ONU alerta: batalha de Idleb pode ser "pior catástrofe humanitária" do século

Bombardeamentos aconteceram na sexta-feira depois de uma cimeira tripartida entre a Rússia e o Irão

A batalha de Idleb, o último bastião rebelde na Síria, poderá tornar-se a "pior catástrofe humanitária" do século XXI, alertou hoje o secretário-geral adjunto das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos.

"Deve haver meios de resolver este problema nos próximos meses para que Idleb não se transforme na pior catástrofe humanitária do século XXI, com enorme perda de vidas humanas", declarou Mark Lowcock.

O responsável das Nações Unidas falava hoje, durante uma conferência de imprensa em Genebra, onde deverá encontrar-se com representantes das agências humanitárias do sistema das Nações Unidas, numa altura em que parece iminente uma ofensiva ao último bastião dos rebeldes na Síria.

As forças do presidente Bashar al-Assad, apoiadas pela Rússia e Irão, concentraram reforços nas imediações da província de Idleb para lançar uma ofensiva contra os rebeldes sírios, tendo no domingo bombardeado a região com mísseis.

No sábado, caças russos realizaram vários ataques aéreos considerados "os mais intensos" deste mês pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), organização com sede em Londres.

Os bombardeamentos aconteceram depois de concluída, na sexta-feira, uma cimeira tripartida entre a Rússia e Irão (apoiantes de Bashar al-Assad) e a Turquia (apoiante dos rebeldes) para tentar evitar um assalto a Idleb.

"É reconhecido que está lá um grande número de combatentes, incluindo terroristas de organizações proscritas, mas penso que há 100 civis, na maioria mulheres e crianças, por cada combatente", disse.

A maior parte do território de Idleb é controlado pelo grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), saído do antigo ramo da Al-Qaida na Síria, mas na zona há também atividade de outros grupos rebeldes.

O enviado especial das Nações Unidas, Staffan de Mistura, reclamou repetidamente a abertura de "vias de evacuação voluntária", numa província onde vivem três milhões de pessoas, quase metade das quais fugidas de outras regiões rebeldes recuperadas pelo regime de Damasco.

Lowcock explicou que a ONU preparou ajuda humanitária para 800 mil deslocados, 100 mil das quais poderão circular nas zonas controladas pelo governo, e 700 mil que poderão deslocar-se, numa primeira fase, para o interior da província Idleb.

O conflito sírio causou mais de 350 mil mortos desde março de 2011.

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas está reunido, em Genebra, até 28 de setembro.

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Nuno Artur Silva

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