Paris, Londres, Berlim e UE "lamentam vivamente" sanções dos EUA ao Irão

Comunicado conjunto assinado pela chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros alemão, francês e britânico

A Alemanha, a França, o Reino Unido e a União Europeia (UE), através de um comunicado conjunto, lamentaram esta sexta-feira "vivamente" a reimposição pelos Estados Unidos de sanções ao Irão.

"Temos como objetivo proteger os atores económicos europeus que estão envolvidos em trocas comerciais legítimas com o Irão", acrescenta o comunicado, assinado pela chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Mass, francês, Jean-Yves Le Drian, e britânico, Jeremy Hunt.

O Plano de Ação Global Comum (JCPOA, na sigla em inglês) - nome dado ao acordo assinado em 2015 com o Irão sobre o seu programa nuclear - "constitui um elemento fundamental da arquitetura mundial de não-proliferação nuclear e da diplomacia multilateral (...) Ele é essencial para a segurança da Europa, da região e do mundo inteiro", lê-se no texto.

"Na nossa qualidade de signatários do JCPOA, nós comprometemo-nos a trabalhar, nomeadamente para preservar e manter circuitos financeiros operacionais com o Irão e garantir a continuação das exportações de petróleo e de gás iranianos. Sobre estas questões como sobre outras, o nosso trabalho prossegue [e] os esforços intensificaram-se durante as últimas semanas", referem.

Seis meses depois de se terem retirado do acordo sobre o nuclear iraniano, os Estados Unidos confirmaram esta sexta-feira que vão voltar a impor na segunda-feira a Teerão sanções mais duras, visando o petróleo e os bancos, mas persistem as dúvidas quanto a esta controversa campanha de "pressão máxima".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?