Obama está de regresso ao palco político americano

Depois de quase dois anos afastado da ação política, ex-presidente dos EUA é aguardado como trunfo na campanha democrata para as eleições intercalares de novembro. O "arranque" é esperado na sexta-feira

Após deixar a Casa Branca, em janeiro de 2017, Barack Obama afastou-se da arena política, evitou falar do seu sucessor Donald Trump e dedicou-se a outras causas, como as que envolvem a sua Fundação ou as conferências milionárias que dá pontualmente em algumas cidades do mundo, como aquela que o trouxe ao Porto em julho passado.

No entanto, o 44.º POTUS (President of The United States) da história manteve sempre aberto o cenário de um regresso à ação política e, de acordo com vários media norte-americanos, isso acontecerá já neste mês de setembro, com Barack Obama a assumir um papel ativo na luta de campanha dos democratas para as eleições intercalares de 6 de novembro, nas quais se vai decidir a composição do Congresso dos Estados Unidos, bem como a governação em 36 estados.

Para já, é aguardada com expetativa a cerimónia pública de homenagem a Obama, na próxima sexta-feira, 7 de setembro, na Universidade de Illinois, um estado onde o antigo presidente foi senador. Obama vai ser condecorado com o prémio Paul H. Douglas (um antigo senador do Illinois) para a Ética na Governação e fará um discurso público transmitido online.

Segundo o site norte-americano Axios, Obama vai abordar alguns dos temas mais esperados da próxima campanha eleitoral, incluindo um apelo ao empenho do eleitorado democrata, historicamente dado à abstenção nas eleições intercalares.

Segundo a sua assessora de comunicação Katie Hill, Barack Obama vai apresentar algumas reflexões sobre o momento atual nos EUA e no mundo e como os norte-americanos devem atuar neste contexto, devendo também fazer um apelo aos norte-americanos para "rejeitarem a tendência crescente de políticos e políticas autoritárias". Falta saber se nomeará diretamente Donald Trump ou não, ele que tem evitado fazê-lo até agora, mesmo quando criticou a reversão dos acordos climáticos de Paris ou a guerra de Trump ao plano de saúde Obamacare.

Ações de campanha

Depois da cerimónia na Universidade de Illinois, Barack Obama tem previstas intervenções em ações de campanha do Partido Democrata nos estados da Califórnia, Ohio e Pennsylvania, durante as próximas três a quatro semanas, e vai participar num evento de angariação de fundos em Nova Iorque, prometendo um outono quente no combate entre democratas e republicanos, com Obama e Trump como previsíveis protagonistas.

Numa altura em que volta a agitar-se no horizonte um cenário de possível impeachment (destituição) sobre Donald Trump, com vários dos seus antigos assessores a contas com a justiça, o regresso de Obama pode bem tornar-se a principal ameaça ao atual presidente.

Ou então... não. Entre os democratas também há quem pense que o regresso de Obama à cena política pode ser o combustível de que Trump precisa agora para reativar o seu eleitorado republicano. Os senadores Jon Tester, no estado de Montana, e Heidi Heitkamp, do Dakota do Norte, recusaram já o auxílio de Obama nas respetivas campanhas, temendo o efeito que isso pudesse ter junto dos republicanos.

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Henrique Burnay

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