Opioides mortais e cocaína a crescer preocupam Nações Unidas

Cerca de 35 milhões de pessoas com problemas de abuso de droga precisam de tratamento.

Os medicamentos opioides, que matam mais do que qualquer outra droga, e a cocaína, cuja produção atinge recordes, são as situações mais preocupantes no mundo das drogas, alertou esta terça-feira as Nações Unidas.

No relatório anual sobre drogas da agência para as drogas e criminalidade, aponta-se que os opioides são responsáveis por 76% das mortes em que estiveram ligadas a drogas, com medicamentos como o Fentanyl e Tramadol, "vitais no tratamento da dor" a serem fabricados e usados ilegalmente.

Em 2016, foram apreendidas 87 toneladas de opioides em todo o mundo e praticamente a mesma quantidade de heroína. A produção de ópio aumentou 65% de 2016 para 2017, atingindo-se uma estimativa de 10.500 toneladas, a mais alta de sempre desde que começou a ser medida, no início do século XXI.

Só no Afeganistão, a produção de papoila de ópio cresceu para 9.000 toneladas em 2017, um aumento de 87% em relação ao ano anterior

Na América do Norte, o Fentanyl é usado como base para misturar com heroína ou outras drogas.

Em África, o medicamento Tramadol é contrabandeado para vários países e daí chega ao Médio Oriente e ao norte do continente. Como não se trata de uma substância controlada internacionalmente, os consumidores encaram-na como uma espécie de impulso de energia, apesar de a droga levar a uma dependência física.

"Os mercados da droga estão em expansão, com a produção de cocaína e heroína a atingirem recordes e apresentando múltiplos desafios", afirmou o diretor executivo da agência, Yury Fedotov.

No que toca a cocaína, a produção em 2016 estimou-se em 1.410 toneladas, um aumento de 25% em relação a 2015 e uma inversão da tendência de queda registada entre 2005 e 2013.

No relatório aponta-se a canábis como a droga mais consumida em 2016, contando-se 192 milhões de pessoas que a consumiram pelo menos uma vez, um aumento de 16% em relação ao que se passava nos dez anos anteriores

Destes consumidores, 13,8 milhões tinham entre 15 e 16 anos, indica a ONU, que salienta a vulnerabilidade desta faixa etária aos efeitos das drogas e à escalada de consumo.

Em todo o mundo, 275 milhões de pessoas consumiram drogas em 2016, um número que se mantém estável através dos anos e que abrange cerca de 5,6% da população global com idades entre os 15 e os 64 anos.

Entre estes utilizadores, há 35 milhões de pessoas com problemas de abuso de droga que precisam de tratamento.

O uso de drogas resultou em 450.000 mortes em 2015, mais de 167 mil por 'overdose' e o restante com doenças associadas ao consumo de drogas, incluindo hepatite e HIV pelo uso de seringas contaminadas.

De 2000 a 2015, as mortes por consumo de droga aumentaram 60%, registou a ONU.

A ONU salienta ainda que apesar de serem menos do que os homens, as mulheres a consumir droga enfrentam riscos especiais, notando-se padrões em que o consumo começa numa idade mais tardia mas a escalada para a dependência total é mais rápida.

O número de mulheres em tratamento por consumo de droga é apenas um quinto do total e os problemas com drogas costumam estar associados a outras perturbações, como o stress pós-traumático ou experiências de abuso sexual infantil, negligência ou outras adversidades.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.