O menino bonito de Aguirre e Aznar no PP

Pablo Casado, de 37 anos, causou surpresa na quinta-feira à noite ao passar à segunda volta da corrida à liderança do PP, juntamente com a ex-vice-primeira-ministra Soraya Sáenz de Santamaría. Afastada ficou María Dolores de Cospedal, ex-ministra da Defesa e secretária-geral do PP, eterna rival da primeira, dada como uma das favoritas

Quando no início desta semana nasceram os gémeos prematuros de Pablo Iglesias e Irene Montero, Pablo Casado enviou-lhes uma mensagem sentida de apoio. Que não passou despercebida. Nem aos media. Nem à opinião pública espanhola.

"Estou com Pablo e Irene. Vai tudo correr bem e, daqui a uns meses, tudo estará bem. Dou-lhes todo o apoio do mundo. Estas experiências fazem com que te tornes uma pessoa melhor", disse, em entrevista ao programa de televisão La Sexta Columma.

Casado, que na quinta-feira à noite gerou surpresa ao passar à segunda volta da corrida à liderança do Partido Popular (PP), sabe do que fala. O seu filho também nasceu prematuro, aos cinco meses de gestação, com apenas 700 gramas. Pablo, que esteve quatro meses nos cuidados intensivos, tem agora quatro anos e é uma criança totalmente saudável. Além dele, Casado tem outra filha, Paloma.

Leo e Manuel, os gémeos do casal de dirigentes do Podemos, partido de esquerda, nasceram aos seis meses de gestação. Ideologias políticas à parte, Casado identificou-se com o que Iglesias e Montero estão a viver e, por isso, sentiu necessidade de se expressar. O candidato à sucessão de Rajoy, no Congresso de 20 e 21 de julho do PP em Madrid, descreve-se como um homem de fé, crente em Deus, que costuma ir à missa.

Essa mesma fé parece movê-lo na corrida à liderança do partido de direita espanhol. Ao passar à segunda volta, com 34,4% dos votos nas primárias de quinta-feira, Casado, de 37 anos, passou de jovem obediente a político que fez tremer a hierarquia do PP. Abalou o pré-estabelecido. O que era dado como quase adquirido. E o que era dado como quase adquirido era a passagem, à segunda volta, de Soraya Sáenz de Santamaría e María Dolores de Cospedal, respetivamente, ex-vice-primeira-ministra e ex-ministra da Defesa de Rajoy.

Assim, no congresso, os populares terão que escolher entre Casado e Santamaría, que nas primárias teve 36,9% dos votos expressos. Também secretária-geral do PP, Cospedal, eterna rival de Santamaría, poderá querer negociar um apoio a Casado, dizem esta manhã os media espanhóis.

O apoio de Esperanza Aguirre e José María Aznar

Líder da juventude popular - Nuevas Generaciones - entre 2005 e 2013, Casado é próximo de importantes dirigentes do PP, como a ex-presidente da Comunidade de Madrid Esperanza Aguirre e o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar.

"É o único que defendeu os valores e os princípios do partido de que, infelizmente, parece que nos tínhamos esquecido", afirmou Aguirre, ao explicar a sua preferência por Casado e não por Santamaría e Cospedal.

Quanto a Aznar, escolheu-o para ser seu chefe de gabinete na fundação FAES, à qual se dedica desde que deixou o governo. E a partir da qual lançava duras críticas, nos últimos tempos, contra o governo de Rajoy, Santamaría e Cospedal. O ex-chefe do governo espanhol foi um dos convidados do casamento de Casado com Isabel Torres Orts em 2009.

Amigo de Israel e dos EUA

Ex-vice-secretário-geral de Comunicação do PP, ex-deputado por Madrid e atual deputado no Parlamento de Espanha, Casado é tido como um atlanticista convicto, presente em tudo o que é iniciativas ligadas aos Estados Unidos, mas é também considerado um amigo de Israel. Em 2010, foi um dos cofundadores do think tank Friends of Israel Initiative.

Um habitué do Fórum de Davos, que acontece anualmente na Suíça, é um conservador ao estilo anglo-saxónico. "O aborto não é um direito, é um fracasso", declarou esta semana ao El País, reconhecendo, porém, que os casais homossexuais devem ter os mesmos direitos civis que os casais heterossexuais pois, disse, "o Estado não deve discriminar ninguém e muito menos meter-se na vida privada das pessoas".

Trabalhou no departamento jurídico na área da banca privada em Genebra, na Suíça, mas também no Banco Santander.

O Master da polémica

Natural de Palencia, em Castela-Leão, Pablo Casado Blanco é filho de pai médico e mãe professora universitária. Advogado de formação e profissão, o político viu-se envolvido, no início deste ano, numa polémica que lançou dúvidas sobre as condições em que fez, em 2008, um Master em Direito Autonómico pela Universidade Juan Carlos (URJC).

Estava-se no auge do caso Cifuentes, relativo à obtenção do mesmo master por Cristina Cifuentes, presidente da Comunidade de Madrid, do PP, que acabaria por se demitir do cargo a 28 de abril deste ano.

Em causa estava o facto de Casado ter obtido validação em 18 das 22 cadeiras do master, apesar de não ter feito exames, nem trabalho de fim de curso. Na altura, o agora candidato a líder dos populares queixou-se de uma perseguição político-mediática, destinada a prejudicá-lo.

Fã de Coldplay e Mario Vargas Llosa

Casado é um jovem com gostos musicais cosmopolitas. Gosta dos Coldplay. E dos Depeche Mode. É ainda um admirador de escritores como García Márquez e Mario Vargas Llosa e Arturo Pérez-Reverte.

O homem de quem se diz que responde sempre às mensagens de WhatsApp, mesmo que com alguns dias de atraso, fez uma campanha bastante ativa com vista às primárias do PP. Em 12 dias fez 20 mil quilómetros pelo país. Os media dizem que fez uma verdadeira Volta à Espanha.

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