo feito pelo jornal Le Monde .

"Postar o meu vídeo - explicou - foi uma maneira de expressar a raiva que sentia, mas não esperava que tivesse tanto impacto, foi inimaginável. Ninguém está preparado para uma coisa assim. Recebi mensagens do Brasil, dos Estados Unidos, do Canadá, da Espanha, de Portugal, do Japão, da Rússia, do Congo, da Nigéria. Há uma tomada de consciência que está a acontecer e que é urgente."

O inquérito do tribunal de Paris, desencadeado pela queixa que Marie apresentou na polícia, está em andamento.

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