"Paradise Papers". Isabel II e administração Trump apanhados por escândalo de offshores

Novo trabalho do Consórcio de Jornalistas de Investigação revela ligações da campanha de Trump à Rússia, investimentos secretos de Isabel II e casos de evasão fiscal de multinacionais como a Apple.

Milhões de libras das contas pessoais de Isabel II foram investidos num fundo das ilhas Caimão e transacionadas através de uma empresa acusada de explorar pessoas em dificuldades económicas; muitos elementos próximos de Donald Trump estão ou estiveram envolvidos em investimentos em operações financeiras em offshores e uma empresa russa pagou, através destas operações, importantes verbas a um grupo económico dirigido pelo atual secretário do Comércio, Wilbur Ross; um colaborador próximo do primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau movimentou enormes somas de dinheiro para paraísos fiscais; e empresas como a Nike ou a Apple recorreram a todos os meios possíveis para fugirem aos impostos.

Estas são algumas das conclusões da mais recente investigação do Consórcio de Jornalistas de Investigação (CJI), designada Paradise Papers, que está a ser divulgado neste domingo.

As revelações mostram que centenas de pessoas, entre políticos, empresários e artistas, além de numerosas empresas recorreram a uma complexa teia de empresas fantasmas e operações em offshores para se protegerem das suas obrigações fiscais ou ocultarem património. Todavia, a grande maioria destas actividades não encerra em si nenhum elemento ilegal.

A situação de Isabel II é um destes casos, em que nem sequer está envolvida em evasão fiscal, mas é a situação de investir em offshores que está a ser criticada e o facto destes se terem realizado através de duas empresas, a Brightl-House, acusado de explorar pessoas pobres, cobrando taxas de juro usuárias, e da Threshers, que veio a falir, levando ao desemprego quase seis mil pessoas e tendo dívidas ao fisco na ordem dos 17,5 milhões de libras, refere a BBC, um dos órgãos de comunicação social que integra o consórcio.

Mais complexa é a situação de Wilbur Ross, que é um dos proprietários de uma empresa de navegação, que tem como um dos seus principais clientes uma petroquímica russa. Alguns dos sócios da empresa russa são alvo de sanções pelos Estados Unidos.

A maior parte da informação foi obtida numa firma de advogados, a Appleby, com escritórios nas Bermudas, Ilhas Caimão, a ilha de Man e outros paraísos fiscais, que investigou os casos e numa resposta a perguntas do CJI, refere estar "convencida da inexistência de qualquer infração legal, quer da nossa parte quer dos nossos clientes".

A Appleby afirma ainda que as alegações do CJI resultam da "incompreensão da estrutura legal em que se baseia o negócio das offshores".

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