O sonho de quem não quer o brexit: passaporte irlandês

Pedidos subiram com aproximação do referendo sobre saída da União Europeia

A 18 de fevereiro, com David Cameron em Bruxelas para negociar um acordo com a União Europeia que evite a saída do Reino Unido, o gabinete de Relações Externas da Irlanda registou um pico nos pedidos de passaportes por parte de cidadãos britânicos. O motivo parece ser o desejo de muitos de se manterem como cidadãos da UE em caso de brexit.

Segundo o The Guardian, o número de pedidos de emissão de passaportes irlandeses tem vindo a aumentar nos últimos meses. Com cada vez mais britânicos de origens irlandesas a optar pela dupla nacionalidade à medida que o debate sobre a saída do Reino Unido da UE ia ganhando força. Entre 2014 e 2015 o número de adultos nascidos em Inglaterra, Escócia ou País de Gales mas com avô ou avó irlandeses a pedir passaporte da Irlanda subiu 33%, passando de 379 para 507.

A Irlanda dá cidadania automática a todos os filhos de um cidadão irlandês, independentemente de onde tenha nascido. Os netos de irlandeses também podem pedir a nacionalidade se o seu nascimento estiver inscrito nos registos da Irlanda no estrangeiro. Ao todo, estamos a falar de seis milhões de britânicos que podem candidatar-se a um passaporte irlandês.

A Irlanda do Norte é um caso especial: todos os cidadãos têm direito à nacionalidade irlandesa. E o aumento de pedidos também se confirma, tendo passado de 10 672 para 12 159 entre 2014 e 2015.

Apesar de quem faz o pedido não ter de apresentar uma justificação, a aproximação do referendo sobre o brexit - marcado por Cameron para 23 de junho próximo depois de ter chegado a um acordo com Bruxelas que garante ao seu país um estatuto especial na UE - parece ser a grande razão para esta pequena corrida aos passaportes da Irlanda: um dos países mais pró-europeus.

Kevin Warnes, por exemplo, explicou ao The Guardian que, apesar de se sentir "completamente inglês", aproveitou o facto de a mãe ser irlandesa para obter a dupla nacionalidade. O professor de Shipley disse querer que os dois filhos mantenham "a cidadania europeia. Quero que possam viajar, viver e trabalhar livremente numa Europa de fronteiras abertas", mesmo que o Reino Unido saia da UE.

O debate em torno do brexit fez ontem uma baixa na Câmara de Comércio Britânica (BCC). O diretor-geral John Longworth foi suspenso de funções depois de ter feito um apelo para que o Reino Unido saia da UE. Segundo o Financial Times, Longworth terá falado em nome pessoal, mas o facto de a sua opinião ser contrária à da larga maioria dos membros da Câmara de Comércio terá acabado por levar ao seu afastamento por violar a neutralidade daquela organização. A BCC representa milhares de empresas e negócios no Reino Unido.

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