ONU acusa Myanmar de fazer limpeza étnica da minoria Rohingya

Representante do Alto Comissariado para os Refugiados denuncia perseguição dos Rohingya. Autoridades negam

Um alto dirigente da Organização das Nações Unidas disse à BBC que as forças armadas do Myanmar estão a matar pessoas da minoria muçulmana Rohingya, forçando a comunidade a fugir para o vizinho Bangladesh.

Segundo John McKissick, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o governo de Myanmar tem conduzido ataques coordenados que visam a minoria, ainda que um porta-voz da presidência garanta que os dirigentes ficaram "muito, muito desiludidos" depois de terem conhecido estas acusações, negando quaisquer atrocidades contra os Rohingya. As autoridades da antiga Birmânia garantem que são os Rohingya a incendiar as próprias casas, no Estado de Rakhine.

De acordo com a BBC, há no Myanmar cerca de um milhão de pessoas da minoria Rohingya, que são vistos por grande parte dos nacionais como imigrantes ilegais do Bangladesh. Já o Bangladesh, que por norma proíbe nas fronteiras a entrada de pessoas de forma ilegal, tem permitido, de acordo com o ministério dos Negócios Estrangeiros local, a entrada de milhares de Rohingya que procuram refúgio no país.

Myanmar não reconhece a cidadania dos Rohingya, considerados pelas Nações Unidas como a minoria étnica mais perseguida em todo o mundo, e que viram a sua condição agravar-se em 2012 na sequência de surtos de violência sectária com a maioria budista do estado de Rakhine, no oeste do país, e que resultaram em dezenas de mortos.

Desde então, as autoridades limitaram a liberdade de movimentos dos Rohingya, forçando milhares a viver confinados nas suas aldeias ou em campos de refugiados, e aprovaram leis que restringem o número de filhos e os casamentos inter-religiosos.

Segundo McKissick, as forças de segurança do Myanmar têm matado homens, crianças e violado mulheres, queimando e pilhando as casas dos Rohingya, forçando-os a fugir.

Já o porta-voz da presidência, Zaw Htay, diz que o representante da ONU "deveria manter o seu profissionalismo e ética enquanto agente das Nações Unidas", desvalorizando as acusações de McKissick ao considerá-las meras alegações. "Só deveria falar baseando-se em provas concretas e fortes recolhidas no terreno".

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh convocou o embaixador do Myanar para lhe expressar "profunda preocupação" com as operações militares no Estado de Rakhine, frisando que há pessoas desesperadas a atravessar a fronteira para procurar abrigo e pedindo ao Myanmar que assegure "a integridade" das suas fronteiras.

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