Orbán ameaça sair do PPE para integrar outro grupo no Parlamento Europeu

Primeiro-ministro húngaro e líder do partido Fidesz não aceita, por exemplo, que o Partido Popular Europeu faça quaisquer tipo de acordos com partidos que são favoráveis à imigração na UE

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, voltou a ameaçar esta sexta-feira retirar o seu partido, o Fidesz, do Partido Popular Europeu (PPE) para o integrar outro grupo político no novo Parlamento Europeu (2019-2024).

"Nós somos membros do PPE, neste momento, vamos ver em que direção vai ir o PPE... para perceber se conseguimos influenciá-lo e se está alinhado com os interesses da Hungria e do povo da Hungria. Se sim, ficaremos, se não, vamos sentar-nos juntamente com a nova formação", declarou Orbán, citado pela rádio estatal.

Orbán e o Fidesz têm sido cortejados pelo vice-primeiro-ministro italiano e líder do partido Liga, Matteo Salvini, no sentido de integrar um novo supergrupo político no novo hemiciclo. Além da Liga, integrariam este grupo partidos eurocéticos, nacionalistas, populistas e extremistas de direita, como a União Nacional de Marine Le Pen, a Alternativa para a Alemanha ou até mesmo o Partido do Brexit de Nigel Farage.

Na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, disse que a linha vermelha do Fidesz em relação ao PPE é se o grupo político conservador fizer alianças com partidos pró-imigração. "Esperamos que o PPE volte a ser o que era quando nos juntámos a ele... se o PPE fizer alguma aliança com partido pró-imigração isso é definitivamente uma linha vermelha para nós", declarou, citado pela Reuters. O governo húngaro ergueu uma vedação ao longo de cerca de 600 Km da sua fronteira para impedir a entrada de migrantes e de refugiados no território da Hungria.

Apesar destas ameaças, na véspera o chefe de gabinete de Orbán, Gergely Gulyas, afirmara em conferência de imprensa que o Fidesz, atualmente suspenso do PPE por causa dos ataques de Orbán ao Estado de direito e à UE, não iria juntar-se ao grupo de Salvini.

"Respeitamos o vice-primeiro-ministro italiano, o governo italiano e o resultado, o qual tornou a Liga o partido mais forte de Itália depois das eleições para o Parlamento Europeu. Apesar disso, não vemos muitas hipóteses de colaboração a nível partidário num grupo parlamentar conjunto", declarou na quinta-feira, citado pela Reuters.

Também Nigel Farage parece pouco interessado em entrar no supergrupo político de Salvini. "Só por causa de eu ter sido visto a tomar café com um dos próximos de Salvini não quer dizer que eu me má juntar a eles", declarou o brexiteer radical, citado pelo jornal britânico Telegraph. Farage e outros 72 eurodeputados do Reino Unido foram eleitos nas europeias do final de maio porque o Brexit ainda não aconteceu.

A disputa entre o PPE e o líder da Liga pelo Fidesz de Orbán será personificada numa luta entre Salvini e Silvio Berlusconi, seu aliado nas legislativas de 2018 que, depois de conhecer os resultados eleitorais, trocou por Luigi di Maio e o seu 5 Estrelas para governar.

Quando aceitou ser cabeça de lista do Força Itália, Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano, de 82 anos, admitiu como objetivo, desde logo, utravar a deriva de Salvini a partir de Bruxelas e Estrasburgo. E já começou a mostrar como. Enquanto o líder do partido de extrema-direita Liga e ministro do Interior italiano quer trazer o Fidez de Orbán para o seu novo supergrupo político no PE, Il Cavaliere garante que pode convencer o primeiro-ministro húngaro a não sair do PPE.

"Tenho certeza que consigo convencer Orbán a permanecer no PPE e outros do PPE a aceitar a permanência do seu partido", disse Berlusconi citado pelo La Stampa. A favor do ex-governante italiano de direita, apelidado de o pai do novo populismo europeu, o seguinte argumento: para quê ficar com a imitação se pode ter o original? Há mesmo quem chame a esta missão de Il Cavaliere "a última bunga bunga de Berlusconi" - numa referência às festas de cariz sexual com jovens que o primeiro-ministro oferecia na sua mansão de Arcore na zona de Milão.

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