Paquistão acusa Índia de violar cessar-fogo mais de 110 vezes este ano

Incidentes terão matado três civis

O Paquistão acusou hoje a Índia de violar o cessar-fogo na fronteira comum mais de 110 vezes, este ano, em incidentes em que morreram três civis, dois deles nas últimas horas.

"Em 2018, as forças indianas cometeram mais de 110 violações do cessar-fogo na Linha de Controlo [fronteira em Caxemira] e na fronteira internacional, resultando em três civis mortos e 10 feridos", disse o Ministério de Negócios Estrangeiros paquistanês, em comunicado.

"O ataque deliberado contra áreas habitadas por civis é deplorável e contrário à dignidade humana e às leis internacionais de direitos humanos", assinalou o Governo paquistanês, que acrescentou que estes atos são uma ameaça para a paz e a segurança regional.

O ministério afirmou que as forças de segurança indianas começaram, na noite passada, a atacar com disparos e morteiros, de forma indiscriminada e sem provocações, a zona de Sialkot, provocando a morte de duas pessoas e ferindo outras cinco.

Há três dias, o Exército paquistanês acusou a Índia de matar quatro soldados na Linha de Controlo, onde também perderam a vida três soldados indianos, na resposta do Paquistão.

Segundo Islamabad, a Índia violou o cessar-fogo mais de 1.900 vezes no ano passado, causando a morte de 52 civis, o número mais elevado desde o acordo de 2004 para pôr fim à troca de disparos em zonas de fronteira.

Por sua parte, em outubro a Índia acusou o Paquistão de violar a trégua em 503 ocasiões, desde o início de 2017.

Os dois países disputam a região de Caxemira desde a divisão do subcontinente com a retirada do Império britânico, em 1947, envolvendo-se em duas guerras e numerosos conflitos menores.