Obama mantém relatório sobre tortura secreto mas guarda uma cópia

Presidente receia que Donald Trump possa destruir todas as cópias

O Presidente dos Estados Unidos da América não vai desclassificar um relatório do Senado norte-americano sobre a utilização de técnicas de tortura pela CIA (serviços secretos), mas vai guardar uma cópia na biblioteca da Casa Branca.

A revelação foi feita numa carta de um conselheiro de Obama enviada a uma senadora que é vice-presidente da comissão de inteligência do Senado, segundo a qual Obama decidiu que o material se manterá confidencial durante mais 12 anos.

Perante as preocupações de que o próximo Presidente dos EUA, Donald Trump, pudesse destruir todas as cópias do relatório, de 2014, a mesma carta, divulgada pela Casa Branca na segunda-feira, assegura que o documento, de 6.700 páginas, será registado e preservado na biblioteca presidencial.

O relatório em causa, da comissão de inteligência, detalha métodos de tortura usados pela CIA em interrogatórios depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

O documento, que só foi revelado parcialmente (500 páginas) pelo Senado, em 2014, refere que a Agência Central de Informações (CIA) fez interrogatórios "mais brutais" do que aqueles que tinham sido inicialmente comunicados.

O período em que George W. Bush esteve no poder (2001-2009) foi o mais "musculado" por parte dos serviços de informações que, segundo o relatório, foram responsáveis por atos de tortura, prisões ilegais. O documento contraria ainda a tese de que os métodos utilizados eram eficazes para obtenção de informações.

As técnicas usadas pela CIA foram banidas por Obama pouco depois de chegar ao poder.

Cópias do relatório haviam sido distribuídas a alguns membros dos serviços secretos dos EUA, mas em 2015, quando os republicanos recuperaram o controlo da comissão do Senado que elaborou o documento, o novo presidente da comissão tentou recuperar todos os exemplares.

Os democratas, por seu turno, pediram a desclassificação do relatório, dizendo que os republicanos queriam destruí-lo.

A decisão de Obama de preservar uma cópia na biblioteca presidencial garante que um exemplar não será destruído.

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