O deputado das Canárias que pode ser a chave de um governo Rajoy

Pedro Quevedo - todos em Espanha falam deste médico-cirurgião, eleito do partido Nova Canárias, embora nas listas do PSOE.

Habituado a viver na sombra, Pedro Quevedo é o político espanhol a quem os resultados eleitorais do passado domingo trouxeram 15 minutos de glória. Médico-cirurgião de formação, Quevedo é deputado eleito pela circunscrição da Gran Canária e vereador na Câmara Municipal de Las Palmas. O seu partido, Nova Canárias, presidido por Román Rodríguez, apresentou-se nas duas últimas legislativas em coligação com o Partido Socialista Canário (PSC), acordo que contou com o aval do líder socialista Pedro Sánchez.

Nas eleições de 20 de dezembro essa coligação obteve quatro dos 15 deputados que as Canárias têm no Parlamento espanhol, sendo um deles Quevedo. Tinha prometido abandonar o seu cargo na Câmara Municipal mas não chegou a fazê-lo à espera do desbloqueio da legislatura. No passado domingo, a aliança perdeu um deputado mas Quevedo viu o seu lugar garantido. E casualidade ou não da política, converteu-se no homem que pode ser a chave do governo de Mariano Rajoy. Se o PP conseguir o apoio ou a abstenção dos 32 deputados do Ciudadanos, dos 5 dos nacionalistas bascos (PNV) e de um deputado dos nacionalistas canários (CCA), a soma de deputados situa-se nos 175. Fica a faltar um para a maioria absoluta.

Pedro Quevedo, ideologicamente na órbita do nacionalismo de esquerda, já disse abertamente que não quer ser o culpado por se manter o bloqueio na política espanhola e forçar umas terceiras eleições. Caso se cumpram as condições referidas anteriormente, poderia abster-se na tomada de posse de Mariano Rajoy. No acordo do seu partido com os socialistas Quevedo compromete-se a apoiar a tomada de posse de Pedro Sánchez mas não está obrigado a votar contra dos outros candidatos. Ainda não se sabe se o seu partido vai permitir este comportamento (há uma reunião na sexta-feira) e qual seria a reacção dos socialistas. "Está a ser ambíguo com este tema e já recebeu críticas de pessoas do seu partido", explicam ao DN próximos de Quevedo.

Este não é um político com carisma e fez o seu percurso na sombra de Román Rodríguez, ex-presidente do governo canário. Existem muitas coincidências nas suas trajetórias pessoais e profissionais. Nasceram com dez dias de diferença em 1956 e ambos exerceram como médicos e como professores. Na política, Quevedo foi e continua a ser o homem mais fiel de Rodríguez, o qual acompanhou na sua saída da Coligação Canárias e na fundação, em 2005, do partido Nova Canárias. Quevedo ocupou o cargo de porta-voz do governo canário entre 2000-2003, foi deputado autonómico e nacional. Agora é o homem de quem se fala.

*) Madrid

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