Onde estão as crianças? Só umas dezenas foram entregues aos pais após ordem de Trump

Já passou mais de uma semana desde que o presidente assinou um decreto para pôr fim à separação de famílias de migrantes ilegais na fronteira com o México, mas as últimas estatísticas citadas pela CNN revelam que só uma mão cheia das crianças foram devolvidas aos pais

"Estou muito triste... Quero saber onde é que ele está e se está bem. Estou preocupado", disse Diego Pascual à CNN. O migrante ilegal está detido no centro prisional de Cibola no Novo México e garante não saber onde está o filho de 13 anos.

Este é apenas um dos muitos casos de pais e filhos que ainda não se reencontraram, mais de uma semana depois de Donald Trump ter assinado um decreto presidencial para acabar com a separação de famílias de migrantes ilegais na fronteira entre os EUA e o México. Pouco depois, um juiz veio ordenar o fim dessa prática e a reunião das famílias separadas.

Mas desde então só umas dezenas de crianças foram reunidas com os pais, denunciam ativistas e advogados com base nos números do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, com muitos a virem para as ruas das cidades americanas em protesto na quinta-feira.

Das 2342 crianças separadas dos pais, 2047 continuavam na segunda-feira sob custódia do Estado americano, referem os mesmos números. Perante as críticas e os protestos, o comandante Jonathan White, secretário adjunto para a preparação e resposta, garantiu: "Sempre soubemos onde estão as crianças" e sublinhou estarem a trabalhar para os reunirem com os pais.

Corrida contra o tempo

Para cumprir a ordem do juiz, o governo terá de respeitar um calendário para a reunião das famílias de migrantes ilegais:

Até 6 de julho, todos os pais têm de ter uma forma de contactar com os filhos

Até 10 de julho, todas as crianças menores de cinco anos têm de ser entregues aos pais

Até 26 de julho, todas os pais e filhos devem estar reunidos

Pais na incerteza

Ouvidos pela CNN, muitos pais que se encontram detidos pelas autoridades americanas por terem tentado entrar ilegalmente no país explicaram continuar à procura dos filhos, cujo paradeiro continua incerto.

As notícias de que mais de 2000 crianças tinham sido separadas dos pais após estes terem tentado entrar ilegalmente nos EUA através da fronteira com o México gerou um coro de críticas nacionais e internacionais. Sobretudo depois de se perceber que muitas dessas crianças eram mantidas em jaulas em centros de detenção geridos pelas autoridades americanas.

Pressionado pela comunidade internacional e criticado até pela mulher, Melania, Trump acabou por assinar um decreto presidencial a pôr fim à separação das famílias.

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