"O povo brasileiro ainda não sabe o que é a ditadura", diz Bolsonaro

Presidente eleito do Brasil fez estas afirmações após uma conversa telefónica com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Depois de uma conversa ao telefone com o primeiro-ministro Viktor Orbán, Jair Bolsonaro garantiu que no futuro Hungria e Brasil vão ser "grandes parceiros". O presidente eleito do Brasil falou aos jornalistas à porta da sua casa e garantiu: "A Hungria é um país que sofreu muito com o comunismo no passado. É um povo que sabe o que é a ditadura. O povo brasileiro não sabe o que é a ditadura ainda, o que é sofrer nas mãos dessas pessoas. E ele está feliz com a nossa eleição."

Bolsonaro, que venceu as presidenciais de 28 de outubro, recusa dizer que o Brasil foi uma ditadura entre 1964 e 1985.

O ex-capitão do Exército saudou as políticas anti-imigração de Orbán. O chefe do governo húngaro viu em setembro o Parlamento Europeu aprovar uma moção contra o seu executivo por violação do Estado de direito. Os eurodeputados acusaram as autoridades húngaras de uma deriva autoritária, afirmando que atentaram contra a liberdade de imprensa, contra a independência da justiça e contra os direitos dos migrantes e refugiados.

Críticas que não impressionam Bolsonaro. O presidente eleito do Brasil aproveitou para criticar a política de imigração dos seus antecessores que, segundo ele, "transformou o Brasil num país sem fronteiras". Para o ex-militar, o país vive hoje "uma imigração desordenada". E sublinhou: "Não podemos admitir a entrada indiscriminada de quem quer que seja simplesmente porque querem vir para cá."

Bolsonaro deixou ainda claro que tenciona cortar o financiamento público às organizações não governamentais. "Se são não governamentais, porque recebem dinheiro do governo? Nós vamos dar um tratamento específico para ONG no Brasil. Empresa pública não vai financiar ONG para fazer campanha contra o interesse nacional."

Nas mais de duas décadas de ditadura militar no Brasil multiplicam-se os relatos de torturas e assassínio de opositores. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, houve 434 mortes e desaparecimentos de opositores durante a ditadura militar, além do massacre de mais de 8000 índios.

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