"O efeito de imitação na Europa é perigoso"

A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos pôs a Europa em alerta. O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel teme "o efeito de imitação perigoso" que dê ainda mais força aos movimentos populistas, de esquerda e de direita, que proliferam em vários países europeus.

O vice-presidente do PPE, que organizou em Bruxelas uma conferência sobre as implicações das eleições nos EUA na União Europeia, sublinha que aqueles movimentos "estão muito fortes". As eleições nas Holanda serão as mais delicada, mas inclui no lote das idas às urnas problemáticas a França, Alemanha e Itália. Por exemplo, encontra semelhanças entre o fenómeno italiano de Bepppe Grilo e a figura de Trump: "Não são bem de direita nem de esquerda".

Mais do que apontar para as consequências da eleição do novo presidente americano, ainda imprevisíveis, os oradores da conferência centraram-se no porquê da escolha de Trump. Michael C. Maibatch, diretor do James Wilson Institute on Natural Rights, deu uma explicação muito simples: "Trump conectou-se com os trabalhadores" americanos e fez renascer a ideia do sonho americano ou de uma América grande.

Peter Chase, membro do German Marshall Fund dos EUA, descodificou essa ideia de América grande: "Quer dizer crescimento económico. Esse é o seu motor". A sua administração irá "concentrar-se na classe média", assegurou

A constituição de infraestruturas é a aposta do novo presidente republicano, e com a qual "os sindicatos estão de acordo e com o relançamento de infraestruturas com dinheiro público", disse Peter Chase.

Quanto às incertezas sobre a política externa de Trump, Giovanni Grevi, membro do Centro Europeu de Política, frisou que "não é a política externa que faz votar as pessoas. "O que preocupa os americanos é a luta contra o terrorismo", considerou o orador, pelo que toda a ação do novo presidente americano será modelada tendo em conta os fatores internos dos EUA.

Em Bruxelas

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