ONG acusa exército brasileiro de envolvimento em homicídios

A Human Rights Watch refere que relatos de testemunhas sugerem que membros de forças especiais do exército estiveram envolvidos no assassinato de um grupo de pessoas no Complexo do Salgueiro

Novos relatos de testemunhas sugerem que os assassinos de um grupo de pessoas num bairro pobre no Rio de Janeiro em novembro eram membros de uma força especial do exército, alerta hoje a organização Human Rights Watch.

Esta organização entrevistou duas testemunhas e reviu relatos de testemunhas em arquivo que indicam que as roupas e equipamentos dos assassinos eram os mesmos que o pessoal do exército usava quando chegou à cena do crime minutos depois.

"Hoje assinalam-se seis meses de sofrimentos para os sobreviventes e os familiares daqueles que foram mortos no Complexo do Salgueiro", disse Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch para o Brasil, citada num comunicado da organização.

Testemunhas disseram ainda que os polícias e elementos do exército que chegaram ao local não providenciaram assistência médica aos feridos e atrasaram a ida das vítimas para o hospital

Novos depoimentos de testemunhos apontam para a possibilidade de forças especiais do exército estarem envolvidas nos homicídios.

Testemunhas disseram ainda que os polícias e elementos do exército que chegaram ao local não providenciaram assistência médica aos feridos e atrasaram a ida das vítimas para o hospital, além de não assegurarem a cena do crime.

Sete pessoas morreram no local e uma outra mais tarde, devido aos ferimentos.

Duas testemunhas disseram que os assassinos abriram fogo cerca das 01:00, a partir de uma área florestal, contra pessoas que iam a passar numa via pública do Complexo do Salgueiro.

Os atiradores estavam de negro, com as caras escondidas por balaclavas, usavam luvas, tinham lanternas montadas nos capacetes e as suas armas estavam equipadas com lanternas e visão a laser

Enquanto os assassinos disparavam contra as vítimas, elementos do batalhão de forças especiais do exército e da unidade de operações especiais da polícia civil do Rio de Janeiro (CORE) aproximaram-se de um veículo da polícia civil e de dois veículos blindados Guarani. Estavam a conduzir uma operação conjunta, de objetivos ainda não clarificados.

A Human Rights Watch entrevistou um homem que foi ferido no ataque e que disse que, após os disparos, os atiradores emergiram da área florestal. Estavam de negro, com as caras escondidas por balaclavas, usavam luvas, tinham lanternas montadas nos capacetes e as suas armas estavam equipadas com lanternas e visão a laser.

Luiz Otávio Rosa dos Santos, um motorista de táxi que acabou por morrer mais tarde, disse a um promotor que viu "luzes vermelhas" a sair da arma usada pelo homem que disparou contra si.

Duas mulheres que chegaram ao local após o tiroteio descreveram os uniformes e as armas dos elementos das forças especiais da mesma forma como outras testemunhas descreveram os dos assassinos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.