Orbán. Migrantes? "Não os deixem entrar e os que estão mandem-nos para casa"

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán chegou hoje com uma posição bastante vincada, relativamente às migrações, no dia em que o assunto está em debate na cimeira de Salzburgo

Questionado à entrada para a cimeira sobre as soluções que preconiza em matéria de migrações, o controverso chefe de governo húngaro foi perentório, respondendo que "a solução é simples, nãos deixem entrar. E, esses que já cá estão [na Europa], mandem-nos de volta para casa".

A posição de Viktor Orbán contraria todas as que têm sido defendidas pelas instituições europeias e pela generalidade dos governos, com algumas exceções no leste europeu e, mais recentemente, em alguns países do Mediterrâneo, nomeadamente, Itália e Malta.

O próprio presidente do Parlamento Europeu, António Tajani, que partilha com Orbán a família política europeia, questionado pelo DN considerou que há outras soluções, que até envolvem a participação "muito importante" de Portugal.

"Precisamos de decidir sobre a reforma [das convenções] de Dublin. É possível fazê-lo com uma maioria qualificada, precisamos de decidir um plano Marshal para África", afirmou Tajani, tendo também vincado que a União Europeia tem de investir "mais dinheiro" no continente africano.

"Precisamos de investir mais dinheiro. Na minha opinião seriam cerca de 40 ou 50 mil milhões. A China decidiu, há duas semanas, investir 60 mil milhões. Creio que é uma mensagem clara, se quisermos reduzir as migrações, veremos no próximo ano", disse

Tajani em Lisboa com África na agenda

Na quinta e sexta-feira, da próxima semana, Tajani estará em Lisboa, querendo "colocar na agenda desta visita a estratégia europeia em África".

"A posição de Portugal é crucial, pois Portugal conhece bastante bem aquele continente - em Angola e Moçambique - são importantes amigos de Portugal", questionado pelo DN, à margem da cimeira de Salzburgo, adiantando que tem está à espera que haja avanços no dossiê das migrações, e conta com Portugal.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk tinha declarando "abertamente" que "a missão de por fim à crise migratória é uma tarefa comum de todos os Estados-Membros e instituições da UE", criticando os que "se servem [politicamente]" da crise migratória e contribuem para que ela "permaneça irresolúvel".

"Espero que em Salzburgo possamos acabar com o ressentimento mútuo e voltar a uma abordagem construtiva", declarou o presidente do Conselho Europeu.

A posição antagónica de Costa

António Costa também mostrou uma posição antagónica relativamente àquelas que têm sido defendidas pelos governos de países como a Polónia, Republica Checa, Eslováquia ou a Hungria, com os quais partilha ainda assim as opiniões em matéria de política de coesão.

"Só em conjunto nós podemos ter um programa de desenvolvimento do continente africano, só em conjunto nós podemos ter uma boa proteção da nossa fronteira externa, só em conjunto nós podemos cumprir a nossa responsabilidade de acolher quem tem direito à proteção internacional, só em conjunto nós podemos repartir, de forma solidária, o dever de acolhimento de quem busca na Europa a salvação das suas vidas e a oportunidade para reconstruir a sua vida", defendeu António Costa.

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