O que se sabe sobre o Robin Hood da Internet?

"Roubo a bancos, não a pessoas", declarou, assumindo-se como alguém que queria vencer o sistema. Esteve preso na Sibéria onde chegou a ver cinco cadáveres por dia

Roubava 10 milhões de euros em cada assalto e os ciberataques que liderou atingiram mais de 40 países e resultaram em perdas de dez mil milhões de euros no setor financeiro. Mas vivia como um homem sem grandes posses, em Alicante, Espanha, onde foi detido no início do mês de março. Assume-se como uma espécie de Robin dos Bosques, mas da Internet, uma vez que roubava a bancos e não a pessoas, segundo as suas primeiras declarações.

Denis K, ucraniano, de 34 anos, vivia num apartamento modesto com a mulher e o filho e apesar de ter roubado milhões - só de bancos russos - passava semanas fechado em casa, ligado ao computador, onde criou o "malware" (um programa malicioso) Carbanak/Cobalt, que afetou mais de 100 instituições financeiras em todo o mundo. Apesar dos seus crimes, os agentes que o investigaram não escondem a sua admiração pelo nível de sofisticação da operação que conseguiu montar e fazer crescer a partir de 2014.

Segundo o El País, é um "um idealista com caprichos libertários". Tem colaborado com a polícia desde o momento da detenção e admitiu às autoridades ter entrado nos sistemas informáticos de 300 a 400 bancos. Assume-se como alguém anti-sistema: "Roubo a bancos, não a pessoas", afirmou.

De acordo com o jornal, os investigadores espanhóis que há três anos andavam no seu encalço, não conseguem deixar de o admirar: pela sua "altíssima" formação e pelo nível de sofisticação da operação que o hacker liderava. K. mudava de computador todos os dias e cifrava todas as comunicações - conseguiu desviar dinheiro de 40 países e estima-se que terá conseguido conseguido roubar 10 mil milhões de dólares.

Entrou em todos os bancos russos, menos o estatal, por decisão pessoal

Denis K., considerado o melhor hacker do mundo, conseguia entrar em todos os bancos russos "exceto o estatal, nunca o quis atacar", justificou. A operação era (quase) perfeita: quer na parte física - quando os cúmplices iam levantar o dinheiro vivo nas máquinas ATM, programadas para "cuspirem" notas mediante um comando do ucraniano -, quer na parte digital, onde conseguiu penetrar em sistemas informáticos extremamente seguros.

A operação estava tão bem montada que no interrogatório K. admitiu à Unidade de Investigação Tecnológica da polícia espanhola que nunca tinha visto o rosto de dois dos quatro elementos da hierarquia. Também os elementos da unidade nunca tinham visto a cara do hacker e, por isso, quando entraram no seu apartamento em Alicante, não esperavam que o cibercriminoso mais perigoso do mundo pesasse apenas 50 quilos. Não foi necessário o uso de força.

"Fiz o que fiz para quebrar barreiras, não pelo dinheiro, apenas pelo desafio de vencer o sistema ", revelou às autoridades. Tinha um plano ainda mais grandioso que consistia em criar uma nova moeda criptografada para ser usada na lavagem de dinheiro da máfia russa. "Era um objetivo não patrimonial, mas técnico", explicam os agentes que o detiveram, afinal, no dia do seu aniversário.

À medida que o vão interrogando, os agentes vão descobrindo mais do seu passado: é verdade que comprou dois carros e roupas de marca com o dinheiro roubado, mas continuava a viver uma vida austera. O hacker contou que passou vários anos preso em cadeias da Sibéria nas quais, em alguns dias, "havia cinco cadáveres".

A polícia acredita que os três "sócios" de K. - dos quais não se conhecem as identidades - deverão continuar com os crimes. Segundo K. teriam novos "malwares" quase prontos a serem utilizados. "Isto não termina aqui", garantem os agentes espanhóis.

Veja oi vídeo de uma das operações:

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