Opositor russo detido por prometer "anúncios interessantes"

Porta-voz refere que detenção estará relacionada com a participação num protesto anti-governamental no início do ano, mas apoiantes acreditam que objetivo é também travar novas manifestações previstas para dia 9 de setembro.

Alexei Navalny, considerado o principal opositor ao presidente russo, Vladimir Putin, foi detido hoje à porta de casa por causa da sua participação num protesto anti-governamental no início do ano, segundo indicou a porta-voz Kira Yarmysh, no Twitter. Durante a detenção, os agentes ter-lhe-ão partido o dedo mindinho.

"Navalny foi detido há duas horas frente à sua casa. Está neste momento na esquadra de polícia de Danilovsky [em Moscovo]. Não disseram porque foi detido. Apreenderam-lhe o telefone", escreveu no Twitter ao princípio da tarde.

Mas, após algumas horas na esquadra, Yarmysh disse que Navalny tinha sido detido por causa de uma curta presença num comício em Moscovo, em janeiro, no qual se apelou ao boicote das eleições presidenciais de março, que ele alegou seriam manipuladas. Na altura não houve qualquer processo, estando agora previsto que seja presente a tribunal na segunda.

Segundo a porta-voz, Navalny terá sido brevemente hospitalizado após a detenção, à porta de casa, quando se preparava para deixar Moscovo e visitar a família. Isto porque lhe terão alegadamente partido o dedo mínimo da mão.

Os apoiantes acreditam que a detenção "está provavelmente relacionada" com a intenção de Navalny de organizar manifestações por todo o país a 9 de setembro contra um impopular projeto de reforma do sistema de pensões que prevê o aumento da idade de aposentação.

Horas antes de ser detido, Navalny escreveu no Twitter que ia fazer "anúncios interessantes" num vídeo em direto nas redes sociais às 13:00, sensivelmente a hora a que foi detido.

Navalny, 42 anos, multiplicou nos últimos meses as manifestações de protesto, depois de ter sido impedido de se candidatar às presidenciais de 18 de março passado.

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