ONG pede a Espanha para desembarcar uma sobrevivente e dois mortos

Itália aceitou o desembarque da mulher, mas recusou o dos cadáveres (outra mulher e uma criança)

A ONG espanhola Proactiva Open Arms pediu às autoridades espanholas para desembarcar a sobrevivente de um naufrágio no Mediterrâneo, resgarada, juntamente com dois corpos, ao largo da Líbia, considerando que nem a Itália nem a Líbia são países seguros.

Segundo a Organização Não Governamental (ONG) que socorre migrantes no Mediterrâneo, as autoridades italianas aceitaram o desembarque da mulher, uma camaronesa de 40 anos, mas recusaram o dos cadáveres (outra mulher e uma criança).

A Protactiva Open Arms, que acusa a guarda costeira líbia de ter abandonado as duas mulheres e a criança à sua sorte, acrescenta, num comunicado, que teme "pela proteção da sobrevivente e a sua liberdade para testemunhar".

"Por todos estes motivos, decidimos rumar para as costas espanholas", afirmou a ONG que tem duas embarcação ao largo da Líbia, a Open Arms e a Astra.

A guarda costeira líbia negou as acusações da Proactiva, defendendo o profissionalismo dos serviços de salvamento.

Cadáver de criança é de uma menina de um mês de idade

Em declarações à agência noticiosa Efe, o porta-voz das Forças navais líbias, Ayub Qacem, disse que a operação de salvamento durou várias horas e que foram resgatados 119 homens, 34 mulheres e 12 crianças, além de recuperado o cadáver de uma menina de um mês de idade, a 76 milhas da costa líbia de Qarabuli.

Segundo este oficial, os migrantes ficaram à deriva, sem comida nem água, durante 60 horas, e sofreram queimaduras, tendo alguns deles sido transferidos para a base naval de Tripoli onde receberam tratamento médico. Foram depois entregues aos serviço de luta contra a imigração ilegal.

O ministro do interior italiano, Matteo Salvini (extrema-direita), denunciou "as mensagens e insultos" da ONG, defendendo que a política restritiva contra a imigração dissuade as tentativas e reduz o número de mortes no Mediterrâneo.

Segundo a equipa médica a bordo do Open Arms, a sobrevivente, de nome Josepha, necessita de tratamento médico e psicológico, pois estava em hipotermia e em estado de choque.

Os cadáveres precisam também de ser retirados, pois o navio não dispõe de câmara de frio. Segundo a equipa de resgate, a criança morreu pouco antes da sua chegada e a mulher terá perdido a vida cerca de duas horas antes.

A Proactiva Open Arms é atualmente a única organização humanitária a atuar no Mediterrâneo central, onde numerosas embarcações precárias que tentam chegar às costas italianas ou maltesas, a partir da Líbia, naufragam.

As autoridades italianas e maltesas tentam dissuadir as ONG de socorrer os migrantes, impedindo os navios de aceder aos seus portos ou retendo as embarcações.

Ler mais

Exclusivos