Owen Smith também usaria armas nucleares

No Reino Unido, para o adversário do atual líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn é bom no diagnóstico e mau nas soluções. Fechadas as candidaturas, a corrida será a dois

"Eu sou tão radical como o Jeremy, mas mais competente", garante Owen Smith, ex-ministro sombra do Trabalho e Pensões. O candidato à liderança do Partido Trabalhista, que pretende destronar Corbyn da chefia do Labour, desdobrou-se ontem em entrevistas numa tentativa de explicar as razões que o tornam mais apto para o lugar.

Numa das conversas com os jornalistas, Smith confessou que uma das piores coisas que lhe aconteceu recentemente passou-se no dia do jogo entre o País de Gales e a Bélgica, a contar para o campeonato da Europa de futebol. No bar que escolheu para ver o desafio deu de caras com um amigo de infância que lhe disse que não entendia o que o levava a querer liderar os trabalhistas. Smith conta que isso o fez ficar "alarmado" por perceber a fraca reputação de que o partido goza atualmente.

Tal como Theresa May, numa das entrevistas, Owen Smith também sublinhou que, em caso de necessidade, estaria disposto a autorizar um ataque nuclear: "Infelizmente a resposta a essa pergunta é sim. Se levarmos a sério a defesa e a dissuasão temos de estar preparados para agir dessa forma".

Sobre o seu adversário e companheiro de partido, Smith enfatizou que Corbyn tem sido excelente a fazer diagnósticos, mas que lhe falta eficácia no tratamento. "É por isso que as pessoas perderam a fé no Jeremy. Ele é muito bom a identificar os problemas e os desafios, mas não é bom a dar respostas", sintetizou.

Se vencer a corrida, Smith prometeu chutar David Corbyn para cima: "Ele ainda tem muito a dizer ao partido, mas não penso que seja um líder. Gostava que passasse a ser uma espécie de presidente, como já tivemos no passado. Tem uma forma de comunicar que os militantes acham muito apelativa".

Esse é, aliás, o grande obstáculo que Owen Smith terá que ultrapassar. Apesar de os deputados, na sua grande maioria, quererem que Corbyn saia de cena, entre as bases e o atual líder o clima ainda é de lua de mel. Jeremy Corbyn, assim o indicam as sondagens e as casas de apostas, é o grande favorito à vitória.

Um estudo da YouGov realizado entre os dias 15 e 18 de julho dá-lhe 22 pontos de vantagem sobre Owen Smith - 56% contra 34%. E, apesar de o dia de ontem não lhe ter corrido bem, tendo saído claramente derrotado do primeiro debate parlamentar com Theresa May (ver texto ao lado), as casas de apostas continuavam a atribuir-lhe um nítido favoritismo.

Depois de as candidaturas terem encerrado ontem, confirma-se que Smith e Corbyn são os dois únicos candidatos à liderança do Labour. Angela Eagle, que chegou a apresentar a sua candidatura, abdicou em favor de Smith e ambos prometem trabalhar lado a lado para destronar o atual líder.

O desfecho do braço de ferro será conhecido a 24 de setembro. Durante esta semana - e ainda sem contar com o dia de ontem -, houve 55 mil militantes, inscritos no partido há menos de seis meses, que pagaram 25 libras (30 euros) para poderem votar na eleição do novo líder. Segundo a imprensa britânica, a maioria dos recém-chegados é apoiante de Jeremy Corbyn.

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