Noite de protestos. Mais de oito mil pessoas em frente ao Congresso

A Polícia Militar dá conta de manifestantes pró e contra o governo de Dilma em frente em Brasília, onde já se registaram confrontos com as autoridades. Há protestos em marcha em 25 estados

Segundo a Polícia Militar brasileira são mais de oito mil os manifestantes, pró e contra o governo de Dilma Rousseff, que se juntam em frente ao Congresso, em Brasília, onde se localizam o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal.

Já há registos de confrontos com as autoridades policiais nesta noite de quinta-feira no Brasil (já madrugada de quinta-feira em Portugal), segundo a imprensa brasileira. Tudo isto acontece depois de uma manhã de fortes manifestações contra a tomada de posse do ex-Presidente Lula da Silva como ministro da Casa Civil.

Os manifestantes agrediram as forças policiais na Praça dos Três Poderes - que reúne o Palácio do Planalto (Executivo), o Supremo Tribunal Federal (Judiciário) e o Congresso Nacional (Legislativo) - atirando-lhes objetos vários e fazendo explodir foguetes. As autoridades responderam com gás lacrimogéneo.

Os organizadores da manifestação em Brasília terão afirmado que a agressão à polícia foi feita por militantes do Partido dos Trabalhadores, de Rousseff, infiltrados para denegrir os que atacam a Presidente.

Frases de ordens gritadas e escritas em cartazes defendiam o juiz Sérgio Moro, que conduz os processos da operação Lava Jato, e a Polícia Federal, atacando Lula da Silva e Dilma Rousseff.

São pelo menos 25 os estados onde estão em marcha manifestações, dá conta o portal G1. Em São Paulo, manifestantes reúnem-se na Avenida Paulista para expressar a sua revolta motivada pelo governo de Dilma Rousseff a recente nomeação de Lula da Silva como ministro da Casa Civil, pedindo a destituição (impeachment) da chefe de Estado. No Rio de Janeiro, manifestantes ocupam a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

A população e o país dividem-se. Enquanto no Amapá, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul as pessoas clamavam pelo impeachment da Presidente, em Ceará, Paraíba, e Rio Grande do Sul os manifestantes defendiam Lula e Dilma, contava nesta madrugada de quinta-feira em Portugal (noite de quarta no Brasil) o Correio Braziliense.

Dilma Rousseff foi notificada no final da tarde de hoje sobre a abertura do processo de destituição (impeachment) de que é alvo Câmara dos Deputados do Brasil.

Como havia sido anunciado logo após a aprovação do nome dos elementos da comissão especial, a notificação do início do processo foi entregue no Palácio do Planalto pelo primeiro-secretário da Câmara dos Deputados, Beto Mansur, do Partido Social Democrático (PSD).

O deputado também entregou o texto na íntegra do pedido de impeachment apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Junior, que motivou o início do processo e a formação de uma comissão.

Na tarde de hoje, o congresso aprovou uma lista de 65 deputados federais indicados pelos líderes dos 24 partidos com assento parlamentar.

A comissão funcionará até um máximo de quinze sessões no plenário da Câmara. Destas, dez sessões serão destinadas à apresentação da defesa da Presidente Dilma e outras cinco para a votação do relatório dos parlamentares.

O pedido de destituição baseia-se na acusação de que a presidente brasileira realizou "pedaladas fiscais" ao autorizar adiantamentos de dinheiro realizados por instituições financeiras, a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, como manobras para mascarar, momentaneamente, as contas públicas.

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