O mundo em 2017 visto pela revista The Economist 

Eleições, conflitos e suas implicações para os países vizinhos são alguns dos factos a seguir no próximo ano. Saiba a que países tem de estar atento no próximo ano

Eleições legislativas na Alemanha, presidenciais na França, em que se antecipa o regresso da direita ao poder, um novo presidente nos Estados Unidos, o longo conflito na Síria, e suas implicações para os países vizinhos e do Médio Oriente em geral, são alguns dos factos a seguir no próximo ano. Na Ásia, a Índia e a China devem concentrar as atenções, enquanto em África deve estar-se atento a Angola e à África do Sul.

OS QUE MAIS CRESCEM

Das principais economias do mundo, a Índia, colhendo os benefícios das reformas pró-mercado, é a única a fazer parte da lista dos países que mais crescem em 2017. No topo da lista está o Iémen, enfraquecido por uma guerra regional por procuração, mas com o potencial para um surto de crescimento se for alcançado um acordo de paz em 2017. Myanmar beneficiar-se-á da sua abertura política e económica após o acordo entre autoridades civis e militares, enquanto a estabilidade política na Costa do Marfim vai incentivar o investimento estrangeiro. A Mongólia vai receber um impulso de um aumento sustentado nos preços das suas exportações de minerais, assim como o Laos, que receberá um impulso extra do investimento em infraestruturas. O Djibuti também ganhará com os melhoramentos de infraestruturas em curso, incluindo um porto marítimo e dois aeroportos. Projetos de investimento em finalização, desta vez na produção de petróleo, ajudarão o Gana. Uma combinação semelhante de projetos de investimento e de aumento das exportações impulsionará a economia cambojana. Os projetos hidroelétricos produzirão um crescimento respeitável no Butão, embora não a expansão de dois dígitos prometida pelo governo.

Previsões para 2017, salvo indicação em contrário. Inflação: média anual. PIB calculado em dólares usando as previsões de 2017 para as taxas de câmbio do dólar* (PIB em PPC, ou paridade de poder de compra, mostrado entre parênteses). Todos os números são simplificados por arredondamento. london@eiu.com *a conversão para euros foi feita segundo taxa de câmbio de 7/12/2016

EUROPA

Alemanha

Crescimento do PIB: 1,3%; PIB per capita: 39 347 euros (PPC: 46 484 euros); Inflação: 1,3%; Saldo orçamental (% PIB): 0,5; População: 82,5 milhões

Angela Merkel vai regressar como chanceler para um quarto mandato nas eleições programadas para outubro, o mais tardar, apesar da queda na sua popularidade feita por uma política de migração de braços abertos bastante impopular. Ela liderará outra grande coligação, mas com maioria reduzida no Parlamento. A sua principal tarefa será preservar a UE, apesar da saída do Reino Unido, ao mesmo tempo que se mantém rígida nos termos do brexit para desencorajar imitadores. A nível interno, a esquerda da coligação vai resistir às reformas estruturais pró-mercado. O crescimento económico vai ultrapassar a média europeia, mas ficará atrás dos níveis de 2016.

Áustria

Crescimento do PIB: 1,0%; PIB per capita: 42 138 euros (PPC:47 619 euros); Inflação: 1,8%; Saldo orçamental (% PIB): -1,3; População: 8,6 milhões

O governo de coligação do Partido Popular Austríaco de centro-direita e do Partido Social Democrata de centro-esquerda chegará ao fim do seu mandato, mas os eleitores impacientes com as querelas políticas, o aumento do desemprego e os fluxos migratórios tenderão para o Partido da Liberdade (FPÖ), extrema-direita. As eleições devem ocorrer em 2018, mas podem ser convocadas mais cedo. Uma coligação liderada pelo FPÖ deve vencer. A economia ficará atrás da alemã, à qual está intimamente ligada.

A ver: As medalhas do frio. A Áustria vai receber os Jogos Mundiais Olímpicos Especiais de Inverno em março, reunindo 3000 atletas com deficiência intelectual de 110 países.

Bélgica

Crescimento do PIB: 1,1%; PIB per capita: 38 215 euros (PPC:42 957 euros); Inflação:1,9%; Saldo orçamental (% PIB): -2,4; População: 11,4 milhões

Um consenso em torno das reformas económicas pró-mercado manterá intacto o governo de coligação de centro-direita. A política centrar-se-á na melhoria das finanças públicas, no fortalecimento da competitividade e no reforço da luta contra o terrorismo, após ataques repetidos e anos de esforços fracassados dos serviços de segurança. A tensão entre francófonos e flamengos persistirá, mas o Estado manter-se-á unido.

Bulgária

Crescimento do PIB: 3,2%; PIB per capita: 6779 euros (PPC: 18 296 euros); Inflação: 1,7%; Saldo orçamental (% PIB): -1,0; População: 7 milhões

O primeiro-ministro Boiko Borisov apresentou a demissão após a derrota do candidato presidencial do seu partido nas eleições de novembro. Legislativas deverão realizar-se na primavera de 2017, pondo fim à experiência do seu governo que incluía partidos do centro-esquerda e da direita nacionalista e estava dependente da fraqueza da oposição para a sobrevivência. O candidato da oposição, um ex-general que fez campanha sob a promessa de não permitir que os Balcãs se tornem um "gueto de migrantes", advogou ainda o fim das sanções da União Europeia à Rússia.

Croácia

Crescimento do PIB: 2,2%; PIB per capita: 10 873 euros (PPC: 22 707 euros); Inflação: 0,7%; Saldo orçamental (% PIB): -2,1; População: 4,2 milhões

Andrej Plenkovic, da União Democrática Croata, tornou-se primeiro-ministro de um novo governo de coligação de centro-direita após as eleições de 2016. O novo governo parece ser muito mais estável do que o seu antecessor, com forte ênfase nas políticas económicas e pouca tendência para avançar com uma agenda nacionalista de direita. A confiança do consumidor apoiará o crescimento modesto, mas a economia permanecerá abaixo do pico de 2007-2008.

Dinamarca

Crescimento do PIB: 1,4%; PIB per capita: 49 621 euros (PPC: 45 758 euros); Inflação: 1,4%; Saldo orçamental (% PIB): -1,8; População: 5,7 milhões

O governo minoritário do Partido Liberal detém apenas 34 dos 179 assentos parlamentares e pode não sobreviver em 2017, com o Partido do Povo Dinamarquês (DF) eurocético, impulsionado pelo descontentamento popular com a imigração, a servir de carrasco. Os sociais-democratas da oposição serão quem mais beneficiará com eleições antecipadas, mas também terão de lidar com o DF. Na medida em que puder aplicar a sua própria agenda política, o governo concentrar-se-á em reduzir o défice orçamental. O crescimento entrará em recuperação, mas permanecerá morno.

A ver: A redistribuição. Os cortes de benefícios para os requerentes de asilo vão poupar ao governo mil milhões de coroas (148 milhões de dólares) até 2020, que serão usados para financiar a redução de impostos.

Eslováquia

Crescimento do PIB: 2,7%; PIB per capita: 15 357 euros (PPC: 29 463 euros); Inflação: 1,1%; Saldo orçamental (% PIB): -1,9; População: 5,4 milhões

Um governo de coligação de esquerda e direita difícil de gerir, liderado pelo partido de centro-esquerda Direção - Social-Democracia (Smer-SD), manterá um foco na melhoria da educação e dos cuidados de saúde e na luta contra a corrupção, embora os progressos sejam lentos. A economia passará de uma dependência da procura externa para um modelo de consumo mais robusto, mas a questão demográfica e as condições externas complicadas pelo brexit vão pesar sobre o crescimento económico.

A ver: Vazio de poder. Se o primeiro-ministro, Robert Fico, sair quando a presidência de seis meses da União Europeia da Eslováquia terminar em janeiro de 2017, o vazio de poder resultante pode derrubar o governo.

Eslovénia

Crescimento do PIB: 2,0%; PIB per capita: 19 375 euros (PPC: 31 166 euros); Inflação: 1,2%; Saldo orçamental (% PIB): -2,4; População: 2,1 milhões

A economia está a avançar e, em 2017, o governo terá o seu primeiro ano de liberdade orçamental desde há uns tempos, tendo saído do procedimento por défice excessivo da UE em meados de 2016. No entanto, a discórdia reina dentro e entre os partidos da coligação de centro-esquerda e o governo pode cair, apesar da sua maioria. O programa de privatizações, ainda que modesto, é um pomo de discórdia específico e, na melhor das hipóteses, avançará lentamente.

Espanha

Crescimento do PIB: 2,0%; PIB per capita: 25 416 euros (PPC: 35 317 euros); Inflação: 1,7%; Saldo orçamental (% PIB): -3,7; População: 46,1 milhões

Mariano Rajoy, líder do Partido Popular de centro-direita, foi por fim investido como primeiro-ministro à frente de um governo minoritário no final de 2016, depois de o principal partido da oposição, o Partido Socialista, ter optado por se abster no debate de confirmação. Rajoy, que havia dirigido um governo de gestão desde as eleições inconclusivas em dezembro de 2015, provavelmente não completará o seu mandato, e as hipóteses de um programa coerente do governo são escassas. No entanto, a economia irá beneficiar de reformas já concretizadas e vai sobreviver à turbulência.

A ver: Ataque orçamental. A Espanha poderá estar na linha para uma advertência da UE se não mostrar os progressos alcançados no cumprimento do seu objetivo de 2018: um défice orçamental de 3%.

Estónia

Crescimento do PIB: 2,6%; PIB per capita: 17 461 euros (PPC: 28 207 euros); Inflação: 2,3%; Saldo orçamental (% PIB): -0,1; População: 1,3 milhões

O país começará o ano sob nova administração após a derrota do atual governo numa moção de confiança no final de 2016. O novo governo, provavelmente liderado pelo Partido do Centro de Juri Ratas, vai seguir uma agenda baseada numa economia aberta e numa postura pró-ocidental. As sanções de retaliação da Rússia às exportações agrícolas da UE vão pesar sobre a economia, mas o crescimento será respeitável.

A ver: A substituição. A Estónia assumirá a presidência rotativa da UE no segundo semestre de 2017, ocupando o lugar deixado vago pelo Reino Unido.

Finlândia

Crescimento do PIB: 0,9%; PIB per capita: 39 548 euros (PPC: 39 839 euros); Inflação: 1,0%; Saldo orçamental (%PIB): -2,5; População: 5,5 milhões

O Partido dos Finlandeses, um partido de extrema-direita eurocético, aligeirou a sua retórica desde que entrou na coligação do governo em 2015, e o desencanto subsequente entre os seus partidários poderá levar a uma divisão, derrubando o governo. As eleições municipais em abril de 2017 fornecerão um indicador sobre o sentimento dos eleitores. O lento crescimento europeu e as sanções russas arrefecerão a economia, que, contudo, se expandirá de forma modesta.

França

Crescimento do PIB: 1,1%; PIB per capita: 35 393 euros (PPC: 40 267 euros); Inflação: 1,0%; Saldo orçamental (% PIB): -3,0; População: 64,9 milhões

O partido de oposição Les Républicains deve formar o próximo governo após as eleições presidenciais em abril. O Partido Socialista Francês, no governo, é profundamente impopular, com uma viragem política à direita a meio do mandato, que gerou descontentamento na ala esquerda do partido. A candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, extrema-direita, impulsionada pelo terrorismo, pelo brexit e pela imigração, sair-se-á bem, mas não conseguirá passar a segunda volta das eleições. Os efeitos diretos e indiretos do brexit irão afetar a economia.

A ver: Na ribalta. O ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, vai concorrer à presidência à frente do seu recém-formado movimento centrista En marche!, embora não pareça em condições de ganhar.

Grécia

Crescimento do PIB: 1,5%; PIB per capita: 16 810 euros (PPC: 25 769 euros); Inflação: 0,9%; Saldo orçamental (% PIB): -3,3; População: 10,9 milhões

O governo de coligação Syriza/Gregos Independentes tem uma pequeníssima maioria no Parlamento e as reformas impopulares impostas pelos termos do resgate acordado com as instituições europeias podem fazer que aquela desapareça, obrigando a novas eleições. O partido de centro-direita Nova Democracia está pronto para se beneficiar disso. Apesar de fomentar a economia ao máximo, o melhor a que o país pode aspirar é uma recuperação morna, e a Grécia pode ainda sair da zona euro antes de a saída do Reino Unido da União Europeia estar consumada.

Hungria

Crescimento do PIB: 2,4%; PIB per capita: 11 870 euros (PPC: 25 871 euros); Inflação: 1,7%; Saldo orçamental (% PIB): -2,7; População 9,8 milhões

O segundo governo de coligação, liderado pelo partido conservador Fidesz, continuará com políticas que tendem cada vez mais à direita para afastar a ameaça do seu rival de extrema-direita, Jobbik. Isso vai contrariar as instituições da UE e as empresas estrangeiras, embora um esforço determinado para limitar o défice orçamental e reduzir a dívida pública vá acalmar os críticos. O crescimento económico aumentará à medida que o governo reduza impostos e impulsione os gastos antes das próximas eleições legislativas, previstas para abril de 2018. O crescimento superará a média europeia, mas ficará ainda atrás do desempenho da Hungria em 2014-2015.

A ver: O Festival da Mão. A Hungria vai acolher a EuroHand 2017 em junho, um evento dedicado à investigação sobre a terapia e cirurgia da mão.

Irlanda

Crescimento do PIB: 3,0%; PIB per capita: 58 365 euros (PPC: 65 264 euros); Inflação: 0,9%; Saldo orçamental (% PIB): -0,8; População: 4,7 milhões

O governo da coligação minoritária liderado pelo Fine Gael está instável, refletindo a exaustão pública com as políticas de austeridade que proporcionaram a recuperação económica após a crise financeira. O partido da oposição Fianna Fail abandonará o acordo tácito de não-agressão (que permite ao governo sobreviver) se as sondagens mostrarem uma liderança sustentada para o partido, pelo que serão possíveis eleições antecipadas em 2017. O brexit complicará as relações com a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, e terá o seu peso na economia. O crescimento económico e empresarial, apoiado pelas criativas políticas irlandesas de impostos sobre as empresas, cairá após as taxas espetaculares dos últimos anos.

Itália

Crescimento do PIB: 0,9%; PIB per capita: 28 492 euros (PPC: 33176 euros); Inflação: 0,5%; Saldo orçamental (%PIB): -2,3; População: 59,8 milhões

O novo governo, chefiado por Paolo Gentiloni, ganhou as votações necessárias na Câmara dos Deputados e no Senado para entrar em funções. Gentiloni prometeu continuar o curso iniciado por Matteo Renzi, de quem é considerado próximo, tendo este último apresentado a demissão após ver reprovado em referendo uma importante reforma legislativa. Estão previstas eleições antecipadas na primeira metade do ano, mas antes terá de ser aprovada nova legislação eleitoral. A incerteza política, a fraqueza do sistema financeiro e o impacto do brexit afetarão o crescimento económico.

Letónia

Crescimento do PIB: 2,8%; PIB per capita: 13 638 euros (PPC: 18 380 euros); Inflação: 1,7%; Saldo orçamental (% PIB): -1,2; População: 1,9 milhões

A coligação de centro-direita liderada pelo primeiro-ministro, Maris Kucinskis, continuará a respeitar a preferência do país por políticas fortemente pró-europeias e conservadoras a nível orçamental. As relações com a Rússia permanecerão tensas após a anexação da Crimeia. A redução da dependência da economia russa e o estreitamento dos laços com a NATO serão objetivos fundamentais. O consumo interno será impulsionado pelas reformas das pensões e pela economia informal.

A ver: O centro aguenta-se. O Partido do Centro da Harmonia, popular entre a etnia russa, continuará a ser o maior grupo no Parlamento, mas será afastado do poder pela maioria étnica letã.

Lituânia

Crescimento do PIB: 2,8%; PIB per capita: 14 690 euros (PPC: 28 877 euros); Inflação: 1,4%; Saldo orçamental (% PIB): -0,9; População: 2,8 milhões

As eleições gerais em outubro de 2016 fizeram regressar inesperadamente a União dos Camponeses e Verdes Lituanos como o maior partido. Independentemente do resultado das negociações de coligação, continuará o apoio a uma economia aberta e a uma política externa pró-Ocidente. Tal como acontece com outros Estados membros da fronteira da UE com a Rússia, a defesa e a diversificação dos fornecedores de gás serão prioridades. O crescimento económico, ajudado pelo investimento crescente, será reforçado.

Noruega

Crescimento do PIB: 1,5%; PIB per capita: 41 882 euros (PPC: 47 787 euros); Inflação: 2,2%; Saldo orçamental (% PIB): 3,7; População: 5,2 milhões

O governo minoritário de centro-direita, formado pelos conservadores e pelo FrP, um partido anti-imigração no poder pela primeira vez, é um favorito, mas por pouco, para sair vitorioso das eleições programadas para o final de 2017. O governo foi enfraquecido por problemas económicos e divergências internas sobre a imigração, mas o bloco de centro-esquerda da oposição não está a sair-se melhor nas sondagens. Os baixos preços do petróleo e do gás, que representam dois terços das exportações norueguesas, travarão a economia, mas as baixas taxas de juro internacionais serão um fator positivo. O crescimento será lento, mas estável.

Países Baixos

Crescimento do PIB: 1,0%; PIB per capita: 41 882 euros (PPC: 47 787 euros); Inflação: 1,3%; Saldo orçamental (% PIB): -1,0; População: 17,1 milhões

As eleições gerais em março de 2017 levarão a uma mudança no governo, com os partidos populistas à esquerda e à direita a atrair o apoio dado até agora à "grande coligação" dos partidos em torno do centro. O Partido da Liberdade de extrema-direita sair-se-á bem, mas não encontrará parceiros prontos a avançar, de modo que a formação de coligações pós-eleitorais será prolongada, tendo como resultado esperado um governo fraco e fragmentado. A recuperação económica está bem enraizada e sobreviverá a um período de incerteza política.

A ver: As tecnologias de informação acontecem. O evento FITC de Amesterdão, marcado para fevereiro, abrangerá "o futuro da inovação, do design e de todas as coisas fixes relacionadas" (segundo o programa oficial).

Polónia

Crescimento do PIB: 2,9%; PIB per capita: 11 297 euros (PPC: 26 625 euros); Inflação: 1,6%; Saldo orçamental (% PIB): -3,3; População: 38,3 milhões

O governo liderado pelo Direito e Justiça, nominalmente chefiado pelo primeiro-ministro, Beata Szydlo, mas com o líder do partido, Jaroslaw Kaczynski, a deter realmente o poder, limará mais a solução política liberal instituída após o colapso do comunismo, mexendo com os tribunais, as forças de segurança e os meios de comunicação social. O governo entrará em crescente conflito com os seus parceiros da UE e uma grande parte do seu próprio eleitorado. As deserções resultantes, e um persistente mal-estar económico, podem levar o governo a um fim precoce, mas não em 2017.

Portugal

Crescimento do PIB: 1,3%; PIB per capita: 18 222 euros (PPC: 28 458 euros); Inflação: 1,5%; Saldo orçamental (% PIB): -2,3; População: 10,5 milhões

O governo do Partido Socialista (PS), sob a égide do primeiro-ministro, António Costa, goza do apoio parlamentar de três partidos mais à esquerda, mas terá dificuldades para honrar as promessas de inverter a austeridade pós-crise, devido ao crescimento económico lento e às regras orçamentais da UE. No entanto, o PS continua a ser mais popular do que a oposição de centro-direita e a sua dependência dos seus aliados parlamentares é mútua, havendo portanto pouca probabilidade de eleições antecipadas. A economia recuperará ligeiramente.

A ver: Esperar para ver. Apesar da pressão da esquerda para aliviar a austeridade, o governo aumentará a idade da reforma em janeiro - mais um mês, para 66 anos e 3 meses.

Reino Unido

Crescimento do PIB: 0,6%; PIB per capita: 34 728 euros (PPC: 40 772 euros); Inflação: 2,8%; Saldo orçamental (% PIB): -4,5; População: 65,3 milhões

Os próximos anos serão marcados pela formação de uma nova relação com a Europa e o resto do mundo, após a votação britânica para deixar a UE. A votação não estipulou termos de saída, mas o Reino Unido espera um acordo que preserve um certo grau de acesso ao mercado único da Europa, permitindo simultaneamente a contenção da circulação de pessoas. A economia precisará de estímulo à medida que os efeitos de abrandamento do brexit se comecem a fazer notar. Com a política do banco central próxima da exaustão, o ónus do estímulo passará para a política fiscal.

A ver: Solução de compromisso. Um acordo de compromisso para o brexit necessitará da ratificação popular, quer através de um novo referendo, quer através de eleições antecipadas. Os adeptos da saída da linha dura sentir-se-ão traídos.

República Checa

Crescimento do PIB: 2,5%; PIB per capita 17 332 euros (PPC: 33 176 euros); Inflação: 1,7%; Saldo orçamental (% PIB): -0,5; População: 10,6 milhões

Uma grande coligação maioritariamente centrista mantém o poder desde 2013 e os seus partidos constituintes competirão pela supremacia nas eleições parlamentares marcadas para outubro de 2017. O ANO, um partido centrista liderado por um empresário, Andrej Babis, o menor dos dois principais partidos da coligação, está à frente nas sondagens e estará bem posicionado para liderar o próximo governo, avançando com uma plataforma pró-negócios e conservadora a nível orçamental. Atrelada a um robusto mercado alemão, a recuperação económica avançará, ajudada por uma indústria automóvel em alta velocidade.

Roménia

Crescimento do PIB: 3,4%; PIB per capita: 9 618 euros (PPC: 23 060 euros); Inflação: 2,2%; Saldo orçamental (% PIB): -3,2; População: 19,2 milhões

O governo interino formado após protestos públicos terem derrubado o regime eleito em 2015 deveria ser substituído após as eleições no final de 2016, provavelmente por uma ampla mas fraca coligação, refletindo o descontentamento político generalizado dos eleitores. A burocracia estatal é excessiva, e a reversão das modestas reformas após a crise financeira aumentará o défice orçamental, embora o aumento no consumo daí resultante vá permitir que a economia supere o resto da União Europeia, por enquanto.

Rússia

Crescimento do PIB: 0,7%; PIB per capita: 9417 euros (PPC: 23 563 euros); Inflação: 5,7%; Saldo orçamental (% PIB): -2,2; População: 146,4 milhões

O regime autoritário, antiocidental de Vladimir Putin, entrará no seu 18.º ano com poucos sinais de enfraquecimento. O descontentamento popular diminui e as mais pequenas recuperações económicas em 2017, após dois anos de contração, persuadirão alguns que os bons tempos estão de volta. Ainda assim, o controlo centralizado dos órgãos do Estado, um cuidadoso equilíbrio de poder entre fações da elite e a própria popularidade pessoal de Putin significam que o regime está para durar. Os padrões de vida vão diminuir à medida que os recursos forem orientados para a sustentação do regime. As sanções económicas da UE contra a Rússia, em resposta à agressão de Moscovo na Ucrânia, serão prorrogadas a partir de janeiro de 2017, enquanto as sanções de retaliação da Rússia permanecerão.

A ver: A ficar vazio. O Fundo de Reserva, um dos dois pecúlios orçamentais para os dias maus, vai acabar em 2017, aprofundando os cortes nos gastos.

Suécia

Crescimento do PIB: 2,5%; PIB per capita: 47 965 euros (PPC: 45 693 euros); Inflação: 0,9%; Saldo orçamental (% PIB): -0,3; População: 10,1 milhões

Um governo minoritário composto pelo Partido Social-Democrata (SAP) e o Partido Verde está vulnerável e poderá ser derrubado pela Aliança da oposição, de cuja aquiescência está dependente nesta legislatura. No entanto, as eleições antecipadas são improváveis, uma vez que provavelmente entregariam uma parcela de votos maior aos Democratas Suecos (SD) de direita, um anátema para os partidos mais moderados. A ansiedade popular com a imigração, a raiz da popularidade do SD, será aguda, apesar da política mais rigorosa e do aumento nos gastos com serviços de imigração. O brexit vai prejudicar a procura externa, mas o consumo doméstico vai impulsionar a economia.

Suíça

Crescimento do PIB: 1,5%; PIB per capita: 75 270 euros (PPC: 61 094 euros); Inflação: 0,5%; Saldo orçamental (% PIB): 0,2; População: 8,2 milhões

O governo de coligação de quatro partidos é obrigado por um referendo de 2014 a impor restrições à imigração até fevereiro de 2017, potencialmente violando acordos com a UE sobre liberdade de circulação. A câmara baixa do Parlamento aprovou uma medida de aplicação "leve" no final de 2016, que deveria levar a um acordo com a UE. Uma abordagem consensual à formulação de políticas significa que haverá pouco drama em torno da gestão da economia. Todas as reformas incidirão no equilíbrio do orçamento ao longo do ciclo económico.

Turquia

Crescimento do PIB: 3,3%; PIB per capita: 9140 euros (PPC: 20 287 euros); Inflação: 7,2%; Saldo orçamental (% PIB): -2,0; População: 77,9 milhões

Um golpe fracassado em 2016 consolidou o apoio popular ao governo do partido moderadamente islâmico AKP do presidente Recep Tayyip Erdogan. Também proporcionou uma oportunidade para uma purga dos oponentes do regime. À luz da tentativa de golpe, Erdogan vai redobrar esforços para centralizar o controlo do Estado no seu gabinete, uma ambição de longa data. Se a mudança constitucional não puder ser acordada com a oposição, o presidente pode optar por eleições parlamentares antecipadas.

A ver: Quadros militares reduzidos. Cerca de um terço dos oficiais generais do país foi sacrificado na purga pós-golpe e a Turquia terá dificuldades para concretizar uma complexa estratégia militar dentro e fora das suas fronteiras.

Ucrânia

Crescimento do PIB: 2,6%; PIB per capita: 1851 euros (PPC: 8087 euros); Inflação: 9,8%; Saldo orçamental (% PIB): -3,5; População: 42,4 milhões

Abalado pela anexação da Crimeia pela Rússia e um impasse agitado com os separatistas apoiados por Moscovo no Leste do país, o governo esforçou-se para avançar com reformas administrativas e económicas. A recuperação de uma recessão profunda começará a enraizar-se em 2017. A estabilidade económica fortalecerá o governo, permitindo alguma aceleração nas reformas, embora o desalojamento das oligarquias instaladas vá demorar uma geração. As eleições antecipadas são possíveis porque o governo procura apostar nos ganhos económicos.

A ver: Cantigas. A Ucrânia vai acolher o 62.º Festival da Eurovisão depois de a sua cantora Jamala ter vencido a edição de 2016 com uma canção que criticava a agressão russa na Crimeia.

PERSONALIDADE

Se o governo grego do Syriza, de esquerda, perder a sua maioria parlamentar de três lugares devido a um novo plano de austeridade - que a UE está a exigir em troca de ajuda financeira -, então o partido de centro-direita Nova Democracia, e o seu líder Kyriakos Mitsotakis, assumirá a tarefa de cumprir as obrigações da Grécia na sequência de eleições antecipadas. Aplicar este terceiro plano de resgate pode ser ainda mais punitivo politicamente do que os dois primeiros. Filho de um antigo primeiro-ministro, Mitsotakis, pode ter nas suas mãos o futuro da Grécia na zona euro, bem como o futuro da própria zona euro.

ÁSIA

Austrália

Crescimento do PIB: 2,9%; PIB per capita: 47 888 euros (PPC: 45 488 euros); Inflação: 2,2%; Saldo orçamental (%PIB): -1,8; População: 24,6 milhões

A coligação Liberal-Nacional ganhou um segundo mandato nas eleições de meados de 2016, mas viu a sua maioria da câmara baixa reduzida a um único assento. O problema real será na câmara alta, onde o governo tem de contar com o apoio de independentes fortes. As eleições de 2016 foram convocadas quando as câmaras não conseguiram chegar a acordo sobre uma série de projetos de lei do governo; dada a fragmentação no Parlamento, não podem ser descartadas novas eleições. A economia vai ignorar a política, já que o investimento na capacidade de mineração produz frutos e os consumidores estão otimistas.

Bangladesh

Crescimento do PIB: 6,4%; PIB per capita: 1377 euros (PPC: 3546 euros); Inflação: 5,8%; Saldo orçamental (% PIB): -5,3; População: 166,2 milhões

O governo da Liga Awami goza de liberdade legislativa desde que a principal oposição, o Partido Nacionalista do Bangladesh, boicotou as últimas eleições. A oposição política é expressa nas ruas, no entanto, na forma de greves e manifestações, travando o entusiasmo empresarial. Mesmo assim, a economia está em forte expansão, já que o governo incentiva o investimento privado e o consumo beneficiará do progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Cazaquistão

Crescimento do PIB: 1,5%; PIB per capita: 7202 euros (PPC: 23 293 euros); Inflação: 6,4%; Saldo orçamental (% PIB): -2,2; População: 18,1 milhões

Nursultan Nazarbayev, líder desde a era soviética, garante a estabilidade através de uma combinação de clientelismo e coação. No entanto, a falta de oposição credível e a ausência de um processo claro de sucessão significam que esta estabilidade é depositada na pessoa do líder de 76 anos e não está garantida para além do seu mandato. Um declínio acentuado nas receitas do petróleo e um enfraquecimento da moeda têm suprimido a procura interna, e os planos de reforma, incluindo a privatização, serão deixados para trás a favor da proteção dos empregos e dos rendimentos.

A ver: A conta do médico. Os empregadores vão preparar-se para o início das contribuições obrigatórias para o seguro de saúde em julho.

China

Crescimento do PIB: 6,0%; PIB per capita: 7852 euros (PPC: 15 867 euros); Inflação: 2,1%; Saldo orçamental (% PIB): -4,2; População: 1,37 mil milhões

A economia está a desacelerar à medida que passa de um modelo de investimento baseado nas exportações para uma abordagem de gastos por consumo, mas nem as reformas económicas nem as políticas estão a acompanhar os requisitos da transformação. Os desafios continuam a ser o deflacionar das bolhas de ativos impulsionadas pelo crédito, deslocalizar e reavaliar a força de trabalho e injetar o pluralismo no cenário político e social. Mas todas essas reformas são superadas pela prioridade primordial de preservar o poder do Partido Comunista Chinês. No exterior, as tensões sobre a influência territorial e económica crescerão à medida que o governo optar por uma estratégia mais musculada.

A ver: Mudança em Pequim. Xi Jinping, o presidente do partido, está a construir uma estrutura de poder centralizada e personalizada. Uma reorganização programada do Politburo dará algumas indicações do que reserva o futuro.

Coreia do Sul

Crescimento do PIB: 2,6%; PIB per capita: 25 899 euros (PPC: 35 177 euros); Inflação: 1,5%; Saldo orçamental (% PIB): -0,8; População: 50,7 milhões

A presidente Park Geun-hye enfrenta um processo de impugnação, votado pelo Parlamento no passado dia 9. O Tribunal Constitucional tem 180 dias para confirmar ou rever a decisão dos deputados, resultado de suspeitas de corrupção, fraude e abuso de poder por uma confidente da presidente, Choi Soon-sil, que está a ser investigada. O previsível são presidenciais antecipadas, com a má imagem de Park e do seu partido, Saenuri (conservador), a refletirem-se no resultado final. O Saenuri tentará ainda encontrar um candidato de substituição. O governo, que prometeu a liberalização e reformas económicas, também não cumpriu e o seu desempenho tem sido uma desilusão. Atingida por uma desaceleração do comércio global, a economia vai depender de estímulo orçamental para estimular a procura interna e impulsionar o crescimento.

Filipinas

Crescimento do PIB: 6,3%; PIB per capita: 2944 euros (PPC: 7771 euros); Inflação: 2,9%; Saldo orçamental (% PIB): -1,3; População 103,8 milhões

A economia vive um período sustentado de recuperação e o governo do presidente Rodrigo Duterte, eleito com um forte mandato em meados de 2016, permanecerá fiel às políticas que deram frutos até agora, incluindo a melhoria das infraestruturas e a atração de investimentos privados. A política de liquidação física de criminosos e traficantes, testada no terreno durante o mandato de Duterte como presidente da câmara da cidade de Davao, no Sul do país, atingirá os seus objetivos, mas enfraquecerá as instituições estatais e o Estado de direito e poderá impedir o processo de recuperação económica.

Hong Kong

Crescimento do PIB: 1,9%; PIB per capita: 41 311 euros (PPC: 55 706 euros); Inflação: 2,2%; Saldo orçamental (% PIB): 0,5; População: 7,4 milhões

O sistema eleitoral dá origem a que os partidários pró-democracia e pró-independência estejam mal representados no Parlamento do território, o Conselho Legislativo, mas estes estão a conseguir uma proporção crescente dos votos, enquanto o presidente do executivo, Leung Chun-ying, nomeado por Pequim, é cada vez mais impopular. Com o governo chinês a dirigir o jogo, há poucas perspetivas de reforma política, mas o protesto popular irá perturbar a vida dos negócios. A economia vai recuperar de uma baixa em 2016, mas a desaceleração da economia continental e o lento crescimento do comércio global ditarão o futuro.

Índia

Crescimento do PIB: 7,5%; PIB per capita: 1649 euros (PPC: 6617 euros); Inflação: 5,1%; Saldo orçamental (% PIB): -3,6; População: 1,34 mil milhões

A Índia está a desfrutar de uma expansão económica sustentada, obscurecida pela sensação de que poderia fazer melhor se o investimento fosse mais forte e as infraestruturas melhores. Parte do problema é que o governo de coligação, dominado pelo Partido Bharatiya Janata com o primeiro-ministro Narendra Modi, não tem maioria na câmara alta, minando a sua capacidade de concretizar totalmente o seu programa económico. A reforma continuará - um imposto nacional sobre as vendas entrará em vigor em 2017, e as leis de falência estão a ser revistas - mas o foco do governo na segunda metade do seu mandato passará para a questão da reeleição.

Indonésia

Crescimento do PIB: 5,3%; PIB per capita: 3960 euros (PPC: 11 661 euros); Inflação: 4,1%; Saldo orçamental (% PIB): -2,0; População: 260,6 milhões

Depois de um início vacilante, a administração do presidente Joko Widodo está a avançar com um amplo programa de reformas económicas pró-mercado, incluindo aprovações simplificadas para grandes projetos de infraestruturas e aprovações mais rápidas de licenças de negócios. No entanto, grandes investimentos permaneceram reféns da burocracia e de atrasos na sua concretização, que não devem ser resolvidos. Um mandato para enfrentar uma cultura de corrupção continuará em grande parte a ser letra morta. A economia será impulsionada pelo investimento em infraestruturas, pelo apoio à indústria após a queda nos preços das matérias-primas e pelo namoro ao investimento estrangeiro.

Japão

Crescimento do PIB: 0,4%; PIB per capita: 36 371 euros (PPC: 36 554 euros); Inflação: 0,4%; Saldo orçamental (% PIB): -7,0; População: 126,0 milhões

Gozando de uma maioria de dois terços em ambas as câmaras do Parlamento, o governo pode gastar um tempo considerável durante o resto do mandato, argumentando a favor de uma Constituição menos pacifista, embora não haja garantia de que a aprovação parlamentar seria ratificada através do referendo necessário. Apesar da posição reforçada do governo de coligação do primeiro-ministro Shinzo Abe, a reforma económica vai perder impulso. O pacote de políticas de reformas monetária, fiscal e estrutural conhecido como Abenomics vai durar, mas o impulso pretendido para o crescimento permanecerá esquivo.

Malásia

Crescimento do PIB: 4,5%; PIB per capita: 9433 euros (PPC: 27 509 euros); Inflação: 2,3%; Saldo orçamental (% PIB): -3,1; População: 31,2 milhões

O mandato da coligação Barisan Nasional (BN) não termina até 2018, mas poderão ser convocadas eleições em meados de 2017. O seu líder, o primeiro-ministro Najib Razak, está a enfrentar pressões para se demitir devido a acusações de más práticas numa empresa estatal. O seu vice, Ahmad Zahid Hamidi, poderia tomar posse depois de a BN vencer as eleições. Confrontado com uma oposição fraca, o governo vai prosseguir as reformas destinadas a erguer a Malásia ao estatuto de país de alto rendimento, embora os baixos preços do petróleo venham a retardar o processo. A economia vai crescer, mas mais lentamente do que no início da década.A ver: Jogos da independência. Kuala Lumpur, a capital, vai receber os Jogos do Sudeste Asiático em agosto, coincidindo com o 60.º aniversário da independência do país.

Nova Zelândia

Crescimento do PIB: 3,3%; PIB per capita: 36 418 euros (PPC: 36 108 euros); Inflação: 1,4%; Saldo orçamental (% PIB): 1,2; População: 4,8 milhões

O governo de centro-direita do Partido Nacional do primeiro-ministro John Key cumpria um terceiro mandato consecutivo quando este, a 5 de dezembro, anunciou a demissão da liderança do executivo e do partido. Foi substituído por Bill English até às próximas eleições, em novembro. A prioridade será o restabelecimento do equilíbrio orçamental, o aprofundamento da integração no comércio internacional de economia aberta e as políticas de estímulo à criação de postos de trabalho. Os preços dos produtos lácteos parecem ter atingido o fundo, mas permanecerão bem abaixo dos máximos de 2013-14.

A ver: Teto da dívida. As baixas taxas de juro levaram a uma bolha imobiliária, que o governo vai tentar conter para que não envenene o ambiente eleitoral.

Paquistão

Crescimento do PIB: 5,1%; PIB per capita: 1462 euros (PPC: 5211 euros); Inflação: 5,2%; Saldo orçamental (% PIB): -4,8; População: 196,7 milhões

A Liga Muçulmana do Paquistão, do primeiro-ministro Nawaz Sharif, mantém uma confortável maioria na câmara baixa, mas enfrenta uma oposição agressiva e é vulnerável a acusações de favoritismo entre as quatro províncias do país. Embora desejoso de melhorar as infraestruturas e de prosseguir os laços comerciais com a China, o governo revelou-se menos eficaz na segurança nas zonas remotas. O exército, já ativo na vida pública, alargará a sua influência nesta área das relações externas.

A ver: Reação às bombas. Os ataques terroristas contra os centros urbanos podem intensificar-se se as movimentações para negociações diretas com setores mais moderados dos talibãs paquistaneses fizerem progressos.

Singapura

Crescimento do PIB: 2,7%; PIB per capita: 48 691 euros (PPC: 82 647 euros); Inflação: 0,8%; Saldo orçamental (% PIB): 0,8; População: 5,8 milhões

O Partido de Ação Popular (PAP) viu baixar o seu apoio nas eleições de 2015 e continuará com políticas destinadas a fortalecer a sua popularidade, incluindo investimentos em habitação social, saúde e transportes públicos. O reforço do estatuto do território como centro de comércio mundial através de maiores instalações portuárias é também uma prioridade. Nos bastidores, o PAP vai preocupar-se numa estratégia de sucessão, dadas as preocupações sobre a saúde do primeiro-ministro, Lee Hsien Loong. A economia vai recuperar de uma quebra causada pela desaceleração do comércio global.A ver: Prudência. O governo deve caminhar cautelosamente entre a oposição popular à imigração e a necessidade de mão-de-obra estrangeira, uma vez que a taxa de natalidade está abaixo da reposição da população.

Sri Lanka

Crescimento do PIB: 5,1%; PIB per capita: 3718 euros (PPC: 11 930 euros); Inflação: 4,2%; Saldo orçamental (% PIB): -4,7; População: 22,0 milhões

Um governo de unidade nacional composto por dois rivais de longa data, o Partido Nacional Unido e o Partido da Liberdade do Sri Lanka, conseguirá alguns progressos num programa de reformas introduzido após a vitória na guerra civil com os separatistas tâmiles, projetado sob os auspícios do FMI. O principal desafio será manter ambos os partidos a colaborarem enquanto uma nova Constituição é elaborada e aprovada. A economia continuará suportada pelos dividendos da paz, e as medidas para melhorar os padrões de vida produzirão um crescimento interessante.

Tailândia

Crescimento do PIB: 3,0%; PIB per capita: 5649 euros (PPC: 16 797 euros); Inflação: 0,7%; Saldo orçamental (% PIB): -2,8; População: 67,7 milhões

O exército administrará cuidadosamente a ascensão do príncipe herdeiro Vajiralongkorn, que subiu ao trono em dezembro de 2016. Os planos para o exército devolver o governo a uma administração eleita serão adiados, já que a junta aposta na estabilidade. O plano de desenvolvimento de longo prazo, que está a ser elaborado pelo governo nomeado pelo exército, estabelecerá a agenda económica e o crescimento será moderado, mas estável.

A ver: Menos majestade. O comportamento por vezes bizarro do príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn levantou dúvidas sobre a sua capacidade de assumir o lugar do pai, mas os generais podem estar mais preocupados com a simpatia que mostrou em relação ao movimento dos Camisas Vermelhas, que o golpe militar expulsou do poder em 2014.

Taiwan

Crescimento do PIB: 1,7%; PIB per capita: 20 692 euros (PPC: 46 186 euros); Inflação: 1,6%; Saldo orçamental (% PIB): -0,6; População: 23,5 milhões

O governo do Partido Democrático Progressista emergiu das eleições de 2016 com o controlo tanto da presidência como da legislatura e está bem posicionado para avançar com uma agenda política complexa. A nível interno, centra-se no estabelecimento de zonas económicas especiais para impulsionar indústrias estratégicas e elevar o nível de vida da geração mais jovem. O impasse nas relações com a China, no entanto, esmorece as perspetivas para a cooperação empresarial entre os dois lados do Estreito. O crescimento económico será desinteressante, mas melhor do que em 2016.A ver: Bits e Bots. O Congresso Mundial de Tecnologias da Informação irá realizar-se em Taipei em setembro.

Usbequistão

Crescimento do PIB: 4,4%; PIB per capita: 2011 euros (PPC: 6030 euros); Inflação: 12,5%; Saldo orçamental (% PIB): 0,1; População: 32,3 milhões

O sistema político enfrentou um sério teste, em setembro de 2016, quando o presidente Islam Karimov morreu de uma hemorragia cerebral. O primeiro-ministro Shavkat Mirziyoyev foi nomeado presidente em exercício e terá uma gloriosa vitória nas presidenciais de dezembro de 2017, umas eleições controladas pelo Estado que ficará muito aquem do cumprimento das normas internacionais. Não é provável que haja mudanças significativas nas políticas sob a nova presidência. As perspetivas de crescimento para 2016 são fracas, uma vez que a crise regional tem contraído a procura externa e as remessas do exterior, enquanto os preços das matérias-primas permanecem baixos.

Vietname

Crescimento do PIB: 6,6%; PIB per capita: 2089 euros (PPC: 6310 euros); Inflação: 3,4%; Saldo orçamental (% PIB): -4,3; População: 95,4 milhões

O Estado de partido único enfrenta poucos desafios externos, mas os interesses adquiridos e as diferenças ideológicas dentro do partido são uma fonte de instabilidade. A oposição pública também está em ascensão, particularmente sobre as atividades de Pequim no Mar da China do Sul. O governo não vai ter muita margem de manobra entre corresponder às expectativas populares de uma resposta musculada e preservar os laços comerciais com a China. Da mesma forma, deve instituir sindicatos para cumprir as condições para o acordo comercial Parceria Transpacífico, mas será cauteloso no que toca a permitir aos trabalhadores uma voz demasiado poderosa. A expansão significativa da economia parece adquirida por bastante tempo.

PERSONALIDADE

Se ela fosse apenas a primeira governadora de Tóquio, Yuriko Koike teria um ano muito atarefado, na preparação dos Jogos Olímpicos de 2020, a recuperar uma administração da cidade atingida por escândalos ligados à realização dos Jogos e a combater o paternalismo tradicional. Uma agenda muito exigente, mesmo para uma política veterana e ex-ministra da Defesa que gosta de referir Margaret Thatcher como influência. Mas a sua ambição vai bem para além dos limites da cidade. Forçada a candidatar-se como independente quando o seu Partido Liberal Democrático indicou outra pessoa para o cargo, Yuriko Koike mantém um relacionamento difícil com o líder do partido e primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e concebe a capital como rampa de lançamento para uma carreira política num palco mais vasto.

AMÉRICA DO NORTE

Canadá

Crescimento do PIB: 2,2%; PIB per capita: 42 507 euros (PPC: 43 348 euros); Inflação: 2,0%; Saldo orçamental (% PIB): -3,1; População: 36,6 milhões

O primeiro-ministro Justin Trudeau, e o seu governo do Partido Liberal, possuem uma confortável maioria parlamentar para continuar com as reformas institucionais e económicas destinadas a apoiar a classe média e as comunidades indígenas, assim como a melhorar as infraestruturas de transportes e a disponibilidade de habitação, esta última, em parte, para combater uma imensa bolha imobiliária. O custo de tudo isso vai aparecer num défice orçamental cada vez maior. No exterior, a construção de uma relação com o novo presidente da América será a prioridade.

A ver: Reforma eleitoral. Os liberais querem mudar o sistema eleitoral para as eleições de 2019, mas ainda terão de aprovar legislação em maio para o poderem fazer.

Estados Unidos

Crescimento do PIB: 2,3%; PIB per capita: 55 270 euros (PPC: 55 269 euros); Inflação: 2,1%; Saldo orçamental (%PIB): -3,2; População: 326,5 milhões

A desigualdade de rendimentos e o sofrimento da classe média dominaram a campanha eleitoral, mas os americanos - inclusive os que estão no fundo da tabela - tiveram aumentos de rendimentos surpreendentemente robustos nos últimos tempos. Os empregadores adicionarão mais dois milhões de empregos, em 2017, aos 14 milhões criados a partir de 2011, atraindo mais pessoas no desemprego para o mercado de trabalho. Isso animará as pessoas, mas as empresas, que não têm investido muito, aguardarão a orientação do novo presidente e do Congresso. Uma área potencial de acordo bipartidário: novos gastos com infraestruturas para melhorar as estradas, as pontes e os portos da América. Isso aumentaria a produtividade, que tem diminuído.

México

Crescimento do PIB: 2,5%; PIB per capita: 8001 euros (PPC: 17 002 euros); Inflação: 3,4%; Saldo orçamental (% PIB): -2,6; População: 130,2 milhões

O presidente, Enrique Peña Nieto, vai trabalhar duramente para concretizar as reformas estruturais na sua totalidade - na energia, na educação e nas telecomunicações - aprovadas no início do seu mandato, embora o apoio ao seu governo seja fraco. Os problemas políticos de Peña Nieto serão complicados por um crescimento económico insuficiente, um aumento da pobreza e restrições orçamentais resultantes da fraca receita petrolífera. A luta perene contra a corrupção institucional e as ameaças à segurança não desaparecerão - o número de homicídios está a aumentar, assim como a tortura generalizada de detidos pela polícia e assassinatos extrajudiciais por parte das forças de segurança como parte da guerra contra os cartéis. Isto junta-se à frustração popular com uma presidência que em tempos prometeu tanto.A ver: Pasión Morena. Andrés Manuel López Obrador, veterano de duas candidaturas presidenciais fracassadas, vai jogar a cartada do antissistema à frente do seu movimento radical de esquerda, Morena.

PERSONALIDADE

Bill Morneau, ministro das Finanças do Canadá e professor de Política Económica por de trás do telegénico primeiro-ministro Justin Trudeau, está a fazer pender o governo para uma postura orçamental expansionista, uma mudança radical no pensamento da austeridade adotada em grande parte do mundo desenvolvido como antídoto para a crise financeira. A agenda pró-crescimento é um sucesso junto dos eleitores, e também foi endossada por esse modelo de parcimónia que é o FMI. Com outros governos ocidentais a emitirem agora ruídos semelhantes, Morneau, que reconstruiu o negócio familiar de consultoria antes de entrar na política, está a instituir-se como o arquiteto de um novo New Deal.

AMÉRICA LATINA

Argentina

Crescimento do PIB: 2,8%; PIB per capita: 12 420 euros (PPC: 20 985 euros; )Inflação: 21,6%; Saldo orçamental (% PIB): -4,9; População: 44,0 milhões

Enfrentar as distorções económicas legadas pelo governo de Cristina Kirchner está a criar dificuldades e a testar a paciência dos eleitores, mas o presidente Mauricio Macri vai prosseguir neste caminho, com um certo grau de apoio do parlamento dominado pela oposição. O governo vai ajustar o ritmo das reformas para manter os eleitores ao seu lado, e um novo sistema universal de saúde vai ajudar a isso. A economia vai crescer depois de recuar em 2016.

Bolívia

Crescimento do PIB: 3,9%; PIB per capita: 3268 euros (PPC: 7051 euros); Inflação: 4,6%; Saldo orçamental (% PIB): -4,0; População: 11,1 milhões

O presidente esquerdista, Evo Morales, a meio do seu terceiro mandato sucessivo, goza de liberdade substancial na formulação de políticas graças a uma oposição fraca e dividida, mas os grupos sociais desapontados com o governo estão dispostos a lançar protestos na rua. As exportações de gás natural têm apoiado um forte crescimento e o aumento dos preços em 2017 proporcionará um novo impulso. O governo também reabasteceu as reservas internacionais do país, o que será útil se o défice da conta-corrente não diminuir.

Brasil

Crescimento do PIB: 1,0%; PIB per capita: 8893 euros (PPC: 14 587 euros); Inflação: 5,5%; Saldo orçamental (% PIB): -6,9; População: 207,7 milhões

Michel Temer, que assumiu o cargo de presidente para substituir Dilma Rousseff, impugnada em 2016, cumprirá o restante do mandato presidencial que termina em 2018. Irá prosseguir uma agenda baseada no mercado e destinada a corrigir as distorções introduzidas pelo governo de Rousseff e pôr a economia em crescimento sustentável. Depois de um forte declínio em 2016, a economia vai expandir-se modestamente à medida que a confiança dos consumidores e das empresas regressar.

A ver: Temer-oso. A grande investigação sobre irregularidades financeiras na Petrobras, a empresa estatal de petróleo, poderá afetar ainda o atual presidente.

Chile

Crescimento do PIB: 2,1%; PIB per capita: 13 110 euros (PPC: 22 021 euros); Inflação: 3,3%; Saldo orçamental (% PIB): -2,0; População: 18,3 milhões

A presidente Michelle Bachelet está a sofrer de baixos índices de popularidade, mas com a oposição desorganizada, a sua coligação Nueva Mayoría deve ganhar um terceiro mandato em novembro de 2017, sendo o candidato mais provável o ex-presidente Ricardo Lagos. Uma economia em desaceleração, resultado em parte dos preços baixos das matérias-primas que o Chile exporta, vai reduzir o espaço para as prioridades políticas, como a melhoria das pensões e cuidados de saúde, mas Bachelet persistirá nas suas políticas.

Colômbia

Crescimento do PIB: 2,7%; PIB per capita: 5894 euro (PPC: 13 775 euro); Inflação: 3,5%; Saldo orçamental (% PIB): -2,8; População: 49,1 milhões

A incerteza paira sobre um acordo com a guerrilha das FARC para acabar com uma insurreição de mais de 50 anos, depois de os seus termos terem sido rejeitados num referendo no final de 2016 e de um novo acordo ter sido assinado (e sem ser submetido a referendo). A questão ocupará o presidente Juan Manuel Santos e o seu governo durante grande parte do que resta do seu mandato, mas é improvável que haja um retorno às hostilidades. A economia vai beneficiar no longo prazo, mas em 2017 vai ter dificuldades em afastar os efeitos dos fracos rendimentos com os preços em queda da maioria das matérias-primas.A ver: Esperança no Papa. Os fiéis estarão a rezar por uma visita papal. O Papa Francisco prometeu que iria à Colômbia, mas somente depois de o acordo de paz com as FARC ter sido assinado.

Cuba

Crescimento do PIB: 1,0%PIB per capita 7955 euros (PPC: 12 346 euros); Inflação 4,8%; Saldo orçamental (% PIB) -4,0; População 11,2 milhões

A evolução da revolução será sempre cautelosa à medida que a geração de 59 se prepara para transmitir o poder. O primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, parece ser o sucessor mais provável de Raúl Castro, o presidente, mas não até 2018. As reformas liberalizadoras ganharão gradualmente força e a atividade do setor privado contribuirá para o crescimento da economia. Em 2017, o interesse das empresas e do turismo vindo da América reduzirão o impacto do declínio das entradas de valores provenientes da Venezuela.A ver: Bons tempos em Havana. A capital cubana será anfitriã de uma celebração da mais famosa exportação da ilha, os charutos, no Festival del Habano, em fevereiro.

Equador

Crescimento do PIB -1,3%; PIB per capita 5989 euros (PPC: 10 852 euros); Inflação 1,4%; Saldo orçamental (% PIB) -2,9; População 15,9 milhões

O governo da Alianza PAÍS goza da vantagem de uma oposição dividida e tem garantido outro mandato nas eleições previstas para fevereiro. Rafael Correa, presidente desde 2007, só liderará o próximo governo se a limitação constitucional ao número de mandatos for levantado. Mas continuará a ser, de qualquer forma, uma poderosa influência. É provável que existam protestos enquanto o governo prossegue políticas financeiras restritivas. A economia continuará em contração.

Paraguai

Crescimento do PIB 3,6%; PIB per capita 4034 euros (PPC: 9162 euros); Inflação 3,4%; Saldo orçamental (% PIB) -1,5; População 6,8 milhões

O presidente Horácio Cartes enfrenta uma oposição agressiva, que inclui uma ala dissidente dentro do seu próprio Partido Colorado, e há pouca possibilidade de progresso na agenda de reformas administrativas e investimentos em infraestruturas. Os dissidentes, em ligação com o principal partido da oposição, tentarão bloquear as tentativas de Cartes de acabar com a interdição constitucional a um segundo mandato, caso em que abordará as eleições em 2018 enfraquecido. A economia vai recuperar, enquanto o Brasil e a Argentina deixam para trás os seus problemas mais graves.

Peru

Crescimento do PIB 4,2%; PIB per capita 6331 euros (PPC: 11 552 euros); Inflação 3,1%; Saldo orçamental (% PIB) -2,5; População 31,8 milhões

O governo de centro-direita Peruanos por el Kambio, sob o presidente Pedro Pablo Kuczynski, está em minoria no Congresso e contará com a tolerância de uma oposição hostil para aprovar leis. Mas um amplo consenso apoiará as políticas económicas liberais que alimentaram um forte período de crescimento. O fim do aumento das matérias-primas criou problemas, mas a nova produção e um intenso programa de investimentos em infraestruturas sustentarão o crescimento em 2017.

Uruguai

Crescimento do PIB 1,1%; PIB per capita 14 696 euros (PPC: 20 387 euros); Inflação 8,6%; Saldo orçamental (% PIB) -3,2; População 3,4 milhões

O presidente Tabaré Vázquez enfrenta uma forte oposição de fações de extrema-esquerda no seu partido, a Frente Amplio, anulando as vantagens de uma clara maioria parlamentar e lutará para avançar com uma plataforma de reformas educacionais e fiscais. Aumentos de impostos e aumentos de preços dos serviços serão usados para resolver um preocupante desequilíbrio orçamental. A recuperação lenta na Argentina e no Brasil ajudará a aumentar o crescimento acima do nível de 2016, mas não por muito.

Venezuela

Crescimento do PIB -7,3%; PIB per capita 23 014 euros (PPC: 11 786 euros); Inflação 484,3%; Saldo orçamental (% PIB) -20,2; População 31,3 milhões

A presidência de Nicolás Maduro provavelmente não chegará ao fim oficial do seu mandato em 2018, mas a forma como acabará, ordenada ou violentamente, só ficará clara à medida que a decadência caótica do país se acelerar em 2017. O consumo e o investimento estão ambos em declínio acentuado, enquanto uma economia dependente da vastidão do setor público luta com os preços do petróleo muito abaixo dos custos de produção. Mesmo com uma mudança de liderança, nenhuma recuperação económica é viável antes de 2018, no mínimo.

MÉDIO ORIENTE E ÁFRICA

África do Sul

Crescimento do PIB 1,4%; PIB per capita 5071 euros (PPC: 12 944 euros); Inflação 5,6%; Saldo orçamental (% PIB) -3,1; População 55,4 milhões

O Congresso Nacional Africano (ANC), há muito dominante no governo, está a lamber as feridas depois de ter tido um mau desempenho nas eleições municipais deste ano e enfrentará um severo desafio nas eleições gerais de 2019 de uma oposição fortalecida. Entretanto, as autoridades devem manter a disciplina tanto na política orçamental como na política monetária para conter a inflação e proteger o nível de investimento do país nos mercados internacionais.

Angola

Crescimento do PIB 3,0%; PIB per capita 3354 euros (PPC: 6939 euros); Inflação 16,6%; Saldo orçamental (% PIB) -3,9; População 26,7 milhões

José Eduardo dos Santos não será candidato às presidenciais de 2017, mas permanece o suspense sobre o seu futuro. Mesmo que renuncie em 2018, como o o prometeu fazer, não há indicações de que não deixe de exercer o poder de forma indireta. Como os baixos preços do petróleo reduzem os gastos do Estado necessários para satisfazer a classe média, os protestos vão aumentar. E não deixarão de prejudicar um ambiente de negócios fraco, mas sem criarem grandes dificuldades ao regime.

Arábia Saudita

Crescimento do PIB 1,7%; PIB per capita 22 258 euros (PPC: 52 709 euros); Inflação 4,1%; Saldo orçamental (% PIB) -7,9; População 31,9 milhões

O rei Salman bin Abdul-Aziz al-Saud vai delegar cada vez mais a tomada de decisões no seu filho, Muhammad bin Salman al-Saud, o príncipe herdeiro. O príncipe Muhammad vai prosseguir as grandes reformas destinadas a garantir o crescimento económico de longo prazo e a quebrar a dependência das exportações de petróleo, mantendo o poder da família real. Os preços ainda baixos do petróleo, embora estejam a subir, vão condicionar as finanças.

Argélia

Crescimento do PIB 1,7%; PIB per capita 3779 euros (PPC: 14 083 euros); Inflação 7,3%; Saldo orçamental (% PIB) -12,1; População 41,7 milhões

No cargo desde 1999, Abdelaziz Bouteflika enfrenta apenas uma ameaça ao seu controlo sobre a presidência: a sua própria saúde. A corrida para a sucessão vai distrair a elite política até a verdadeira competição começar. A ameaça do islamismo militante dentro e fora de fronteiras permeáveis será outro risco. As forças pró-regime vão ganhar as eleições parlamentares em maio e pode-se confiar nelas para exercerem o seu papel de conivência com as políticas do presidente.

Camarões

Crescimento do PIB 4,6%; PIB per capita 1216 euros (PPC: 3166 euros); Inflação 3,0%; Saldo orçamental (% PIB) -5,3; População 24,5 milhões

O presidente Paul Biya concentrar-se-á na sucessão enquanto se prepara para se afastar nas eleições de 2018, aos 85 anos. O poder permanecerá dentro do Rassemblement Démocratique du Peuple Camerounais, que domina instituições-chave. O governo vai pedir empréstimos para investir em infraestruturas e agricultura para compensar os baixos preços do petróleo, mantendo a economia em crescimento.

Egipto

Crescimento do PIB 4,8%; PIB per capita 2482 euros (PPC: 10 758 euros); Inflação 15,1%; Saldo orçamental (% PIB) -9,9; População 95,3 milhões

Optando pelo autoritarismo, o governo do presidente Abdel-Fattah al-Sisi enfrentará o crescente descontentamento público e uma economia morna. Os baixos preços do petróleo vão testar a generosidade dos apoiantes financeiros no Golfo e forçarão o governo a olhar mais longe. A falta de oposição organizada, seja de fações islâmicas ou do centro liberal, ajudará o regime a manter o controlo do poder.

Etiópia

Crescimento do PIB 5,1%; PIB per capita 556 euros (PPC: 1634 euros); Inflação 7,9%; Saldo orçamental (% PIB) -3,5; População 104,3 milhões

Uma seca atingiu em 2016 a agricultura, interferindo com um surto de crescimento económico de 12 anos, mas é previsível uma recuperação com o setor a reerguer-se. O foco do governo na resolução dos problemas de infraestruturas e na instalação de polos industriais trará um crescimento sustentado ao longo do tempo, embora aquém das suas projeções ambiciosas. A Frente Democrática Revolucionária do Povo da Etiópia vai manter o poder, mas sob contestação dos opositores de grupos étnicos marginalizados.A ver: Na mesa principal. A Etiópia começará o seu período de dois anos como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU a 1 de janeiro.

Irão

Crescimento do PIB 5,4%; PIB per capita 5738 euros (PPC: 18 230 euros); Inflação 9,0%; Saldo orçamental % PIB) -1,2; População 81,0 milhões

O presidente Hassan Rohani ganhará um segundo mandato nas eleições marcadas para maio, ajudado pelo impulso económico e político do acordo nuclear com o Ocidente. Com as sanções levantadas, mas os preços do petróleo ainda baixos, o governo vai concentrar-se em atrair investimento estrangeiro e conhecimentos para acelerar a produção o mais rapidamente possível. A economia responderá a isso e a um aumento gradual nos preços do petróleo com um forte crescimento.

Iraque

Crescimento do PIB 4,0%; PIB per capita 4934 euros (PPC: 14 382 euros); Inflação 2,9%; Saldo orçamental (% PIB) -1,1; População 38,4 milhões

O governo do primeiro-ministro, Haider al-Abadi, trabalhará com as forças curdas para destroçar o Estado Islâmico, mas lutará com os curdos pelo controlo das exportações de petróleo dos campos curdos. O governo dominado pelos xiitas terá a sua parcela de problemas com os sunitas em todo o país e também no Curdistão iraquiano. Mas o status quo deve manter-se até às eleições de 2018. A precária economia doméstica expandir-se-á sob um programa do FMI.

Israel

Crescimento do PIB 3,7%; PIB per capita 35 607 euros (PPC: 35 563 euros); Inflação 1,1%; Saldo orçamental (% PIB) -2,3; População 8,7 milhões

O governo de coligação de direita do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu é pesado e instável, mas deve chegar ao fim de 2017, quanto mais não seja porque a oposição está dividida. Com o conflito israelo-palestiniano ofuscado por outras batalhas regionais, Israel aproveitará a oportunidade para reestruturar as suas alianças, incluindo a parceria com a Arábia Saudita contra o seu rival comum, o Irão. O crescimento económico manterá o défice orçamental sob controlo.

Jordânia

Crescimento do PIB 2,4%; PIB per capita 4341 euros (PPC: 9638 euros); Inflação 3,7%; Saldo orçamental (% PIB) -7,1; População 8,7 milhões

O rei Abdullah II vai permitir uma modesta reforma política, mas apenas o suficiente para garantir que mantém o controlo sobre o poder, apoiado por um aparelho de segurança eficaz. O Estado vai desfrutar do apoio financeiro de aliados no Ocidente e no Golfo. O governo buscará melhorias no ambiente de negócios e nas perspetivas de emprego para uma força de trabalho ampliada pelo afluxo de refugiados.

A ver: Poder da energia. A agência nuclear russa, Rosatom, concluirá um estudo de viabilidade até meados de 2017 para a construção de duas centrais nucleares de 1.000 MWe na Jordânia.

Líbano

Crescimento do PIB 1,9%; PIB per capita 7369 euros (PPC: 13 915 euros); Inflação 2,2%; Saldo orçamental (% PIB) -9,1; População 6,3 milhões

Os acordos políticos destinados a equilibrar as fações opostas no Líbano estão a ser testados por mudanças de poder na região e pelo conflito na Síria. As eleições, adiadas desde 2013 e agora programadas para maio, vão dar origem a outra divisão na instável coligação ao longo das linhas sectárias (se vierem a acontecer). O banco central continuará a ser o motor da política económica, embora seja difícil aplicar as medidas que exigem o assentimento parlamentar.

Líbia

Crescimento do PIB 3,7%; PIB per capita 2996 euros (PPC: 13 766 euros); Inflação 2,1%; Saldo orçamental (% PIB) -3,2; População 326,5 milhões

A luta pelo controlo entre o Governo do Acordo Nacional, reconhecido pela ONU, em Trípoli e uma autoproclamada administração paralela no Leste do país não mostra sinais de estar terminada. O controlo de ambas as partes de partes da infraestrutura petrolífera, vital para a economia, permite a ambos os lados uma fonte estável de receita mas nega ao país uma base económica firme. Se o atrito obrigar os dois lados a negociar um acordo em 2017, a atenção voltar-se-á para a afirmação da autoridade sobre um território nacional fraturado e para a supressão das ações do Estado Islâmico.

Marrocos

Crescimento do PIB 3,3%; PIB per capita 2858 euros (PPC: 7901 euros)Inflação 2,4%; Saldo orçamental (%PIB) -3,8; População 35,2 milhões

O governo de Abdelilah Benkirane vai avançar com as reformas políticas mandatadas por uma renovada Constituição de 2011, mas o rei Mohammed VI continuará a ser o poder proeminente. A política económica promoverá o investimento no setor industrial-exportador e a agricultura recuperará após uma seca em 2016.

Nigéria

Crescimento do PIB 2,2%; PIB per capita 1742 euros (PPC: 5603 euros); Inflação 15,4%; Saldo orçamental (% PIB) -2,1; População 191,8 milhões

O setor petrolífero está bloqueado por uma legislação hostil ao mesmo tempo que a ameaça separatista no Delta do Níger, resultante de tensões de longo prazo sobre lealdades étnicas e religiosas, além das atividades do grupo islamita Boko Haram no Norte, aumentarão a sensação de instabilidade. A economia vai avançar, depois da recessão de 2016, com o aumento dos preços do petróleo e as condições das empresas a melhorarem ligeiramente.

Quénia

Crescimento do PIB 5,9%; PIB per capita 1444 euros (PPC: 3175 euros); Inflação 5,5%; Saldo orçamental (% PIB) -7,0; População 48,5 milhões

As eleições em agosto serão realizadas sob novas regras que devem reduzir o risco de violência. O presidente Uhuru Kenyatta procurará obter um segundo mandato, apoiado pelo recém-formado Jubilee Party, competindo com a Coalition for Reforms and Democracy liderada por um antigo primeiro-ministro, Raila Odinga. As campanhas dominarão a cena nacional, mas um importante conjunto de recentes reformas impulsionará a economia.

Síria

Crescimento do PIB -2,1%; PIB per capita 1040 euros (PPC: 3694 euros); Inflação 61,0%; Saldo orçamental (% PIB) -9,8; População 16,1 milhões

O terrível conflito na Síria, uma guerra sem quartel entre forças leais ao presidente Bashar al-Assad e dezenas de grupos rebeldes, que também lutam entre si enquanto procuram derrotá-lo, irá continuar. As forças externas terão capacidade limitada para determinar o fim do conflito. Muitos mais refugiados partirão na perigosa busca de segurança no exterior.

Zimbabué

Crescimento do PIB 4,5%; PIB per capita 864 euros (PPC: 1672 euros); Inflação 3,3%; Saldo orçamental (% PIB) -3,9; População 16,3 milhões

Com a política fechada na mão envelhecida de Robert Mugabe, de 92 anos, a população vai ter de esperar que a natureza siga o seu curso. Mesmo assim, sem um plano de transição claro, há poucas promessas de estabilidade. A economia recuperará em 2017 de uma recessão provocada pela seca, mas voltará à sua trajetória de crescimento abaixo da média depois disso.

PERSONALIDADE

Isabel dos Santos, nomeada pela Forbes como a mulher mais rica de África, é uma boa aposta para ser nomeada vice-presidente de Angola pelo seu pai, José Eduardo dos Santos, presidente desde 1979. Com um império empresarial pessoal que abrange as áreas bancária, das telecomunicações, dos diamantes e do retalho, Isabel dos Santos é também presidente da enorme empresa estatal de petróleo, Sonangol, que está no coração da economia. José Eduardo dos Santos prometeu deixar o governo em 2018 e o MPLA aprovou o nome do ministro da Defesa, general João Lourenço, como candidato presidencial, mas a ausência de detalhes deixa muita coisa em aberto.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

As culpas de Sánchez no crescimento do Vox

resultado eleitoral do Vox, um partido por muitos classificado como de extrema-direita, foi amplamente noticiado em Portugal: de repente, na Andaluzia, a mais socialista das comunidades autónomas, apareceu meio milhão de fascistas. É normal o destaque dado aos resultados dessas eleições, até pelo que têm de inédito. Pela primeira vez a esquerda perdeu a maioria e os socialistas não formarão governo. Nem quando surgiu o escândalo ERE, envolvendo socialistas em corrupção, isso sucedera.

Premium

João Taborda da Gama

Nunca é só isso

Estou meses sem ir a Coimbra e numa semana fui duas vezes a Coimbra. Até parece uma anedota que havia, muito ordinária, que acabava numa carruagem de comboio com um senhor a dizer vamos todos para Coimbra, vamos todos para Coimbra, mas também não me lembro bem e não é o melhor sítio para a contar mesmo que me lembrasse. Dizia que fui duas vezes a Coimbra numa semana, e das duas encontrei pessoas conhecidas de que não estava à espera, no comboio, no café, na rua. Duas coisas que acontecem cada vez menos, as pessoas contarem anedotas umas às outras, muito menos ordinárias, que não se pode, e encontrarem-se por acaso, que não acontece. E não se encontram por acaso, porque mais dificilmente se desencontram. Para encontrar é preciso desencontrar, e quando o contacto é constante, quando a aparência de acompanhamento da vida do outro rodeia tudo o que fazemos, é difícil sentir o desencontro.

Premium

Ruy Castro

Uma multidão de corruptos injusta e pessoalmente perseguidos

Nenhum agente público no Brasil, nem mesmo o presidente da República, pode ganhar acima de 33 mil reais por mês. Isso equivale a pouco mais de oito mil euros - o que, para as responsabilidades de certas funções, pode ser considerado um salário modesto. Mas você ficaria surpreso ao ver como, no Brasil, esse valor ganha uma extraordinária elasticidade e consegue adquirir coisas que, em outros países, custariam muito mais dinheiro. Com ele, nossos políticos compram, por exemplo, redes inteiras de estações de rádio e televisão, prédios de 20 ou mais andares em regiões de proteção ambiental e edificação proibida e extensões de terra maiores do que a área de certos países europeus. É um fenómeno. Mais surpreendente ainda foi o que descobrimos esta semana. O governador do estado do Rio - cuja capital é a infeliz cidade do Rio de Janeiro -, Luiz Fernando Pezão, fez apenas 11 saques em suas contas bancárias de 2007 a 2014. Alguns desses saques eram no valor de três euros, o que lhe permitiria comprar no máximo um saco de pipocas, e nenhum acima de oitocentos euros. Por mais que Pezão pareça um sujeito humilde e desapegado, como se pode viver com tão pouco? Talvez tivesse dinheiro em espécie acumulado em algum lugar - quem sabe um cofre em sua casa ou mesmo o seu próprio colchão -, do qual fosse retirando apenas o suficiente para seus alfinetes. Não por acaso, a Polícia Federal prendeu-o na semana passada, acusando-o de ter recebido o equivalente a dez milhões de euros de propina, naquele período em que ele era vice-governador do então titular Sérgio Cabral - que, por sua vez, está condenado por enquanto a 197 anos de prisão por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Cabral é acusado também de ter cerca de 85 milhões de euros em depósitos fora do Brasil. Onde estarão os milhões de Pezão? E Michel Temer, dentro de 20 dias a contar de hoje, deixará de ser presidente do Brasil. No dia 1 de janeiro, uma terça-feira, passará a faixa presidencial a seu sucessor e perderá a imunidade que o impede de ser condenado por atividades ilícitas anteriores ao seu mandato. É quase certo que, já no dia seguinte, agentes da Polícia Federal baterão à sua porta em São Paulo, para levá-lo a explicar-se sobre as atividades ilícitas praticadas antes e durante o mandato. Explicações que ele terá dificuldade para dar, já que os investigadores parecem ter provas robustas de suas trampolinagens. E não se pense que tudo nessa turma se refere a milhões - uma inocente obra de reparos na casa de uma filha de Temer em São Paulo, "oferecida" por um empresário, indica um gesto de gratidão desse empresário por certa obra de vulto em que Temer, como presidente, o favoreceu. Nem toda a corrupção tem o dinheiro como fim. Ele pode ser também um meio - para se chegar ao mesmo fim. No caso do Brasil, foi o que prevaleceu nos últimos 15 anos: o desvio de dinheiro público para a manutenção do poder político, eternizando o desvio de dinheiro público. É uma equação diabólica, principalmente se maquiada de uma tintura ideológica - práticas de direita com um discurso de esquerda. E não se pense também que isso envolveu apenas os políticos. A Operação Lava-Jato, que está botando para fora os podres do país, condenou até agora 65 pessoas à prisão, das quais somente 13 políticos, num total de quase duzentas em fase de investigação ou já denunciadas. Entre estas, contam-se doleiros, operadores de câmbio, publicitários, lobistas, pecuaristas, irmãos, cunhados, ex-mulheres e "amigos" de políticos e carregadores de malas de dinheiro, além de funcionários, gerentes de serviço, executivos, tesoureiros, diretores, sócios-proprietários e presidentes de grandes empresas. Entre os presos ou investigados, estão também um ex-presidente da Câmara dos Deputados, um ex-presidente do Senado, vários ex-ministros de Estado (dos quais três ex-ministros da Fazenda), três ex-tesoureiros do Partido dos Trabalhadores, meia dúzia de altos funcionários da Petrobras, o ex-presidente do banco de desenvolvimento nacional, seis ex-governadores estaduais, os presidentes das quatro maiores empresas de construção civil do Brasil e quatro ex-presidentes da República. Um deles, Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, quando lhe falarem que o querido Lula está sofrendo uma perseguição pessoal e injusta, pense nos citados acima, tão injusta e pessoalmente perseguidos quanto ele.

Premium

Marisa Matias

O Christian, a Rosa e a rua

Quero falar-vos do Christian Georgescu, uma daquelas pessoas que a vida nos dá o privilégio de conhecer. Falo-vos com nome e apelido porque a história dele é pública. Nasceu em Bucareste, na Roménia, tem 40 anos e encontrou casa no Porto. Trabalhou desde cedo até que um dia lhe faltou comida na mesa. A crise no início dos anos 2000 e a necessidade de dar de comer à filha fizeram que decidisse entrar num mundo paralelo. A juntar a isso, começou a consumir drogas e foi preso. Quando saiu percebeu que tinha de ir para longe para mudar e veio para o Porto.